Carlyle
Popp ambientou sua obra tendo Curitiba como cenário, cidade adotada por ele
desde 1971
Acaba
de chegar às livrarias a obra O senhor
na minha história, primeiro romance de Carlyle Popp, autor catarinense,
radicado em Curitiba desde o início dos anos 1970, conhecido nacionalmente nas
letras jurídicas. A obra foi publicada pela Editora InVerso.
É
um livro sobre protagonistas e coadjuvantes, amizade, amor e ódio. Sobre a
constante busca da própria identidade, sobre a vida, o desejo e a morte. Tudo
isso tendo Curitiba como pano de fundo.
Ao
longo do texto, numa leitura fluida e prazerosa, o autor assevera se somos o
protagonista da nossa existência ou, de maneira mais sutil e elegante, quem é o
diretor de teatro da nossa vida? Se fazemos nossas escolhas livremente e se nos
responsabilizamos pelas nossas ações ou ainda se vivemos à reboque dos
acontecimentos, das circunstâncias e dos outros?
Assim,
do início dos anos 1970 até o começo dos anos 2000, o protagonista trafega por
Curitiba, onde passa sua infância, marcada principalmente por dois episódios: a
geada negra de 1975 e a epidemia de meningite, eventos que se destacaram e que
deixaram marcas na sua memória.
Os
desafios da adolescência, o primeiro amor e suas amizades. Um herói domina sua
vida e inaugura rupturas, alegrias e tristezas que consequentemente
contaminariam sua vida adulta. Frustrações e o fardo de uma convivência
fraterna transformada em ódio desfilam por todo o livro. Sua atividade como
agente de viagem permite que a história tenha, também, Madri, Paris e Londres
como cenário.
A
dor o aliena, esvaziando sua existência. A tragicomédia passa a dominar este
romance de formação até que, em suas páginas finais, a loucura passa à condição
de personagem principal. Matar Salésio, antagonista de sua vida, transforma-se
em desejo fundamental. Muitas tentativas até que, enfim, consegue. Teria ele
realmente conseguido?
Em O senhor na minha história, Carlyle Popp cativa seus leitores e os deixa inquietos,
vidrados nos hábitos e no comportamento dos personagens, que são muitos.
Memória, realidade e ficção se envolvem no enredo. Virar a próxima página e o
destino de cada um dos personagens impele a continuidade da leitura.
Sobre o autor:
Calyle Popp é homem de letras jurídicas. Advogado, professor em cursos de graduação e
pós-graduação; Mestre em Direito Público pela UFPR e Doutor em Direito Civil
pela PUC/SP. Sua experiência como advogado o fez descobrir que no Direito
existe certa carga ficcional. Com isso, enveredou pelas trilhas do
relacionamento entre o direito e a literatura.
Na
ficção, coordenou e escreveu nas antologias Instruções à Cortazar: homenagem de
cronópios, famas e esperanças (Juruá Editora, 2014) e Kakfa: uma metamorfose
inspiradora (Juruá Editora, 2015). É membro do Instituto dos advogados do
Paraná, da Academia Paranaense de Letras Jurídicas, do Conselho Editorial da
Juruá Editora, do Instituto de Direito Privado e da Academia Luminescência
Brasileira (ALUBRA). Luta para ser um cronópio, diretor de teatro de sua
própria existência, embora reconheça não ser fácil. O senhor da minha história
é seu primeiro romance.