sexta-feira, 26 de junho de 2015

Mauricio de Sousa será homenageado na Bienal do Livro do Rio

Mauricio de Sousa, que completa 80 anos em outubro, vai ganhar duplo tributo durante a Bienal do Livro Rio. Um dos autores mais presentes no evento desde a sua criação, Mauricio é o homenageado da 17ª edição da Bienal, que terá diversas atividades relacionadas ao cartunista na programação cultural. Também durante a festa, ele recebe o prêmio José Olympio, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), entregue a cada dois anos a pessoas e entidades empenhadas na promoção da leitura.

Além disso, Mauricio – que é o primeiro desenhista de histórias em quadrinhos no mundo a entrar em uma academia de letras (a Academia Paulista de Letras) – terá diversos lançamentos durante o evento. Dois títulos já confirmados são uma coletânea com suas tiras de estreia, publicadas originalmente nas revistas “Bidu” e “Zaz Traz”, em 1960, que sai pela Panini, e uma compilação dos três  primeiros livros ilustrados assinados por ele, em 1965, agora em uma edição caprichada da WMF Martins Fontes.

A Bienal do Livro Rio, que acontece entre 3 e 13 de setembro no Riocentro, é realizada pelo SNEL e pela Fagga | GL events Exhibitions.


Sobre Mauricio de Sousa
Mauricio de Sousa iniciou sua carreira como ilustrador na região de Mogi das Cruzes, próximo de Santa Isabel, onde nasceu. Aos 19 anos, mudou-se para São Paulo e, durante cinco anos, trabalhou no Jornal Folha da Manhã (atual Folha de São Paulo), escrevendo reportagens policiais. Em 1959 criou seu primeiro personagem, o cãozinho Bidu. A partir daí vieram, Cebolinha, Cascão, Mônica, e tantos outros. Em 1970, lançou a revista Mônica. 

Depois de passar pela Editora Abril e Editora Globo, assinou contrato com a multinacional italiana Panini. Cerca de 150 empresas nacionais e internacionais são licenciadas para produzir quase três mil itens, com os personagens de Mauricio de Sousa; suas criações chegam a cerca de 30 países.

Mário de Andrade dá a tônica do show de abertura da Flip 2015

“Música na Praça” reúne Luís Perequê e o grupo Os Caiçaras, voltados para a arte popular paratiense, além da cantora paulistana Dani Lasalvia

Formado pelo Conservatório de São Paulo, professor e crítico musical, Mário de Andrade (1893-1945) foi um desbravador da música popular de raiz do Brasil nas expedições em que participou e patrocinou como secretário de cultura de São Paulo: ritmos indígenas, músicas africanas, acalantos, ranchos, modinhas, cirandas. 

A diversidade de tons estará presente no Show de Abertura da Flip 2015Música na praça. Apresentando canções de sua autoria, Luís Perequê abre a noite. Na sequência, uma convidada do artista caiçara ganha a Tenda da Flipinha, a cantora Dani Lasalvia – que interpreta algumas das canções coletadas por Mário. A ciranda, que o escritor modernista chamou de “dança dramática”, estará representada pelo grupo Os Caiçaras. O show, gratuito, acontece ao lado da Igreja Matriz, na quarta-feira (1º de julho), às 21h30, após a sessão de abertura da Flip 2015.

Considerado um dos principais interlocutores da cultura paratiense, o poeta e compositor Luís Perequê tem a obra atravessada pela relação entre a história local e suas tradições, que aparece nos quatro álbuns lançados pelo artista.

O show abrirá com um coral de crianças de Paraty, que cantará uma composição de sua autoria, Flipinha. Entre as canções que serão apresentadas por Perequê estão Um canto caiçaraAves e evasEu brasileiroVem comigo.

A intérprete Dani Lasalvia tem um projeto musical ligado às pesquisas realizadas por Mário de Andrade e aos ritmos que o autor de Macunaíma compilou ao longo dos anos. Em sua apresentação, Dani intermediará ritmos populares como as canções de viola, os acalantos, ritmos indígenas com canções como O Trenzinho Caipira, de Heitor Villa-Lobos, compositor que uniu o erudito e o folclore na música instrumental, com trechos das obras de Mário de Andrade. “Vou falar desse Brasil que ele tanto queria que as pessoas conhecessem”, conta.

O show se encerra com uma ciranda com o grupo Os Caiçaras, de Paraty, na Praça da Matriz. “O encerramento do show na praça, envolvendo toda a população de Paraty e o público da Flip, une a música com a ocupação do território, duas questões presentes na vida e obra de Mário de Andrade, que serão uma das tônicas da Flip 2015”, afirma Mauro Munhoz, diretor-presidente da Associação Casa Azul e diretor-geral da programação principal.

Flip 2015
A 13ª edição da Flip, que acontece de 1º a 5 de julho, terá Mário de Andrade como autor homenageado.

Quem faz a Flip
A Casa Azul é uma organização da sociedade civil de interesse público que desenvolve projetos nas áreas de arquitetura, urbanismo, educação e cultura. Desde as primeiras ações, há mais de vinte anos, vem desenvolvendo uma metodologia de leitura territorial capaz de potencializar importantes transformações no território. Em Paraty, onde a associação se originou, esse processo levou à realização de ações de permanência, com projetos como a Flip, a Biblioteca Casa Azul e o Museu do Território, entre outros.

Patrocínio

A programação da Flip conta com o patrocínio oficial do BNDES, Itaú, Petrobras, apoio do Sesc e outros parceiros em vias de confirmação. É realizada por meio das leis de incentivo à cultura do Governo do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e do Ministério da Cultura do Governo Federal.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Hélia Correia é a ganhadora do Prêmio Luís de Camões 2015



Escritora portuguesa foi escolhida por unanimidade na edição deste ano do mais importante prêmio para escritores de língua portuguesa

A escritora portuguesa Hélia Correia (foto) é a ganhadora do Prêmio Luís de Camões 2015, considerado o mais importante do gênero para escritores de língua portuguesa. Ela foi escolhida por unanimidade pela comissão julgadora que se reuniu hoje (17/6) de manhã na Fundação Biblioteca Nacional (FBN), no Rio de Janeiro.

Nascida em Lisboa, em 1949, Hélia Correia é poetisa, dramaturga e ficcionista. Licenciada em Filologia Românica, também atuou como professora do ensino secundário. Já recebeu o prêmio PEN 2001 (por trabalhos de ficção) pela obra Lillias Fraser, e o PEN de poesia 2013 pelo livro A Terceira Miséria. Outras premiações foram pelas obras A Casa Eterna (Prémio Máxima de Literatura, 2000), Bastardia (Prémio Máxima de Literatura, 2006) e Adoecer (Prémio da Fundação Inês de Castro, 2010). Em 2014, venceu a 23ª edição do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco com a obra Vinte Degraus e Outros Contos.

A premiação, que destina o valor de cem mil euros para o vencedor, é realizada anualmente pelos Governos de Brasil e Portugal com o objetivo de estreitar laços culturais entre os países lusófonos. Este ano, o Ministério da Cultura (MinC), por meio da Biblioteca Nacional, foi o responsável pela organização do evento no Brasil.

Satisfação
O resultado foi comunicado pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, ao secretário da Cultura de Portugal, Jorge Manuel Barreto Xavier. Segundo o ministro, foi grande a satisfação em comunicar o nome da ganhadora, que é a segunda mulher a receber o prêmio. A primeira foi Lígia Fagundes Teles, em 2005. “Isso  mostra a relevância e a diversidade da literatura portuguesa”, destacou.

A comissão julgadora do prêmio foi composta por Antonio Carlos Secchin e Affonso Romano Sant`Anna, do Brasil; Rita Marnoto e Pedro Mexia, de Portugal; Inocência Mata, de São Tomé e Príncipe; e Mia Couto, de Moçambique, que participou via web conferência.

Presidido por Rita Marnoto, o júri considerou que a obra de Hélia Correia é multifacetada em termos de gênero (poesia, ficção, drama) e de estilo e que renova a tradição literária a partir das matrizes da Antiguidade Clássica, ao mesmo tempo em que dialoga com a literatura moderna e contemporânea. Conforme consta na ata da reunião: “a sua escrita inspira-se no imaginário telúrico e numa espiritualidade que resulta da conciliação de crenças de diferentes culturas. A escrita é uma celebração da sabedoria antiga que resgata um sentimento poético que se perdeu no tempo”.

As biografias e a liberdade de expressão




Publicado no site Comunique-se em 13 junho de 2015



Escrito por Rodrigo Augusto Prando (*)

Na quarta-feira, 10, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou, por unanimidade, a publicação de biografias sem prévia autorização dos biografados ou de seus familiares. Uma vitória, a meu ver, da liberdade de expressão. Tal imbróglio surgiu, com maior ênfase, na ocasião em que o cantor Roberto Carlos conseguiu, na Justiça, retirar de circulação, proibindo a venda de um livro sobre sua vida. A pergunta que, desde 2013, ficou no ar é: o que vale mais – a liberdade de expressão ou o direito à privacidade do indivíduo? Retomo, abaixo, alguns pontos que já havia defendido na época mencionada.

Nossa Constituição e nosso Código Civil engendram as contradições que fazem parte de nossa própria realidade: uma dialética entre o direito de ser informado e a liberdade de expressão e o direito à privacidade, à intimidade, à honra – uma dialética de direitos versus direitos. Não cabem, aqui, considerações jurídicas, deixo-as aos conhecedores do universo do Direito. No entanto, pode-se, ainda que panoramicamente, tratar de elementos de caráter sociológico e, por isso, sociais.

Por dever de ofício, li biografias dos últimos presidentes: Itamar Franco, FHC, Lula e Dilma. Parece-me que foram autorizadas e, por causa disso, muitos poderiam dizer que foram “café-com-leite”, açucaradas e até laudatórias. Tal fato se dá, inclusive, porque muitos escritores temem as consequências legais e sanções financeiras que podem sofrer ao não terem a devida autorização do biografado ou dos herdeiros. No limite, a discussão é, sociologicamente, como relacionar a biografia e a História, a biografia e a sociedade.

Os que foram, são e serão biografados devem, geralmente, ter alguma influência em sua sociedade. São políticos, artistas, atletas, empreendedores, enfim, um conjunto de indivíduos que, de uma forma ou de outra, trazem, com suas ações, certo impacto na vida das pessoas, seja este impacto material ou imaterial. É possível negar que a obra de Chico Buarque é importante para entender o Brasil? Pode-se desprezar os feitos de Fernando Henrique Cardoso e Lula? A história econômica não ganha sentido com as trajetórias de vida de Francisco Matarazzo e do Barão de Mauá? A genialidade de Garrincha? A análise biográfica e a trajetória de vida são importantes recursos de intepretação para as Ciências Sociais. Nesta seara, não só os notórios, os homens públicos, mas, também, o “homem simples”, as pessoas comuns, podem fornecer pistas para desvendar o conteúdo da vida cotidiana e das estruturas sociais.

Os que chamam a atenção, geralmente, são as figuras públicas que, como dito, tem influência e status social. A pergunta tem sido: essas figuras públicas têm direito, então, à sua privacidade? Sim, claro que têm. Mas, ao serem indivíduos “sociologicamente distintos” são alvos de atenção e especial interesse coletivo. Nesta dialética entre a privacidade e honra e a liberdade de expressão, ou seja, entre dois direitos assegurados por lei, fico, sem dúvida, em primeiro lugar com a total liberdade de expressão, com o direito a ser informado, com o direito de conhecer mais e melhor a história de meu país e de seus personagens.

No caso de um biografado ou de seus familiares que se sintam injustiçados, caluniados ou ofendidos, que se utilizem dos recursos legais para corrigir tal ato de afronta à sua vida pessoal. O mundo jurídico tem à sua disposição uma ampla gama de ferramentas conceituais capaz de impor limites aos biógrafos mal intencionados ou mal informados, cujo trabalho não deriva de pesquisa séria. Agora, pedir autorização para escrever sobre determinada pessoa ou, ainda, ter que dividir os ganhos que se tem com os livros ou direitos de venda para o cinema com o biografado ou com a família, é – a meu ver – um disparate.

Em nossa Constituição Federal, no Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais – temos os seguintes dizeres, no Art.5º: “V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além de indenização por dano material, moral ou à imagem” e “IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença”. Não é lógico, sem necessidade de consulta aos advogados, que antes do direito à livre expressão, esteja resguardado o direito de resposta e indenização por dano material, moral ou à imagem? Está escrito. Simples e claro. Uma questão: temos direito a ter uma fazenda? De termos milhares de hectares? Obviamente, a Constituição garante o direito à propriedade: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Esse direito – o direito à propriedade – é o último vindo após o direito à vida, à liberdade, à igualdade e à segurança. Ainda sobre a propriedade privada, no Título VII – Da Ordem Econômica e Financeira – no Capítulo III, Da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária, o Art. 184 reza que: “Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização [...]”. Qual o porquê de tratarmos de propriedade privada e reforma agrária. Explico.

Chico Buarque de Holanda, em 2013, engrossava as fileiras do grupo “Procure Saber”, junto a outros artistas da elite cultural brasileira. Gerou indignação que artistas aquilatados como Chico Buarque e Caetano Veloso, até por causa de suas histórias de perseguidos políticos e censurados, estivessem em posições próximas a de Roberto Carlos. Chico Buarque, por exemplo, defendeu – muitas vezes - o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Nesta questão entre o direito à propriedade privada e o direito à terra, Chico não teve dúvidas: ficou do lado dos trabalhadores rurais. Não se esperaria nada diferente dele. Parece-me, salvo melhor juízo, que entre o interesse individual – do proprietário – e o interesse coletivo – dos trabalhadores sem terra – ele tenha escolhido um dos lados. Um direito seu, oras. O espanto, por isso, de muitos tem sido a defesa de Chico da necessidade de autorização prévia de se publicar as biografias. Disse algo assim: “Pensei que Roberto Carlos tivesse direito à sua privacidade, parece que não”. Depois, afirmou que não havia dado entrevista ao biógrafo de Roberto Carlos. Voltou atrás e se desculpou, quando o biógrafo apresentou as evidências da entrevista. De Paris, deu a seguinte entrevista: “Posso até não estar bem informado sobre as leis e posso ter me precipitado [...] repito: posso estar enganado [...] se a lei está errada, se eu estou errado, tudo bem, perdi”.

O STF, enfim, deixou uma clara lição ao país: liberdade, antes de tudo. Que tenhamos o direito de conhecer a nossa história, nossos personagens, sejam os notórios ou os simples. O biografado que, por ventura, se sentir ofendido em seus direitos que recorra à Justiça. Proibir, de antemão, a publicação de um livro? Jamais!

(*) Professor de sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia pela Unesp, FCL, Araraquara.


sábado, 30 de maio de 2015

Flip 2015 abre venda de ingressos na segunda-feira, dia 1º de junho



Venda será realizada pela Tickets for Fun pela internet, telefone e pontos de venda autorizados

Os ingressos para a Festa Literária Internacional de Paraty 2015Flip, começam a ser vendidos na próxima segunda-feira, dia 1º de junho, a partir das 11h, pela internet (www.ticketsforfun.com.br), nos pontos de venda autorizados (http://goo.gl/LNKqRL) e pelo telefone 11-4003-5588. O valor do ingresso para a Tenda dos Autores será de R$ 50,00 a inteira e R$ 25,00 a meia. É permitida a compra de até dois ingressos para cada CPF. A venda de ingressos pela internet e pontos de venda será realizada até o dia 30 de junho. A partir de 1º de julho, quando a feira literária será aberta (vai até o dia 5/7), os ingressos estarão disponíveis apenas na bilheteria em Paraty, cidade onde acontece a Flip, na tenda dos autores.

Neste ano, pela primeira vez, será aceito o Vale-Cultura (http://www.cultura.gov.br/valecultura) para a compra de ingressos nos pontos de venda físicos e na bilheteria de Paraty. As compras pelo Vale-Cultura não podem ser realizadas pela internet e estão sujeitas às mesmas regras das feitas com outras formas de pagamento, como cartão de crédito. O beneficiário, porém, pode usar todo o crédito do Vale-Cultura para a compra de ingressos. 



Estarão disponíveis para venda os ingressos da sessão de abertura e mesas literárias, como a Livro de Cabeceira – que reunirá Ayelet Waldman, Colm Tóibín, Diego Vecchio, Eduardo Giannetti, Marcelino Freire, Matilde Campilho, Ngũgĩ wa Thiong’o, Richard Flanagan, entre outros –, do programa principal. O ingresso é válido para assistir ao debate presencial na Tenda dos Autores.

Programação gratuita
Dando prosseguimento à sua política de democratização do acesso à programação, como no ano passado, o telão será de acesso gratuito do público, assim como a programação da Flipinha, FlipZona e a FlipMais. Os ingressos para a Mesa Zé Kleber, que acontece na quinta-feira, deverão são retirados 1h antes, na bilheteria da Tenda dos Autores.

Pela primeira vez, todos os eventos da FlipMais serão gratuitos. As senhas devem ser retiradas com uma hora de antecedência no local do evento. As mesas da programação principal serão transmitidas ao vivo no telão, que tem acesso livre e gratuito na Praça da Santa Casa.

Como comprar
Os ingressos podem ser adquiridos pela internet no site da Tickets for Fun (www.ticketsforfun.com.br) ou em seus pontos de venda credenciados; pelo telefone 11-4003-5588 e nas bilheterias do Citibank Hall de São Paulo e do Rio de Janeiro, no dia 1º de junho  das 11h às 20h; nos demais, das 12h às 20h. Os ingressos estarão disponíveis para venda até o dia 30 de junho. Durante a Flip, de 1° a 5 de julho, a venda será realizada apenas em Paraty, na bilheteria oficial localizada na Tenda dos Autores.

Por conta da alta procura por ingressos, a organização recomenda cadastro prévio no site da Tickets for Fun para quem pretende adquirir ingressos pela internet. Para tanto é necessário telefone, RG, CPF e endereço completo. O limite é de dois ingressos por mesa para cada comprador mediante apresentação do CPF do mesmo.

Quem faz a Flip
A Casa Azul é uma organização da sociedade civil de interesse público, que desenvolve projetos nas áreas de arquitetura, urbanismo, educação e cultura. Desde as primeiras ações, mantém uma intensa relação com a cidade de Paraty. A Flip, os projetos educativos permanentes – Flipinha, FlipZona e Biblioteca Casa Azul – e o Museu do Território são algumas de suas experiências que potencializam importantes transformações no território e promovem o aprimoramento da qualidade de vida dos cidadãos, os valores culturais e a conservação do patrimônio material ou imaterial.

Patrocínio
A programação da Flip conta com o patrocínio oficial do BNDES, Itaú, Petrobras, apoio do Sesc e outros parceiros em vias de confirmação.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Romance "Irina do Pará" retrata drama de mulher durante massacre de Eldorado dos Carajás



O massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, em abril de 1996, ainda está bem vivo na memória dos brasileiros. Na ocasião, 19 ativistas sem-terra que protestavam pela expropriação de terras foram mortos pela Polícia do Pará. O fato acabou por culminar na criação do Ministério da Reforma Agrária.

O livro Irina do Pará, da autora Valéria Pimentel, traz aos leitores um pouco do universo dramático de uma mulher do norte do País durante o massacre de Eldorado dos Carajás. Personagem principal, Irina testemunha o massacre e tragédias como chacinas, trabalho escravo, prostituição e a corrida pelo ouro em meio ao caos de uma região inóspita e violenta. O livro é do Grupo Novo Século Editorial, selo Talentos da Literatura Brasileira.


A autora, Valéria Pimentel, nasceu em 1966, começou a escrever aos 46 anos de idade, é casada, mãe de adolescente, trabalha fora e em casa. Moradora da cidade de Santos, no litoral paulista, adora caminhar na beira do mar, nadar e surfar. Também adora arriscar-se a olhar melhor o mundo ao escrever. Como faz em seu primeiro romance, Irina do Pará, consequência de suas viagens pelo Norte, como formadora de Arte, durante 12 anos. E, claro, como todo escritor, ela também ama ler. Para compartilhar as crônicas que escreve e ilustra e os textos da área de Educação que publica, mantém o blog www.cronicasvaleriapimentel.wordpress.com.

Qual foi seu primeiro livro? Tem outros títulos?
Meu primeiro livro foi escrito em um mês e pouco, que são crônicas gastronômicas autobiográficas. Como minha formação é em Artes Visuais, fiz as ilustrações. Mas seria muito difícil para alguém desconhecido conseguir publicá-lo. E ouvi do editor da Realejo, Jozé Luiz Tahan que eu devia escrever um romance, que seria mais fácil para publicar. Assim, parti para meu primeiro romance em 2012, Irina do Pará, que terminei de escrevê-lo em 2013.


Como surgiu a ideia do livro?
Durante 12 anos viajei como formadora da área de Artes Visuais, pelo CEDAC - Comunidade educativa- Centro de comunicação e ação comunitária, que fica em São Paulo, por vários estados, como Espírito Santo, Minas, Maranhão e Pará. Este último foi para onde eu mais viajei, em vários municípios. Em 2001, quando fui para Canaã dos Carajás, Serra Pelada e Eldorado dos Carajás, tudo que vi por lá me sensibilizou muito. Continuei viajando até 2013 para essas regiões e acompanhei as transformações que por lá aconteceram. Achei que as pessoas daqui do Sudeste deveriam saber mais sobre questões que viveram e vivem as pessoas do Norte de nosso país. São realidades diferentes, e tudo é nossa história, história do nosso Brasil. Tive um motorista, seu Noel, que me contava muitas histórias que ele mesmo viveu, como garimpeiro, trabalhador forçado na lavoura. Suas histórias me ajudaram a escrever o livro. As paisagens físicas e emocionais do livro muitas delas eu vi e experimentei e recriei para compor minha personagem principal, Irina.

A escritora Valéria Pimentel
Se tivesse que resumir sua obra em duas linhas, como faria?
É uma narrativa de paisagens físicas e emocionais que vivi em minhas viagens pelo norte do país, que reorganizei e inventei para criar a história de uma mulher nascida no Pará, corajosa, otimista e determinada que direciona a vida para melhorar como pessoa e aprender sempre.

Você escreve para qual público?
Principalmente adulto, mas é uma leitura muito interessante para adolescentes também.

Você se espelhou em alguma história real para criar seu(s) livro(s)? Quais?
O livro é todo baseado na história recente do Norte do país e em alguns personagens reais que conheci em minhas viagens e que a partir deles criei histórias de pessoas fictícias.

Qual era o seu livro preferido?
É difícil dizer isso, há tantos maravilhosos. Se eu escolher um estarei sendo injusta com outros. Mas acho Sábado, de Iam Mac Ewan, fantástico. Amo também Cem anos de solidão, A casa dos budas ditosos e A casa dos espíritos.

Como é o processo de criação de um livro?
Eu caminho pelo menos quatro vezes por semana, bem cedo subindo uma ilha linda que tem aqui, chama-se ilha Porchat. A paisagem marítima é linda e ao caminhar vou respirando o cheiro do mar e da mata e criando as histórias, escutando os textos e argumentos que me chegam ao ouvido. Os guardo na memória até a hora de sentar e escrever. Às vezes, durante o dia as ideias chegam também, enquanto trabalho (sou coordenadora pedagógica numa escola construtivista) ou mesmo tomo banho. Depois, sento no sofá com o meu notebook e escrevo, tenho muito prazer ao fazer isso.

Você ouve música? Isso lhe ajuda a escrever?
A música não me ajuda a escrever, preciso estar em silêncio, de preferência sozinha. Gosto de música instrumental brasileira, jazz, bossa nova e as de nossos grandes como Chico Buarque, Gil, Caetano, Cazuza e outros.

Há alguma curiosidade sobre você?
As pessoas acham interessante uma mulher, mãe de adolescente, casada, de 49 anos, surfar (meu marido e filho não fazem isso, só eu). Adoro surfar. Sou bem amadora, mas surfo desde os 31 anos.

Qual seu autor referência? 
Isabel Allende.

Você já ganhou algum prêmio literário?
Nunca. Sou muito recente neste trabalho e nunca enviei meu texto para concorrer a nada. Fale a respeito. Talvez encaminhe Irina do Pará para concorrer.

 
Qual será o seu próximo livro?
Estou escrevendo outro romance chamado De um mesmo lugar, já escrevi dois terços da história. É um diálogo imaginário entre duas mulheres nascidas na cidade de São Vicente, uma no século XVI e outra na passagem do XX para XXI.

Tem alguma coisa que gostaria de acrescentar sobre o seu livro?
Gosto de escrever sobre as questões que as mulheres vivenciam. Acho este tema fascinante. Talvez por isso seja Isabel Allende minha maior identificação.

Deixe uma frase para os seus leitores.
Para que futuro se o presente se compadece do passado?  Esta foi a frase que me deu a ideia inicial para escrever Irina do Pará e desde o começo eu sabia que terminaria o livro com ela.

Noite de autógrafos do livro "Arquitetura Brasileira - 4ª Edição" reúne arquitetos no Rio de Janeiro



A sessão de autógrafos do livro Arquitetura Brasileira - 4ª Edição, que aconteceu na noite desta quarta-feira (27), na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, foi um sucesso. Estiveram presentes os arquitetos dos quatro escritórios do Rio de Janeiro que tiveram projetos retratados na obra: Cité Arquitetura, Paulo Baruki Arquitetura, Daniel Gusmão Arquitetos Associados e RRA – Ruy Rezende Arquitetura. Foram mais de 50 livros vendidos e toda a renda arrecadada será revertida para a APAE (Associação de Pais e Amigos Excepcionais) de Tijucas-SC.

Com 218 páginas e texto do arquiteto Maurício Del Nero, Arquitetura Brasileira - 4ª Edição possui ainda obras de outros 18 renomados escritórios de arquitetura do Brasil. A publicação é uma iniciativa do CRIAR, Programa de Relacionamento da Portobello, voltado a arquitetos de grandes projetos da construção civil, atendidos pelo Canal Engenharia da empresa, e que busca valorizar a importância e talento desses profissionais.

O livro pode ser baixado gratuitamente no Ipad, pela Apple Store, no APP IPortobello Plus, ou ser adquirido no site da Editora Magma: www.editoramagma.com.br, por R$ 80,00. 

 
Fotos: Glaicon Emrich / Divulgação

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Brasil precisa construir 64 mil bibliotecas escolares até 2020 para cumprir meta

Por Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Brasil precisa construir mais de 64,3 mil bibliotecas em escolas públicas até 2020 para cumprir a meta de universalizar esses espaços, prevista na Lei 12.244. A legislação, sancionada em 24 de maio de 2010, obriga todos os gestores a providenciarem um acervo de, no mínimo, um livro para cada aluno matriculado, tanto na rede pública quanto privada. A cinco anos do fim do prazo, 53% das 120,5 mil escolas públicas do país não têm biblioteca ou sala de leitura. A contar de hoje, seria necessário levantar e equipar mais de 1 mil bibliotecas por mês para cumprir a lei.

O levantamento foi feito pelo portal Qedu, da Fundação Lemann, a pedido da Agência Brasil, com base em dados do Censo Escolar 2014 – levantamento anual feito em todas as escolas do país. Esses são os últimos números disponíveis e trazem informações tanto de instituições de ensino fundamental quanto de ensino médio.

Os dados mostram grande disparidade regional na oferta de bibliotecas escolares. Enquanto na Região Sul 77,6% das escolas públicas têm biblioteca, na Norte apenas 26,7% das escolas têm o equipamento e na Nordeste, 30,4%. No Sudeste, esse índice é 71,1% e no Centro-Oeste, 63,6%.


O Maranhão é o estado com menor índice de bibliotecas escolares – apenas 15,1% das escolas tem o equipamento – seguido pelo Acre (20,4%) e pelo Amazonas (20,6%). Na outra ponta do ranking, estão o Distrito Federal (90,9%), o Rio Grande do Sul (83,7%) e o Rio de Janeiro (79,4%).

Com relação às escolas da rede estadual de ensino do Amazonas, a Secretaria Estadual de Educação informou que 91,31% têm o equipamento e que todas as unidades inauguradas a partir deste ano já contam com a biblioteca. Segundo a secretaria, as escolas que não têm bibliotecas estão em processo de adaptação.

A Secretaria de Educação do Acre informou que, se forem consideradas as instituições estaduais com mais de 100 alunos, o percentual é de 72% com bibliotecas, e que há particularidades no estado, como o grande número de escolas rurais e de difícil acesso. A secretaria informou ainda que trabalha para atualizar o número de escolas que têm biblioteca no Censo Escolar.

A Agência Brasil não conseguiu contato com a secretaria de Educação do Maranhão.

De acordo com o levantamento, também há diferenças na oferta de bibliotecas entre as escolas de ensino médio e fundamental. Em melhor situação, 86,9% das escolas públicas de ensino médio têm bibliotecas ou salas de leitura. No ensino fundamental, entretanto, o índice cai para 45%.

O coordenador de projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins Faria, explicou que, na edição de 2014, o Ministério da Educação (MEC), responsável pelo Censo Escolar, juntou os dados de sala de leitura e bibliotecas, ao passo que, em anos anteriores, esses números eram descritos de forma separada. Por esse motivo, não é possível comparar a evolução dos dados com anos anteriores.


“A gente tem que pensar especificações que garantam que a criança tenha ambientes propícios para praticar a leitura. É pouco viável, do ponto de vista orçamentário e de factibilidade, a universalização das bibliotecas [no prazo estipulado em lei]. Temos que pensar como promover mais espaços para leitura e disponibilizar mais conteúdos para os alunos”, disse Faria.

Para a diretora de educação e cultura do Instituto Ecofuturo, Christine Fontelles, faltam  recursos para todas as áreas da educação e, por esse motivo, a leitura não costuma estar entre as prioridades dos gestores. Coordenadora do projeto Eu Quero Minha Biblioteca, que ajuda professores, diretores, pais e alunos a requisitar e implantar bibliotecas nas escolas, ela ajuda na articulação com as secretarias de Educação e o MEC.

“O fato central é que não se dá importância para a biblioteca. Nós somos um país que não dá valor para a biblioteca, que ainda não tem a noção de que a educação para a leitura é uma coisa que deve acontecer desde sempre, e que a biblioteca pública é o equipamento fundamental para que famílias e escolas possam desenvolver essa habilidade no jovem”, defendeu Christine em entrevista à Agência Brasil.

Segundo ela, é preciso que a biblioteca tenha papel central dentro da escola. “O país perde um grande tempo ao não munir as escolas desse equipamento e não promover uma campanha de expressão nacional para que as famílias se envolvam na formação leitora das crianças. É importante que a biblioteca seja a casa do leitor, não um depósito de livro”, afirmou.

Para o presidente do Instituto Pró-Livro, Antônio Luiz Rios, uma biblioteca na escola contribui para a formação literária, melhora a escrita, o vocabulário e é fundamental para a formação do cidadão.

“O hábito da leitura começa em casa, com a família. Mas é preciso seguir nas escolas, com acervo interessante e profissionais capacitados. Sem uma base leitora forte, o aluno não tem uma boa formação”, acredita. “Com a leitura, o cidadão pode ter acesso a todo o conhecimento humano, ele não é mais guiado, tem a possibilidade crítica. O Brasil ainda não despertou para a importância da leitura”, acrescentou Rios.


De acordo com a pesquisa Retrato da Leitura no Brasil 2012, feita pelo Instituto Pró-Livro, as bibliotecas escolares estão à frente de qualquer outra forma de acesso ao livro para crianças e adolescentes de 5 a 17 anos.


O Ministério da Educação informou que a instalação de bibliotecas é uma responsabilidade das escolas. De acordo com a assessoria da pasta, as instituições de ensino públicas recebem recursos federais para investimento em estrutura e cabe à escola decidir como gastar esse dinheiro.

domingo, 24 de maio de 2015

Caminho de Santiago de Compostela: Livro conta emoções, alegrias e superações registradas em um iPhone



Há muitos livros sobre o Caminho de Santiago de Compostela, mas nenhum como esse! Uma Viagem em um Bloco de Notas (Editora Imprensa Livre), foi escrito pela gaúcha Tatiana Fadel Rihan em seu iPhone, enquanto ela fazia o Caminho. Por dois meses, a autora realizou a peregrinação pelo Campo das Estrelas e anotou todas as suas sensações, medos, alegrias, emoções, superações e transformações. 

Com narrativa alegre, vibrante e desafiadora, o livro, de 616 páginas, inova utilizando o recurso de QR Codes e convida o leitor a compartilhar da experiência da autora, através de fotos, vídeos, músicas etc. O Prólogo da obra é de ninguém menos do que o escritor Luiz Fernando Veríssimo.

Lançado em novembro do ano passado, Uma Viagem em um Bloco de Notas se tornou um sucesso editorial e em apenas seis meses ganhou uma segunda edição. Tatiana Fadel Rihan esteve no Rio de Janeiro em abril para o lançamento da nova edição e participou de uma sessão de autógrafos durante reunião da Associação Brasileira dos Amigos do Caminho – AACS-Brasil. Na ocasião, o Blog de Incentivo à Leitura ouviu a autora sobre uma obra.
 
Tatiana Fadel Rihan e Hélio Araújo, responsável por este Blog


Blog: Como surgiu a ideia de escrever o livro?
Tatiana: O livro aconteceu sem querer, assim como a ida ao Caminho de Santiago! Eu ouvi um chamado, literalmente, ao acordar um dia pela manhã. Ouvi uma voz que vinha de fora para dentro me dizendo: “Vá fazer o Caminho de Santiago”. Em três meses estava de mochila pronta. Um dia antes de embarcar fui conversar com a minha amiga Andrea, que entre nossos papos e assuntos, chamou-me de egoísta por não compartilhar minhas experiências e minha história de vida com as pessoas. Eu me arrepiei e caiu uma lágrima do meu olho esquerdo. Senti que talvez ali, naquele instante, a espiritualidade estivesse me dando uma dica, um sinal. Lembrei-me de quando tinha dado uma volta ao mundo, em 1988, e da vontade que tive de escrever um livro naquela época com o intuito de compartilhar aquela experiência que me parecia tão inusitada. Uma mulher sozinha dando uma volta ao mundo em um ano. Assim, nasceu Uma Viagem em um Bloco de Notas.

Na obra existe alguma mistura entre fatos e ficção? 
Não. O livro foi escrito no bloco de notas do meu iPhone simultâneo à minha peregrinação, a cada passo de muitas descobertas e magia. Todos os fatos narrados são reais, frutos do meu dia a dia no Caminho Encantado. Pode até parecer ficção, mas, acreditem, é real e foi uma experiência linda!

Você precisou compilar todos os seus registros, mas manter a subjetividade de um diário pessoal. Como foi o processo de escrita?
O livro em si é o próprio processo de escrita. Ele aconteceu assim mesmo, na forma que foi publicado. Sem edição! Os dez primeiros capítulos foram escritos dentro do avião, indo para a Espanha. Ali já começou um processo de catarse de mim mesma. Durante o Caminho eu ia experienciando e escrevendo como uma forma de descarregar as vivências, talvez até uma maneira a mais de assimilação dos processos. Tudo foi muito forte e intenso e o livro em si explica tudo isso.

Tatiana Fadel Rihan autografa sua obra
O livro traz um recurso interativo e divertido, os QR Codes. Quando você pensou em incluí-los e por quê?
Acredito que foi mais um presente da espiritualidade. Na volta do Caminho, ao comentar com um amigo que havia escrito um livro e queria publicá-lo, ele me deu a ideia de usar QR Codes. Ouvi, achei bacana, me lembrei dos vídeos despretensiosos que eu tinha e das músicas que cantava, assim como todas as fotos do dia a dia. Eu poderia recriar a minha jornada e fazer o leitor se sentir cada vez mais dentro dela. Confesso que ouvi e não tomei aquilo como certo. Até ele começar a falar usando as mesmas palavras da Andrea. Sem tirar nem por. Naquele momento eu tive certeza: o livro era uma realidade, estava escrito. Eu estava escutando realmente e aceitando aquele presente. Ele era meu. O meu presente!

De onde vem a inspiração para escrever, misturando espiritualidade, depoimentos e sentimentos?
Essa inspiração vem da alma, das experiências, da vida! Eu estava escrevendo para mim, transbordando meus pensamentos e processos internos e externos através de cada passo, mas eu não tinha muita noção de que estava realmente escrevendo um livro. Eu estava contando uma história para alguém, essa era a minha sensação. Escrevi o livro simultâneo à minha caminhada no meu Iphone, mas, na realidade, eu estava falando comigo mesma! Ao escrever, transbordei verdades e sentimentos, tive uma possibilidade maior de me enxergar usando todos os sentidos. Já ao ler compreendi, revivi, e entendi meus processos de cura. Meu livro me ajudou a voltar e também a colocar em prática tantos aprendizados. Eu sigo caminhando...

Quando você percebeu que havia recebido o chamado para fazer a peregrinação?
Eu estava um pouco distante da minha fé e comecei a rezar todas as noites pedindo intuição no sono. Um dia acordei pela manhã e ouvi uma voz que vinha de fora para dentro e ela me dizia: “Vá fazer o Caminho de Santiago de Compostela”. Assim aconteceu o chamado. A partir daí tudo era Caminho, foi incrível. Eu tinha dito um ano antes que jamais o faria. Três meses depois do chamado eu estava de mochila pronta dentro de um avião rumo ao Caminho Encantado.

O que de mais especial o Caminho de Santiago trouxe para sua vida?
Eu agradeço todos os dias. O Caminho me deu muitas coisas, eu aprendi a ouvir o silêncio e a conviver com o tempo. Aprendi a receber, me curei de dores, aprendi a ouvir meu corpo e a entender as minhas reais necessidades. Aprendi a andar leve. São tantos aprendizados. Mas acredito que o maior deles é o entendimento de quem sou, de como caminho e me relaciono com a vida, de compreender e de amar tudo isso, saber que sou humana, acerto e erro, mas sigo buscando o melhor de mim e do outro, no exercício do não julgar e, sim, de compreender!

Qual foi o maior desafio da peregrinação?
Ser um peregrino é abrir mão de muitas coisas. Cada caminho é um caminho e a jornada é de cada um! Tive muitos desafios lindos e lidar com cada um deles foi maravilhoso. Eu estava preparada fisicamente para a peregrinação de 815 km e nos primeiros 30 km não podia mais andar. Tive que lidar com muitas dores e aprender que existem muitas formas de se fazer uma peregrinação. Lidar com as dores dos meus joelhos foi um grande desafio, mas aprender a driblar a minha própria rigidez talvez tenha sido o desafio maior. Penso em voltar todos os dias!

Como é o sentimento de dividir esse processo de transformação num diário e compartilhá-lo com todo mundo?
Quando voltei e tive a certeza de realmente ter escrito um livro e da forma com que tudo ocorreu, sabia que tinha o dever de compartilhar. Eu não podia ser egoísta. Foi uma experiência forte e muito transformadora. Eu não conseguia falar sobre ela, mas talvez alguém realmente tivesse interesse em ler. Quem sabe minha experiência pudesse inspirar pessoas e até ajudá-las. Hoje sinto muita gratidão por ter acreditado neste processo todo. Tenho tido todos os tipos de mensagens de carinho e agradecimento. Estou realizada e feliz!

Como foi o processo de superação física para completar todo o caminho?
Minha intenção era realizar a peregrinação em 34 dias, mas em função dos meus problemas físicos acabei concluindo em 46, entre terapias e artimanhas. Foi doloroso, eu sofri muito. Teve muita superação neste processo. Eu sabia que precisava ir em frente. Eu vinha recebendo muito do caminho. Minhas dores foram meu maior processo de cura. Eu entrei nelas, conversei com elas, compreendi cada uma e cuidei delas. Encontrei formas diferentes de fazer o caminho, fiz uma boa parte andando de costas. Foi lindo. Minhas dores também me levaram a lugares onde sem elas talvez nunca tivesse chegado. Gratidão a cada passo!

O que mudou em você desde a publicação do livro?
O Caminho foi um instrumento de mudança, ele me abriu para um processo novo. A publicação do livro foi uma grande realização. Compartilhar minha linda jornada parecia um dever. Após a publicação o que mudou foi que consegui conversar sobre esse processo. Talvez muitas pessoas conhecidas conseguiram entender o porque do meu silêncio no retorno. Eu ainda digeria toda a experiência. O que mudou hoje? A certeza do dever de compartilhar, pois tenho recebido muito do universo e de meus leitores. Acredito sim que minha experiência de vida tem feito muita gente rir, chorar e repensar suas jornadas. Obrigada a todos pelo retorno, ao Caminho pelo chamado e a espiritualidade pela luz.  Bom Caminho!