sexta-feira, 18 de agosto de 2017

sábado, 12 de agosto de 2017

Globo Livros lança Dropz, obra que reúne 61 contos de Rita Lee


O livro traz histórias de temas variados escritas em prosa pela rainha do rock 
  
*por Guilherme Samora

Rita Lee é porreta. Uma escritora nata, uma poeta de coração cheio e uma contadora de histórias das maiores desse universo. Suas músicas - parte do imaginário coletivo - são histórias. Falam dela, da delícia – às vezes nem tanto – da loucura desse mundinho, de experiências, de amor. Histórias pelas quais ela passa ou que se passam em sua cabeça. E, no fim, quando a gente percebe, já se tornaram parte da vida de todo mundo.

O que a Globo Livros apresenta em Dropz são algumas histórias geniais escritas – dessa vez em prosa - pela rainha roqueira. E que só podiam sair daquela cabeça abençoada. São 61 contos. Ao ler, a gente já vai pensando: só pode ser coisa da Rita!

São tantos tipos... Um saci; uma menina que põe cabelo pela boca; uma casa bem-assombrada por três fantasmas impagáveis; a surpreendente história de um casal formado por uma setentona - que se vira nos procedimentos estéticos para parecer bem mais jovem - e de um jovem ator - que se vira nos mesmos procedimentos para ficar velhinho e provar o seu amor por ela (não darei mais spoilers. Mas digamos que as transformações não param por aí); uma gótica trevosa contra tudo e contra todos que se vendeu ao sistema; uma tattoo caveira consciente de tudo o que acontece à volta de “seu” braço; São Francisco; os que odeiam a segunda-feira e até um comitê que odeia a reforma ortográfica. Uma coisa é certa: você vai sair achando que poderia ser amigo de alguns deles. Quem sabe, até mesmo ser um deles!
Rita Lee assinou com a Globo Livros (Foto: Guilherme Samora)

A capa é um show à parte: assim como em sua autobiografia, um dos maiores sucessos editoriais do país, a criação também foi da roqueira. Para o Dropz, ela utilizou um autorretrato, pintado em 1997, presente dela para o marido, parceiro musical e pai de seus três filhos, Roberto de Carvalho. 

O jeito de escrever de Rita, as ideias, o ritmo e a verve formam um conjunto delicioso. E os tipos que ela experimenta nessas histórias contam tanto! Seja uma luz, algo engraçado, algo festivo, algo real. Essa é a beleza dos contos. A diversidade. Diverso como a vida, diverso como um pacote de drops. Ora azedinho, ora doce, melado, ora amargo. E quem conhece não se esquece: o Dropz de Rita é com Z.

*Guilherme Samora é jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee          

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Livro relata bastidores do acidente da TAM, considerado o maior da história da aviação brasileira


No próximo dia 15, o advogado Eduardo Lemos Barbosa lançará, no Rio de Janeiro, o livro A História Não Contada do Maior Acidente Aéreo da Aviação Brasileira, abordando, 10 anos depois, os bastidores da disputa judicial empreendida por parentes de parte das 199 vítimas da tragédia ocorrida em julho de 2007.  O lançamento da obra acontecerá na Livraria da Travessa, à Rua Voluntários da Pátria, 97, em Botafogo, a partir das 19h.

No início da noite de 17 de julho de 2007, um Airbus A-320, que fazia o voo JJ 3054 da TAM, não conseguiu pousar na pista principal do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Sob chuva, a aeronave ultrapassou os limites do aeroporto, atravessou a avenida Washington Luiz - chegando a tocar em um táxi durante o trajeto - e acabou se chocando contra um prédio da TAM Express. Uma explosão e um grande incêndio seguiram a colisão. Foi o mais grave acidente aéreo da história do país. Todos os passageiros do voo, que vinha de Porto Alegre, morreram, além de funcionários da TAM Express que estavam no prédio no momento da tragédia e pessoas que passavam pelo posto de gasolina ao lado.

No livro, além da sua própria de vida que foi diretamente alterada, Barbosa narra como a aviação comercial brasileira foi modificada, tornando-se mais exigente em várias questões, como mais segurança nas aeronaves e nas pistas dos aeroportos. A obra oferece ao leitor a oportunidade de conhecer como a ação jurídica foi criada e montada e, ao mesmo tempo, põe em evidência um aspecto muito importante da advocacia: a dimensão humana da profissão, cujo exercício conduziu o autor a lidar com dramas e conflitos.

O advogado dedica três capítulos, incluindo cases, para explicar os conceitos e as questões jurídicas envolvidas no acidente, inclusive, em relação à ação internacional; os desdobramentos peculiares de cada caso; e a importância da Afavitam (Associação das Famílias Vítimas do Voo da TAM), inédita no mundo, e cujo maior objetivo foi transformar luto em luta a favor dos direitos, em todos os aspectos, dos familiares e amigos das 199 vítimas do acidente.

Sobre o autor
Eduardo Lemos Barbosa é Membro da Escola Nacional de Advocacia (ENA), Diretor da Escola Superior de Advocacia (ESA) da OAB/RS, Conselheiro Estadual da OAB/RS, Diretor do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), Professor da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), Professor da ESA da OAB/RS, Pósgraduado em Direito de Família, autor de diversos livros e artigos jurídicos e palestrante sobre os temas: acidente da TAM, indenizações, responsabilidade civil por acidente aéreo, dano moral na justiça brasileira e Common Law.

O advogado Eduardo Lemos Barbosa (Divulgação)

Ficha Técnica:
Lançamento do livro A História Não Contada do Maior Acidente Aéreo da Aviação Brasileira
Autor: Eduardo Lemos Barbosa
Local: Livraria da Travessa (Rua Voluntários da Pátria, 97, em Botafogo)
Horário: A partir das 19h
Preço: R$ 39,00

Editora: Manole

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Livro de Alberto Léo, sobre a história do jornalismo esportivo na TV, será lançado nesta sexta-feira no Rio de Janeiro


Jornalista, falecido no ano passado, sonhava em ter sua obra publicada

O livro História do Jornalismo Esportivo na TV Brasileira será lançado nesta sexta-feira (4), a partir das 19h, na Livraria da Travessa, na Rua Visconde de Pirajá, 572, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. A publicação foi o último registro do trabalho do jornalista Alberto Léo, morto em junho do ano passado, aos 65 anos, vítima de um câncer.


Alberto Léo, conhecido pela sua excelente memória, trabalhou nos últimos anos de sua vida na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), conduzindo o programa "Mundo da Bola", exibido pela TV Brasil. O jornalista, torcedor do Fluminense, já planejava a publicação deste livro quando perdeu a luta para a doença. Aos amigos, no entanto, Alberto Léo tinha manifestado o desejo de ver seu livro publicado, e é este sonho que a Maquinária Editora realiza com o lançamento de História do Jornalismo Esportivo na TV Brasileira. 

O desejo de Alberto Léo será realizado (Foto: Ana Paula Migliari - TV Brasil)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

PC Guimarães lança biografia do jornalista Sandro Moreyra


Jornalista, professor, escritor e fervoroso torcedor do Botafogo, Paulo Cezar Guimarães (o PC Guimarães) lança, no próximo dia 22, a partir das 19h, no Salão Nobre do Botafogo Futebol e Regatas (Av. Venceslau Braz, 72, em Botafogo), o livro SANDRO MOREYRA: Um autor à procura de um personagem, com o selo da Gryphus Editora e apoio cultural da Casa Carandaí.


 Trata-se de uma biografia sobre Sandro Moreyra - jornalista, que viveu a história do futebol nas décadas de 50, 60, 70 e 80, e muito conhecido pelas suas tiradas de humor, como diz Ruy Castro na introdução: "Sandro era um humorista do futebol. Na carteira de trabalho, era repórter, mas seu senso de humor prevalecia sobre a notícia. Sabia de tudo que se passava no Botafogo e nos outros clubes, mas preferia inventar, desde que pudesse fazer rir. Seu personagem do coração era Garrincha, sobre quem inventou as histórias que as pessoas repetiam como se fossem verdadeiras (uma delas, a de que Garrincha chamava os adversários de "João").

Para dar um ar de autenticidade aos relatos, Sandro os contava primeiro para alguns colegas, como se estivesse passando uma notícia em primeira mão. Fez isso, por exemplo, com Mario Filho, que recheou com elas seu livro Copa do Mundo 1962. Como amigo íntimo de Garrincha, Sandro criou a imagem do "passarinho" ingênuo e foi decisivo para encobrir suas trapalhadas com o álcool e as mulheres - muitas vezes o enfiou no chuveiro de sua casa, tentando curá-lo do porre a minutos de um treino no Botafogo.

PC Guimarães e sua mais recente obra literária
Quando Garrincha começou a decair, Sandro continuou a inventar histórias, só que com um novo personagem: Manga, goleiro do mesmo Botafogo. Mas foi dos poucos que seguiram Garrincha até o fim. Filho de Eugênia e Álvaro Moreyra, duas grandes figuras da cultura brasileira na primeira metade do século, Sandro era hábil com as palavras - seu livro, Histórias de Sandro Moreyra, é um clássico do humor. Na Copa de 1966, em Londres (a primeira a que muitos brasileiros compareceram, pagando a viagem a prestações), um torcedor viu-o à saída do estádio, logo depois da eliminação do Brasil diante de Portugal, e perguntou chorando: "E agora, Sandro???." Ele respondeu: "Agora você tem 25 meses para pagar."  Mas sua melhor frase foi a que pronunciou no mesmo Castelinho, quando um amigo, ao ver que eram duas da tarde de um dia útil, convidou-o a irem embora da praia. Sandro respondeu: "Não posso. Ainda tenho muito que lazer".

Sandro Moreyra era um contador de histórias. E um grande personagem ele mesmo. Jornalista, custou a encontrar o seu lugar na redação moderna, séria e inteligente do Jornal do Brasil, onde trabalhou por mais de 30 anos. Não que ele não fosse moderno, sério e inteligente. Não mesmo. Sandro Moreyra tinha todas essas qualidades à sua maneira. Moderno no falar, no escrever, no vestir-se, a ponto de causar inveja nos jovens colegas que o viam chegar, no fim da tarde, com a pele morena de um garotão de praia. Sério, também era, desde que não estivesse contando uma de suas piadas ou narrando uma de suas, como ela as chamava, "historinhas." Inteligente? Demais. Sobretudo nas posições assumidas diante de suas paixões: o futebol, a música, a política, a vida.

Sandro Moreyra tinha uma tal sede de viver que, quando de sua morte, quase aos 70, os amigos choraram como se tivessem perdido um camarada de 20. Com a ausência dele, a redação ficou definitivamente menos jovem, mais sem graça. Numa palavra, chata. Tudo porque, ao vivo e em cores, Sandro Moreyra tinha muito do humor que passava adiante. Boa parte P.C. Guimarães teve a sensibilidade e a sabedoria de incluir nas páginas deste livro. Com isso, o autor conta uma grande história: a do jornalista Sandro Moreyra; pelas historinhas de quem sabia contá-las: as do cronista Sandro Moreyra. Daí o jornal e seus editores terem perdido tanto tempo até descobrirem que o melhor Sandro Moreyra não era o repórter apaixonado que cobria o Botafogo, mas o que, documentando ou fabulando, reportando ou inventando, nos fez sorrir com os feitos e os não-feitos dos deuses e heróis da incrível mitologia do futebol. 

Box especial lembra os 75 anos de ataque nazista ao Brasil


Há exatos 75 anos, o Brasil declarava guerra à Alemanha nazista e à Itália fascista. A decisão do presidente Getúlio Vargas foi tomada depois da carnificina levada a cabo pelo submarino alemão U-507, que – entre os dias 15 e 17 de agosto de 1942 – afundou cinco embarcações nacionais na costa do Nordeste, causando a morte de 607 brasileiros.


O episódio, que resultou em uma intensa revolta popular e deu início à perseguição aos imigrantes de origem e alemã e italiana em todo o país, é narrado em detalhes no livro U-507 – O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial, que acaba de ser relançado pela Editora Besouro Box, na caixa especial "Submarinos".

Além do "U-507", também integra o box o livro U-93 – A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial. Em outubro próximo, completa-se um século do ingresso do país na chamada Grande Guerra, ocorrido em 1917.


U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial
Prefácio: João Barone, músico, escritor e aficionado por guerras
Lançamento: 2014 - Páginas: 320
Sinopse: a obra conta o processo que levou ao envolvimento do Brasil na Grande Guerra, em 1917, três anos após o começo do conflito. O incidente que obrigou o então presidente Wenceslau Escobar a declarar beligerância à Alemanha foi o afundamento do navio Macau, com o sequestro do comandante, Saturnino Furtado de Mendonça, e do taifeiro, Arlindo Dias dos Santos, que nunca mais foram vistos. À época, o desaparecimento dos marinheiros brasileiros gerou grande revolta popular contra os imigrantes germânicos em todo o país.



U-507 - O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial
Prefácio: Luis Fernando Veríssimo, escritor, cronista e músico
Lançamento: 2012 - Páginas: 284
Sinopse: entre os dias 15 e 17 de agosto de 1942, o submarino alemão U-507 torpedeou cinco navios brasileiros na costa nordestina, entre Sergipe e Bahia, deixando um total de 607 mortos. O Brasil, que até então se declarava neutro, de repente se viu obrigado a abandonar a posição de não beligerante. Diante da revolta da população, que saiu às ruas em protesto, depredando estabelecimentos pertencentes a imigrantes alemães, italianos e japoneses, o presidente Getúlio Vargas declarou guerra ao Eixo poucos dias depois.

O autor
Formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1996, Marcelo Monteiro tem 24 anos de carreira como jornalista. Começou em 1993, como editor de Esportes do jornal A Razão. No currículo, inclui passagens e colaborações em veículos como Zero Hora, Gazeta Mercantil, Placar, Diário Catarinense, Fut!, Hoje em Dia, Brasil Sustentável, Diário de S.Paulo e Correio Braziliense. Atualmente, é editor no jornal Zero Hora, em Porto Alegre.

O jornalista e escritor Marcelo Monteiro (Foto: Ivaldo Cavalcante - Divulgação)

Lançamento de obras de dois escritores gaúchos movimentam a noite do Rio de Janeiro


Os gaúchos Kleiton Ramil e Luiz Horácio, promovem na próxima segunda-feira, dia 7 de agosto, uma sessão de autógrafo dos livros Kyoto e Beatriz - Viver é por enquantoO evento será na Livraria da Travessa de Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 97), das 19 às 22h.


Kyoto

Kyoto, obra publicada pela Editora Inverso, é o oitavo livro e primeiro romance de Kleiton Ramil, conhecido músico gaúcho que, juntamente com o irmão, forma a dupla Kleiton e Kledir. A narrativa conta a história de amor entre Murano, um brasileiro, nascido no sul, em uma cidade fronteiriça com o Uruguai e Naomi, uma japonesa, filha de Akio, um homem rico e poderoso cujo passado é misterioso e controverso. Akio, ao saber do envolvimento da filha com o jovem da fronteira, leva Naomi de volta ao Japão e a deixa afastada da sociedade nos arredores de Kyoto.

Murano mora no Rio de Janeiro e é um profissional da música que já começa a deslanchar com sucesso a carreira, o que poderia ser um fator positivo para os planos do casal. Mas os planos de Akio para a filha são outros. Ele prefere vê-la casada com alguém que se destaca na sociedade e não com um músico qualquer.

Contrariando os planos de Akio, a separação do casal acontece apenas fisicamente. A atração entre os dois revela-se mais forte que tudo e, sem planejarem, depois de um tempo, Murano e Naomi resolvem enfrentar a circunstância funesta imposta pelo pai da moça, a com esperança de um dia se reencontrarem.

Naomi, por meio de um plano perspicaz e com a ajuda de amigos, consegue sair da prisão de luxo que seu pai a mantém em cativeiro. Murano, por sua vez, assistido por fieis companheiros e Dona Ester, uma senhora judia, decide ir ao encontro da amada. Quando tudo parece correr bem, invertem-se as posições geográficas dos dois. Murano vai até o Japão atrás de Naomi e ela consegue finalmente escapar do cerco paterno...

“Nem tudo são flores nas histórias de amor”, diz o escritor Luiz Horácio em seu texto de apresentação, e completa: “Idas, vindas, encontros e desencontros, sutil mistura de gêneros literários, tecidos com a sensibilidade de Kleiton Ramil. Kyoto é a comprovação que o delicado também pode ser forte. Muito forte”.

Em poucas linhas o autor sintetiza sua obra da seguinte maneira: “Kyoto é um romance pontuado por situações misteriosas, instigantes, reflexivas, dinâmicas, violentas, eróticas e, claro, românticas. A Lemniscata que dá nome a um dos capítulos - símbolo do infinito - indica de forma subliminar o trajeto que lembra seu formato: o afastamento inicial dos amantes, o longo percurso em direções opostas, a reaproximação quando se cruzam sem se perceberem, o novo percurso em direções opostas para finalmente chegarem ao destino que lhes é reservado, abraçados pelos bambuzais mágicos de Kyoto”.

 BEATRIZ, viver é por enquanto


Quem está com Beatriz?  Esta a primeira frase de uma personagem em BEATRIZ, viver é por enquanto, a mais recente produção de Luíz Horácio e novamente sob o cuidado da editora InVerso. Como em outras histórias deste autor tudo tem início no núcleo familiar, no caso de BEATRIZ o começo não é nada otimista. Na abertura da narrativa alguém descreve o ambiente de uma casa onde está em curso um velório. É nesse cenário que Beatriz engatinhava, esquecida, a morte também deixa em segundo plano as crianças que apenas engatinham. O observador daquelas tristes cenas que jamais se apagaram em sua memória, num futuro distante buscará alguém para contar a história daquela menina. Ele encontra o escritor Luíz Horácio, membro daquela família.

Com BEATRIZ, viver é por enquanto, Luíz Horácio reafirma sua fidelidade ao gênero autoficção, iniciada, na editora inVerso com os títulos Doralina, uma tardia declaração de amor, e THELMA. Em todos seus livros este autor sempre entremeou acontecimentos de sua vida real com a ficção. O percentual de cada, apenas ele conhece.

A história de BEATRIZ começa na cidade de Rosário do Sul, logo se estenderá a outro cenário, também bastante presente na obra deste autor, o Rio de Janeiro, e se permitirá voos mais longos, alcançando a França. É uma história sobre uma família, sobre o amor, pela primeira vez Luíz Horácio aborda o universo LGBT, vale ressaltar que com delicadeza e sem proselitismos.

Alguns mistérios envolvem BEATRIZ, quem são seus pais, por que ela saiu do país? O escritor que recebeu a incumbência de contar a história da menina órfã, (órfã??) não está imune às emoções. Obcecado por um amor anormal (sim, isso mesmo, o amor sempre exige pitadas de inusitado, de espanto) e na impossibilidade de vivê-lo, prefere a reclusão e o mundo do papel. Mas será sempre assim? Talvez não. Luíz Horácio está em permanente contato com suas origens, a estância onde vive seu pai, onde estão enterradas pessoas da família, onde, parece, jamais será enterrada Perciliana, onde vive a transcendental Manoela e alguns personagens fantásticos.
Esta é a história de BEATRIZ, sem deixar de ser também a história de Eduarda, de Manoela, de Perciliana, de Luíz Horácio, de...

Mas por que BEATRIZ deixou o Brasil? Quem é Christine? O que Eduarda viu em Christine que quase a levou a se apaí....? Conforme Paulo Happen em instigante texto da orelha do livro: “Quando alguém se mostra verdadeiro, só nos resta também ser verdadeiros. Dá vontade de escrever com facilidade. Dá vontade de aprender a sintonizar a facilidade da escrita de Luíz Horácio. Não é nada secreto. Basta gostar de fazer amigos. Basta gostar de escrever.”


segunda-feira, 31 de julho de 2017

O último dia da Flip: representatividade negra e poder da fabulação


Na primeira mesa do domingo (30/07), as escritoras Ana Miranda e Maria Valéria Rezende ocuparam o palco do Auditório da Praça e contaram como se aproximaram do universo da escrita, relembraram passagens marcantes da infância e sobre o fato de também escreverem para o público infantojuvenil. As autoras falaram também sobre o poder da fabulação nos livros destinados às crianças.

O público prestigiou as diversas atividades da 15ª edição da Flip
A mesa "Amadas" reuniu as escritoras negras Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves, que falaram de representatividade, mitos religiosos e produção literária. Mestre e doutora em literatura, Conceição pontuou: "Quero escrever um texto que se aproxime o máximo possível de uma linguagem oralizada, aproximá-lo da língua viva do cotidiano".

Encerrando a 15a Festa Literária Internacional de Paraty, a já estabelecida "Mesa de Cabeceira" reuniu autores que participaram de conversas no decorrer da semana, apresentados pela presidente da Flip, Liz Calder. Alberto Mussi, Ana Miranda, Djaimilia Pereira de Almeida, Patrick Deville, Paul Beatty, Scholastique Mukasonga e William Finnegan. Os escritores foram convidados a fazer leitura de trechos de seus livros favoritos.

A 15ª edição da Flip terminou com literatura e celebração coletiva, espírito que permeou os cinco dias de festa.

A escrevivência de Conceição Evaristo e a visibilidade negra na literatura

“Quando o negro se sente representado em um festival, quebra o estereótipo de que negro não lê, não comparece a eventos literários”: assim começou Conceição Evaristo – premiada escritora, vencedora de um Jabuti, além de mestre e doutora em literatura e um dos principais nomes da memória negra brasileira. Intitulada “Amadas”, a mesa trouxe ao palco da Flip uma conversa entre Conceição e a também escritora Ana Maria Gonçalves, que dá palestras sobre a questão racial, tema principal da conversa no Auditório da Matriz, na penúltima mesa da 15ª edição.

As escritoras Conceição Evaristo, vencedora de um Jabuti, e Ana Maria Gonçalves
Conceição falou da importância de escritoras negras ocuparem mais e mais espaços de visibilidade, e disse que a conquista resulta de uma força coletiva, especialmente das mulheres. Comentou a forma como os negros são retratados na literatura - de “maneira rasa” - e sobre como as mulheres negras não possuem “fecundidade” nos livros. Ao explicar seu ponto, Conceição comentou que, na mitologia cristã, Eva é a mulher que representa a perdição da humanidade, enquanto Nossa Senhora simboliza a salvação, dada por meio da maternidade. “Se nós vivemos sob a orientação desse mito, me pergunto se a negação da mulher negra fecundante na literatura brasileira não é uma negação das matrizes africanas em nossa nacionalidade”.

Conceição recorreu a mais um simbolismo religioso para contextualizar questões de silenciamento do povo negro. Devota de Anastácia, cultuada como santa nas religiões afro-brasileiras, explica a imagem da negra escrava amordaçada. “Aquela máscara de Anastácia simboliza o silêncio. Mas acho que reverbera em grito. Nós, o povo dominado, aprendemos a falar por trás da máscara, e estilhaçamos a máscara. A grande simbologia disso é estar aqui rompendo ela, na Flip.” A escritora fez um agradecimento especial à curadora, Joselia Aguiar, por sua sensibilidade em trazer a temática negra para o centro do debate.

Atravessada por falas de afeto e resistência, Ana Maria perguntou a Conceição como amar em tempos tão difíceis, especialmente para os negros. “Tem um projeto histórico de nos apartarmos uns dos outros. […] Os laços afetivos nos permitem sobreviver nessa sociedade. Amamos e nos damos, nos damos e amamos”.
Em dado momento, pontuou a dificuldade das mulheres negras em publicar livros. “Nunca nos dão a competência da arte literária. Há um imaginário de que dançamos, cozinhamos, cuidamos bem de uma casa. Somos sim capazes de lavar, de passar, mas também de dar aula, de exercer a medicina, de sermos políticas, de sermos professoras, de sermos escritoras”, ressaltou ela, que inclusive trabalhou como educadora no bairro do Caju (RJ), na década de 1970.
Termo criado por Conceição, escrevivências define a escrita marcada por suas experiências como mulher negra. E acrescentou: "Quero escrever um texto que se aproxime o máximo possível de uma linguagem oralizada, aproximá-lo da língua viva do cotidiano".
Por fim, falou de suas referências literárias e musicais, citou Nina Simone, Elza Soares, Angela Davis e Carolina Maria de Jesus, conhecida sobretudo por Quarto de despejo. Conceição associou Carolina a Lima Barreto e relatou que a crítica lê a obra da autora principalmente pelo viés da pobreza e da exclusão. “Isso é esvaziar sua humanidade, suas angústias, para além da pele e da carência material das mulheres negras. Carolina me lembra muito Lima Barreto, aquela tristeza e a certeza de sua potencialidade, que não conseguia ser valorizada. Não tiveram o lugar que era deles”.


"Livro de cabeceira" reúne os autores participantes da Flip

Encerrando a 15a Festa Literária Internacional de Paraty, a já estabelecida Mesa de Cabeceira reuniu autores que participaram de conversas no decorrer da semana, apresentados pela presidente da Flip, Liz Calder. Alberto Mussi, Ana Miranda, Djaimilia Pereira de Almeida, Patrick Deville, Paul Beatty, Scholastique Mukasonga e William Finnegan. Os escritores são convidados a fazer leitura de seus livros favoritos.

Os autores da Flip durante a leitura do "Livro de Cabeceira"
Alberto abriu a sessão, dada em ordem alfabética, e fez uma introdução à obra que escolheu: “É um dos livros mais importantes da literatura brasileira, escrita por um indígena mestiço, em tupi guarani”. Relembrou que o Brasil possui mais de 200 línguas indígenas não inseridas na cultura nacional. Leu então um extrato de A lenda de Jurupari, de Ermanno Stradelli e Maximiano José Roberto.

Ana Miranda escolheu ler jovens autores de sua terra natal, o Ceará, e fez reverberar no Auditório as vozes de Tercia Montenegro, em extrato de Turismo para Cegos; Jayson Viana Aguiar, autor de O vermelho do céu; e Pedro Salgueiro, por meio de trecho de Limites.

O capítulo “Um coração simples”, de Três contos, do francês Gustave Flaubert, foi lido por Djaimilia Pereira de Almeida. “Ando sempre com este livro. Acho um prodígio absoluto que, em quarenta páginas, se possa viver a vida inteira de uma mulher”.


Patrick Deville leu as duas primeiras páginas de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. Na sequência, Paul Beatty fez a leitura do início de O homem que era quinta-feira, de GK Chesterton. Scholastique Mukasonga escolheu Olivier, de Jérôme Garcin, enquanto William Finnegan recitou versos de dois poetas, Wallace Stevens e Hart Crane, de Treze maneiras de olhar para um merlo e Viagem I e II, respectivamente. Chamada em inglês de “Desert Island Books” [Livros para ilhas desertas, em tradução livre], o título chamou atenção de William: “Tive que rir quando vi o tema desta sessão, porque, de forma inexplicável, passei grande parte da minha vida em ilhas desertas, esperando por uma boa onda para surfar. Estar sem livro enquanto você espera é terrível. Então tive muito tempo para pensar qual livro gostaria de ter comigo”, dividiu com a plateia.  

Fotos: Walter Cordeiro / Divulgação


domingo, 30 de julho de 2017

Penúltimo dia da 15ª Flip: a escrita para o futuro, resistência pela palavra e mitologia


Uma conversa sobre o poder formador da literatura infantil e a urgência de investir em educação abriu o sábado, penúltimo dia da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty. Os poetas e professores Edimilson de Almeida Pereira e Prisca Agustoni participaram da mesa "Ler o mundo", parte da programação do Território Flip/Flipinha, apresentada no Auditório da Praça. Edimilson pontuou as dificuldades do acesso ao livro num país desigual como o Brasil: "Lamentavelmente, as dificuldades do ensino público fazem com que os alunos não consigam ser leitores. Tem antes que comer, chegar à escola. Existe uma vasta camada de excluídos. Nosso esforço é, portanto, ainda maior, nosso compromisso com uma literatura honesta vai na direção de incluir esse campo de leitores à nossa esfera social. A literatura infantil é um dos núcleos instituintes da leitura no Brasil."

Os poetas e professores Edimilson de Almeida Pereira e Prisca Agustoni

Já no Auditório da Matriz, o historiador João José Reis e Ana Miranda, autora de romances históricos e biografias, falaram sobre as fronteiras entre realidade e ficção no processo de recontar a história do Brasil e de seus personagens emblemáticos. "O que era ficção e o que era realidade não era claro para mim. Durante muitos anos eu tive pesadelos, pensava se podia tratar a realidade assim. Eu vivia numa espécie de limbo", contou Ana, que assina "Xica da Silva - A cinderela negra". João, referência internacional em estudos sobre a escravidão, ressaltou a importância de inserir estudos africanos no currículo do ensino de base e criticou a reforma trabalhista empreendida pelo atual governo. "Há um massacre aos índios, aos trabalhadores sem terra [...] Não é ficção. Esqueçam a ficção. O que estamos vivendo está muito bem documentado, inclusive para os historiadores do futuro."

Ana Miranda e João José Reis
A poeta Adelaide Ivánova fez uma participação contundente na série "Fruto Estranho", que abriu a mesa "Kanguei no maiki - Peguei no microfone". A pernambucana leu texto de sua autoria, uma costura asfixiante de histórias de feminicídio, tanto recentes quanto egressas da ditadura militar. Os autores convidados da mesa, Maria Valéria Rezende e Luaty Beirão, são também ativistas e resistiram - por meio da palavra - a experiências de encarceramento e a regimes autoritários. "Na prisão não temos com quem conversar, a escrita era meu desabafo", relatou o autor angolano.

Na contramão da autoficção, um gênero tão já tão característico da contemporaneidade, o islandês Sjón e o carioca Alberto Mussa traçaram uma ponte entre o Rio e Reykjavík na mesa "Mar de histórias". O autor nórdico pontuou que nunca sentiu necessidade de contar a própria história: "É possível ser bastante autobiográfico sem falar de si mesmo no texto [...] A máscara fala mais de uma pessoa do que o rosto que está por trás dela". Em comum, os dois autores carregam também a grande importância que atribuem à mitologia – via tradição oral nórdica no caso de Sjón, e Mussa, por meio da matriz afro-brasileira.

À noite, o Auditório da Matriz foi palco do encontro entre a jornalista argentina Leila Guerriero e o escritor francês Patrick Deville, sob mediação do editor Paulo Roberto Pires. Criação, partitura, realidade e ficção pautaram o debate durante a mesa "Trótski nos trópicos". Aficionada como é por contar a realidade, Leila diz ver na forma e na estrutura das frases possibilidades de criação, de subjetividade. "A gente se submete a cada coisa...tem que lutar contra o cansaço físico e o tédio", afirmou a jornalista, sobre a sua profissão. André Vallias abriu a mesa, como parte da série "Frutos estranho", com a videoarte "Moteto", combinando sons e imagens de textos de Lima Barreto a vinte pseudônimos do Autor Homenageado.


Marlon James, Paul Beatty e o mediador Ángel Gurría
encerramento da noite ficou por conta dos colecionadores de prêmios Marlon James, jamaicano radicado em Minnesota, e Paul Beatty, californiano residente em Nova York, com um debate especialmente frutífero. Juntos no Auditório da Matriz, os dois autores negros percorreram influências musicais, televisivas e literárias – de Led Zeppelin a Gay Talese, de Os Batutinhas a Mark Twain – para traçar um panorama dos dias atuais, incluindo-se aí a questão racial. "As pessoas me perguntam: alguém não negro poderia ter escrito seu livro? E eu respondo: nenhum outro ser humano poderia ter escrito meu livro", arrematou Paul, vencedor do Man Booker Prize - mesma honra concedida a Marlon.

Fotos: Divulgação  Flip


sábado, 29 de julho de 2017

Depoimentos sobre racismo emocionam visitantes e palestrantes no terceiro dia da 15ª Flip


A professora Diva Guimarães foi muito aplaudida pelo público da Flip
A 15ª edição da Flip teve uma manhã de sexta-feira catártica: na mesa "A Pele que Habito", com o ator Lázaro Ramos e a jornalista Joana Gorjão Henriques, discutiu-se racismo, exclusão e liberdade. A conversa trouxe à tona um depoimento emocionante de Diva Guimarães, 77 anos. A professora aposentada, que estava na plateia, relembrou passagens da sua infância por cerca de dez minutos - sua mãe lavava roupas em troca de caderno e lápis para que ela pudesse estudar. Quando menina, morava em Curitiba e ouvia histórias absurdas contadas por freiras do colégio para "justificar" as "diferenças" entre negros e brancos. Saídas em voz engasgada, as palavras de Diva comoveram o público e os autores convidados. "Quer matar a gente do coração, professora?", disse Lázaro.

Lázaro Ramos se emocionou com as palavras da professora Diva Guimarães
Duas mesas sobre Lima Barreto, o Autor Homenageado, compuseram a programação do terceiro dia da Flip. A linguagem inovadora do escritor e o fato de sua literatura ser voltada para os oprimidos foram temas essenciais da mesa "Moderno antes dos modernistas", com Antonio Arnoni Prado (um dos pioneiros nos estudos sobre o Lima, já na década de 1970) e Luciana Hidalgo (jornalista e escritora, também estudiosa da obra do autor). Luciana elucidou que Lima "usou a língua do dominador para falar dos dominados" e Antonio pontuou que ele queria "que a literatura servisse para a união das pessoas".

Os pesquisadores Luiz Antonio Simas e Beatriz Resende estiveram na outra conversa dedicada a pensar a obra do Autor Homenageado. Na mesa "Subúrbio", a terceira do dia, falaram sobre as margens da antiga capital federal, bairros para os quais, como apontou Simas, "o Cristo Redentor fica de costas". Para Beatriz, o escritor foi o primeiro a incluir essa dimensão da cidade na literatura brasileira. No início do encontro, a poeta Prisca Agustoni declamou poemas em diferentes idiomas, como parte da série "Fruto Estranho".

Na tarde de sexta-feira, Pilar del Río dividiu o palco do Auditório da Matriz com o mediador Alexandre Vidal Porto. A jornalista espanhola, presidente da Fundação José Saramago — e companheira do escritor até a morte dele, em 2010 — falou de direitos humanos, feminismo, da vida ao lado do marido, de militância política e de sua infância. Já de início afirmou que, desde pequena, sentiu presente o sexismo. "A mulher estava submetida ao homem, minha mãe não podia viajar sem autorização do meu pai", algo só alterado na Constituição espanhola de 1978. Pilar falou sobre como as mulheres hoje já não estão submetidas ao patriarcado, mas que muitas ainda sofrem violência doméstica e que por isso não podemos silenciar.

Pilar del Rio
A noite começou eletrizante com a intervenção do poeta Ricardo Aleixo no "Fruto Estranho", antes do encontro entre a escritora chilena Diamela Eltit e o documentarista Carlos Nader. Aleixo encenou um misto de dança, rito e declamação e fez ouvir: "A vida como um anti-boi de Parintins. Porque nada é caprichoso. Nada é garantido". Enquanto a autora chilena falou sobre literatura, militância feminista e democracia, o documentarista relembrou a produção de seus filmes sobre Waly Salomão, Leonilson, entre outros.


A sexta-feira se encerrou no Auditório da Matriz com um rico diálogo entre os escritores William Finnegan e Deborah Levy, na mesa "Por que escrevo". Ambos comentaram os efeitos do apartheid em suas obras - Deborah é sul-africana, e William foi professor de uma comunidade de crianças negras durante o regime de segregação.