Sessão
de autógrafos acontece na quinta-feira, dia 9, das 18 às 21h, no Auditório da
Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia
Sobre em “TEMPOS MODERNOS – O Rio
metrópole, a Exposição de 1922 e a incrível história do Palácio que desapareceu
durante a Ditadura Militar”, o historiador João
Daniel Almeida comenta no texto de apresentação que “o protagonista é o
Palácio, e sua trajetória é esmiuçada deliciosamente desde muito antes de sua
construção, quando ainda era uma ideia. Uma ideia de modernidade neta das
Exposições Universais”. E completa dizendo: “Carlos Eduardo Drummond reconstrói
a história das Exposições Universais — cada uma delas — desde 1851, em Londres,
até 1922, no Rio de Janeiro. Isso tudo sem deixar de lembrar que, concomitantes
às exposições, ocorriam até olimpíadas”. Em 12 capítulos (mais um Prólogo e um
Epílogo), o livro percorre um arco de tempo partindo da aquisição do território
da Louisiana — comprado pelos EUA da França, em 1803 — e vai até a polêmica
demolição do Palácio Monroe, em 1976, lançando luz em muitos eventos
históricos entre uma ponta e outra, no Brasil e no mundo.
Em sua pesquisa, o autor
percebeu que não daria para contar a história do Palácio Monroe sem voltar no
tempo para explicar a origem das Exposições Universais, grandes vitrines da
modernidade que vinham sendo montadas na Europa e nos EUA, numa época em que o
Brasil ainda não tinha se convertido em República, tampouco abolido totalmente
a escravidão em seu território. A existência do Palácio Monroe se insere nesse
contexto, pois sua primeira versão serviu de Pavilhão Oficial do Brasil na
Exposição Universal de Saint Louis (EUA), em celebração ao centenário da compra
do território da Lousiana, onde recebeu um prêmio.
Remontado no Rio de
Janeiro no início do século XX, em pleno processo de modernização da cidade,
com as obras da grande reforma urbana do Prefeito Pereira Passos em andamento,
o Pavilhão Brasileiro finalmente ganhou seu nome definitivo em homenagem ao
presidente americano James Monroe, idealizador da famosa doutrina “A América
para os americanos”.
Cientes do atraso em
relação às nações mais desenvolvidas, os governantes da época desejavam apagar
a imagem colonial do país com ações que visavam propagar uma imagem moderna do
país. Depois de realizar uma Exposição de âmbito nacional em 1908, no Rio de
Janeiro, na qual o Brasil ganhou experiência no tema, o país se rendeu aos
apelos de vários setores da sociedade para realização de uma Exposição
Internacional em celebração ao Centenário da Independência. Inaugurada em
setembro de 1922, essa Exposição teve o Palácio Monroe como Bureau Oficial
de Informações e cartão de visitas para entrada de visitantes no setor
Internacional.
Até chegar a esse
momento, no entanto, outras ações do governo foram executadas como
pré-condições necessárias à montagem da grande Exposição. Assim, o arrasamento
do Morro do Castelo, por exemplo, outra obra polêmica executada naquele
período, também é abordada em detalhes pelo autor, pois é fundamental para
entender o pensamento político da época e os desdobramentos que permitiram a
montagem da própria Exposição.
Como é contado em “TEMPOS MODERNOS
– O Rio metrópole, a Exposição de 1922 e a incrível história do Palácio que
desapareceu durante a Ditadura Militar”, a maioria das construções
citadas foi demolida. Até mesmo o Palácio Monroe, com todo peso histórico de
ser um prédio premiado no exterior – em sua primeira versão -, e servindo ao
país de várias formas, não foi poupado. Essa é, sem dúvida, a demolição mais
polêmica e a que até hoje deixa muita gente inconformada. “Drummond não
tem nome de poeta à toa. Ele resgata a sublime poesia da história imortal de um
palácio que morreu”, lembra o historiador João Daniel Almeida no texto de
apresentação. A demolição aconteceu durante a Ditatura Militar, no Governo
Geisel, que teve participação importante na decisão.
![]() |
Carlos Eduardo Drummond |
A ideia de escrever o livro:
Carlos Eduardo Drummond,
também autor do sucesso CAETANO – uma biografia (Seoman,
2017), relata que a ideia do livro nasceu em 2007, quando cursava uma
Pós-Graduação em Relações Internacionais. O primeiro ímpeto foi escrever um
livro sobre o Barão do Rio Branco, depois de assistir às aulas de História do
Professor e Historiador João Daniel Almeida. Contudo, anos depois essa ideia
foi abandonada e, no lugar dela, cresceu o desejo de pesquisar sobre o período
fascinante abordado no livro, que inclui a tradição de montar grandes
exposições, egressa do período industrial europeu e norte-americano, além da
própria experiência brasileira de 1922 e, sobretudo, a indigesta demolição do
Palácio Monroe, revela o autor.
Ele conta que sempre se
encantou pelo universo das grandes exposições. Ao mesmo tempo, se junta ao coro
daqueles que não se conformam com a demolição do Palácio Monroe. Abordar tudo
no mesmo contexto, com uma clara correlação entre os temas relacionados, é um
dos grandes méritos do livro, pensa o autor. Especialmente o caso do Monroe é
um tema que precisa ser lembrado de forma permanente. E vai além. Mais do que ser
lembrado, o erro pela demolição do Palácio precisa ser reparado. Gerações vêm
sendo privadas desse bem público de imenso valor histórico e ninguém até hoje
realizou qualquer compensação. Em algum momento, esse Palácio precisa ser
reconstruído, sonha o autor.
O esforço da pesquisa:
A investigação exigiu do
autor rastrear documentos raros em instituições de pesquisa e memória, no
Brasil e no exterior. Uma representante do Bureau International des
Expositions (Paris – França) e o Presidente da 1904 World’s
Fair Society (Saint Louis – EUA) foram alguns colaboradores
importantes. Além desses, o americano Jerry Miller, colecionador de itens da
Feira de Saint Louis, forneceu uma foto de sua coleção que está no livro. Outro
desafio foi dar andamento às pesquisas durante a Pandemia, com as muitas
restrições impostas para a sociedade. Mas o resultado valeu a pena. Além de
sustentar os fatos narrados ao longo dos capítulos, o montante apurado
enriqueceu o conteúdo do livro com informações curiosas e consistentes, além de
uma rica iconografia (por volta de 150 imagens), que inclui fotos raras, como a
série da construção do Pavilhão Brasileiro em Saint Louis, localizada nos EUA,
com ajuda dos americanos. Outro importante achado da pesquisa saiu do mergulho
no arquivo Geisel, da Fundação Getúlio Vargas. Uma das atas das reuniões
confidenciais do início dos anos 1970 revela que o Presidente Geisel fomentou
uma campanha secreta, nos jornais da época, para criar artificialmente na
opinião pública o desejo de demolir o Palácio Monroe. Mais uma herança funesta
da Ditatura que vem a público no ano em que o golpe completa 60 anos. Essa
informação sequer consta do volumoso processo do IPHAN que contém a farta
documentação oficial produzida na época e que também foi esmiuçada pelo autor.
Um guia turístico em forma de livro:
O autor ainda revela no
Epílogo os muitos vestígios remanescentes na cidade do que é narrado ao longo
do livro. As últimas páginas do livro funcionam como um guia turístico do Rio
Antigo, indicando ao leitor endereços e locais da cidade que ainda possuem
prédios, monumentos ou qualquer lembrança da época. A partir do que é narrado
no Epílogo, é possível montar roteiros turísticos a pé, no Centro do Rio, para
ver com os próprios olhos o que restou daquela época e o que desapareceu. Além
de um importante documento de memória, o livro é uma leitura obrigatória para
quem é apaixonado pela cidade e suas histórias.