O jornalista Álvaro Miranda lança, na próxima terça-feira, dia 6, seu livro
de poesias Estupor, com sessão de
autógrafos a partir das 19h, na Livraria da Travessa,
em Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 97). A obra, que tem o selo da Editora
7Letras, traz 280 haicais escritos no ano passado, em meio a essa
loucura toda da pandemia, e a maioria, segundo o autor, conservou apenas uma
característica da tradição de Matsuo Bashô (século XVII): a métrica.
“São,
portanto, o primeiro e o terceiro versos em redondilha menor (cinco sílabas), e
o segundo, em redondilha maior (sete sílabas). Mas, claro, inevitável sempre a
experimentação e a transgressão, que eu deixo como surpresa”, enfatiza
Álvaro Miranda.
O tempo do poema parece desaparecer, nessa
paisagem dúbia, onde vemos o mundo perder a aura das verdades fixas. Diante da
aparente sina de um triste Brasil, de futuro contido, é com estupor que percebemos, como Paul Celan, o poema como um presente. Um presente
oferecido aos atentos. “Presentes
que levam consigo um destino”, lembra.
Em Estupor
também são oferecidos versos em que, entre passados e futuros, resiste a
palavra, em meio aos seus escombros / de avesso e descuido. Álvaro
Miranda nos presenteia com poemas escritos para além dos dias turvos e das
paredes do previsível, mas impulsionados pelo trapézio e voo. Um voo que
poderia ser fotografado, na sépia da memória, mas nunca realmente estático.
Com uma escrita que contorna os preciosos haikais da tradição de
Bashô, mas sem abrir mão de sua temporalidade e país, o autor se permite ao
ofício do risco, e não vira as costas para o futuro vermelho, não russo, mas
brasileiro. Um Angelus Novus latino mais esperançoso, que
consegue acordar os mortos e juntar os fragmentos, pois nesta obra há uma
insubmissão ao instante da imensidão / que se finge eterno.
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Álvaro Miranda e sua obra |
Álvaro Miranda diz que está muito feliz com o resultado final de Estupor. “Gente, gostei do livro, daí essa alegria toda. Ele ficou bem resolvido em muitos aspectos. Talvez em outros nem tanto, não importa. O que conta é a necessidade e a coragem. Depois "desvencilhar-se" dele... e vamos em frente! Dou essa palinha aqui porque o bicho carpinteiro não sossega na medida em que se aproxima o lançamento. Mas, a alegria maior mesmo será rever vocês e dar um abraço depois de dois anos e oito meses de pandemia”.