Obra traça um panorama da
história do músico desde os tempos pré-Clube da Esquina até hoje
“Coração mineiro” é o que podemos chamar
de uma biografia romanceada. Isso porque a proposta inicial de contar a experiência
de Robertinho na música mineira (e a forma como isso modificou sua estética
musical) se transformou em uma viagem pelo tempo, em busca das raízes mineiras
do Clube da Esquina e de seu surgimento em um dos momentos mais ricos da MPB.
Essa
narrativa que procura entender o fenômeno da música mineira é o pano de fundo
para a voz de Robertinho Silva, que narra em primeira pessoa suas descobertas
musicais desde a infância e nos conta como foi participar do Clube da Esquina e
tocar com Milton Nascimento por quase três décadas. Segundo o baterista
carioca, foi na música de Minas Gerais que ele se encontrou com a diversidade rítmica
brasileira e teve liberdade de criação e espaço para desenvolver um estilo
próprio.
“Coração mineiro” é o terceiro livro de
Robertinho Silva, escrito em coautoria com Maria Lucia Daflon, que idealizou a
forma como suas histórias seriam contadas. As duas vozes foram o recurso
encontrado por ela para expressar “fala” de Robertinho, numa narrativa fluida,
nem sempre atenta à cronologia, ao mesmo tempo em que conduz o leitor por esse
passeio pela MPB, numa reflexão sobre seus anos mais produtivos e marcantes, em
que músicos que se encontraram em Belo Horizonte tiveram um papel central.

A
produção do livro foi totalmente independente, a partir de uma campanha de
vendas antecipadas e financiamento coletivo. Com tiragem inicial de 1000
exemplares, o projeto gráfico realizado pelo designer Romildo Gomes foi
acompanhado de perto pelos autores e cada detalhe tem o dedo deles. O prefácio
foi escrito por Daniela Aragão, doutora em Literatura Brasileira, cantora e
pesquisadora musical; as orelhas são assinadas pelo cantor e compositor Pedro
Luís e pelo baterista Guto Goffi; na contracapa o texto tem assinatura de
Ronaldo Bastos, que classifica a obra como “um livro afetuoso e generoso como o
próprio Robertinho, que traça um panorama de sua história desde os tempos
pré-Clube da Esquina até hoje, numa leitura fundamental para entendermos o
caldeirão cultural que formou não só a MPB, mas também a carreira de seus mais
estimados protagonistas”.
Breve
história dessa coautoria
Robertinho Silva é um dos maiores nomes da MPB, um
dos nossos grandes mestres, cria das bandas de baile da Zona Oeste do Rio de
Janeiro que ganhou o mundo. Aficionado pela bateria, que aprendeu a amar nos
musicais do cinema e nos programas de rádio da era de ouro, Robertinho era
apaixonado por jazz. O samba-jazz era a sua praia no início da carreira e o
plano era aperfeiçoar a técnica e mergulhar fundo nessas influências.
Tudo mudou
quando ele conheceu Wagner Tiso, num momento em que também a MPB preparava uma
guinada em seus rumos. Pouco depois os dois estavam juntos no Som Imaginário,
banda formada para acompanhar Milton Nascimento e que fez história em sua breve
existência. Robertinho e Milton viveram juntos momentos incríveis, fundamentais
para a música brasileira contemporânea e para a carreira do baterista, ainda na
ativa, prestes a completar 80 anos.
A vontade de contar essa história estava ali,
faltava a parceria. Como o acaso é o maior artífice de grandes encontros,
Robertinho Silva conheceu, em uma festa na Lagoa Rodrigo de Freitas, a
tradutora Maria Lucia Daflon, que tinha também uma vontade: investir na
carreira de escritora, após tomar gosto pela escrita com o sucesso de seu
primeiro livro, também uma coautoria. O resultado desse encontro é um livro
instigante, que mexe com nossas memórias musicais e com tudo que vem junto com
elas.