Obra
impressa e no formato de e-book será lançada na próxima segunda-feira, com
sessão de autógrafos no auditório da ABI
Quantas vezes a gente já ouviu alguém, mesmo jornalistas bem informados,
afirmar que De Gaulle disse que “o Brasil não é um país sério”? Pois o
ex-presidente francês jamais pronunciou esta frase. É fake news, como garante o
jornalista a quem é atribuída a sua divulgação, um dos 26 veteranos
profissionais ouvidos por Aziz Ahmed no livro Memórias da Imprensa Escrita, que será lançado no próximo dia 11 (segunda-feira), às 17 horas, no
auditório da ABI - Associação Brasileira de Imprensa (Rua Araújo Porto Alegre,
71), Centro, Rio de Janeiro.
Segundo
Aziz Ahmed, muitas das histórias que esses monstros sagrados do jornalismo
contaram registram momentos históricos da profissão, desde os idos dos anos 50
do século passado. “Todos dirigiram redações e reúnem um acervo de experiências
vividas nas redações que estão expostas no livro. São nomes que, para pelo
menos duas gerações de jornalistas, dispensam apresentações”, enfatiza o autor.
O
leitor vai ficar sabendo que Carlos Lacerda, antes de tornar-se um dos mais
poderosos políticos brasileiros, queria ser autor de novelas; que a polícia acabou
com uma festa oferecida ao presidente Kennedy no dia da sua posse, atendendo
denúncia de um cidadão anônimo, incomodado com o barulho. E mais: que, por uma
ordem do governo militar, 1 milhão e 200 mil exemplares de um suplemento
produzido pelo Jornal do Commercio do Rio,
para serem encartados nos jornais dos Diários Associados, foram
jogados no lixo; vai saber, pela percepção de um famoso colunista, que o
dinheiro mudou de mãos e como o pragmatismo do dr. Roberto Marinho levou O
Globo a vencer a soberba do dr. Nascimento Brito na disputa de
mercado com o Jornal do Brasil. E ainda, pelo
relato afetivo de seus principais colaboradores, vai conhecer como era o
convívio com Samuel Wainer, Adolpho Bloch e Ibrahim Sued.
 |
Gilson Campos, Aziz Ahmed, Nilo Dante e Cícero Sandroni. Em pé, Antônio Carneiro e Milton Coelho da Graça |
Essas
e outras histórias são contadas nas 316 páginas desse livro — uma realização do Ateliê de Cultura, e patrocínio da
Delphos e da prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, Lei
Municipal de Incentivo à Cultura (Lei do ISS) — que mergulha nos bastidores da imprensa
desde a época dos anos dourados, atravessando os anos rebeldes e os de chumbo,
até chegar a estes novos tempos de incerteza quanto ao futuro da mídia
impressa.
Inspirado
na própria experiência do autor e nas conversas com velhos companheiros,
escrito em forma de notas de coluna, o livro oferece uma leitura leve e
bem-humorada de casos que não foram registrados nos jornais.
Uma novidade: a obra traz o passado à atualidade trazendo em cada capítulo
QR codes, que transportam o leitor a um vídeo de cada entrevistado. Tal
ferramenta permitirá ao leitor, através do próprio livro, assistir ao último
depoimento, com quase três horas de duração, gravado pelo jornalista Ricardo
Boechat – falecido no mês passado, em acidente com um helicóptero.
 |
Aziz Ahmed e Ricardo Boechat |
Pensando
na inclusão, a obra também está sendo lançada no formato e-book.
— O
livro tem uma relevância que transcendeu a proposta original – disse o autor do
prefácio, jornalista Domingos Meirelles, presidente da ABI, instituição que dá
apoio cultural à obra, que será incorporada ao acervo do Centro de Memória da
instituição. E destaca Meirelles:
—
Tornou-se uma obra de leitura obrigatória. Ele reproduz o cotidiano das antigas
redações. Revela, com delicadeza de sentimentos, o ambiente romântico de um dos
momentos mais faiscantes da imprensa contemporânea. Fala sobre desejos e
fantasias que perpassaram as vidas de gerações inteiras de profissionais. Acho
que o grande mérito do livro está justamente em ter conseguido capturar esse
clima do qual tanto nos orgulhávamos e que parece haver se perdido para sempre.
Ahmed
ouviu jornalistas que fizeram ou que ainda fazem a história da profissão.
Pela ordem alfabética: Aluizio Maranhão, Anna Ramalho, Aristóteles Drummond, Arnaldo
Niskier, Bruno Thys, Cícero Sandroni, Fernando Carlos de Andrade, Fuad Atala,
Gilson Campos, Henrique Caban, Jarbas Domingos, J.B. Serra e Gurgel, Jomar
Pereira da Silva, José Silveira, Luiz Edgar de Andrade, Milton Coelho da Graça,
Miranda Jordão, Nelson Lemos, Nilo Dante, Nilson Lage, Paulo Jerônimo, Pery
Cotta, Pinheiro Junior, Ricardo Boechat, Telmo Wamber e Walter Fontoura.
O
respeito à longevidade já é consagrado na própria capa de Memórias da Imprensa Escrita, ilustrada pelo
desenhista Marcelo Monteiro, que, desde 1962 até hoje, estampa diariamente seu
talento nas páginas do jornal O Globo.
Sobre
o autor
Nascido
em 26 de setembro de 1938, Aziz Ahmed é carioca de Vila Isabel. Começou a
carreira jornalística em 1961, no Correio da Manhã, foi chefe de
reportagem de O Globo e da Ultima
Hora, onde também foi editor e diretor da sucursal em Brasília.
Dirigiu o Jornal do Commercio de
1979 até 2013, e lá também tinha uma coluna diária. Foi colunista no
jornal O Povo do Rio e
editor-chefe do jornal comunitário A Voz de Rio das Pedras. Foi
professor do curso de Jornalismo da UniverCidade (1997-2014), chefe da Comunicação
Social da prefeitura do Rio, vice-presidente do Conselho de Contribuintes do Município
e secretário-geral da Junta Comercial do Estado do Rio. Em 1994, lançou
livro “O Calvário de Sônia Angel”,
que escreveu a partir da narrativa do professor João Luiz de Moraes, pai dessa
cara-pintada dos anos rebeldes, morta, aos 27 anos, nos porões da ditadura.