Obra provocativa e brutal, combina gêneros de
poesia, prosa e elementos de suspense para dar forma às narrativas chocantes
das vítimas de violência sexual. O leitor vive experiência inusitada, interagindo
com a história de uma forma diferente: em cada exemplar há um QR Code, que
funciona como um passaporte para um Clube de Leitura exclusivo.
Romance de estreia da premiada
atriz e escritora norte-americana Amber Tamblyn, Um Cara
Qualquer (Any Man, título original) é um livro
provocativo e brutal. Combina gêneros de poesia, prosa e elementos de suspense
para dar forma às narrativas chocantes das vítimas de violência sexual,
mapeando as formas destrutivas pelas quais a sociedade contemporânea perpetua a
cultura do estupro. O extraordinário é como, com o passar dos anos, essas
pessoas aprendem a se curar, unindo-se e encontrando um espaço para levantar as
vozes. Com pontos de vistas alternados – e uma assinatura para cada voz e
experiência da vítima – as páginas crepitam de emoção que vão do horror à
empatia; e tiram o fôlego do leitor. Ousada, a obra pinta um retrato marcante
da sobrevivência e é um tributo àqueles que viveram o pesadelo da agressão
sexual.

Por traz da escolha de Amber Tamblyn há o desejo de
chamar a atenção para um problema que atinge a sociedade como um todo. Há
assédio sexual tanto de mulheres quanto de homens; há vítimas e algozes nos
dois lados. “E temos que falar sobre o prejuízo humano que envolve essa
violência. Pela força da narrativa e relevância do tema, escolhemos esse
romance para estrear uma tecnologia de leitura que trará o leitor para dentro
da história”, afirma Lu Magalhães, presidente da Primavera Editorial.
Traduzido por Cynthia Costa – doutora em Estudos da
Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), professora do
curso de tradução da UFU e com mais de 60 obras traduzidas – Um Cara
Qualquerfoi um desafio pela troca constante de gênero textual
proposta pela autora e pelo tom dos relatos das personagens, em primeira
pessoa. “No primeiro caso, ao mesmo tempo em que era complicado passar da prosa
à poesia, da poesia à notícia e até aos tweets, também fiquei contente, como
tradutora, por poder experimentar tantas formas literárias em um único livro.
Sobre o tom visceral dos relatos, a minha maior preocupação foi transmitir em
português a dor e a emoção dessas personagens”, revela.
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Amber Tamblyn |
Sobre a estrutura textual – que combina poesia e
prosa – na percepção de Larissa Caldin, publisherda Primavera Editorial, a
autora usa os versos para imputar um sentimento mais exacerbado sem cair em
clichês que nos levam a crer ser a poesia como invariavelmente sentimental e a
prova racional. “A prosa da autora é incutida com uma linguagem viva e nada
plácida que permanece em todo o texto. Talvez, Amber tenha propositalmente
inserido a poesia e a prosa em oposição, de forma a mostrar, em um ponto de
vista técnico e muito mais subjetivo, que a prosa era aquilo que as personagens
diziam sentir para si e para o mundo; mas, a poesia era o quê, de fato, as
personagens sentiam dentro de si, o Blue Bird de cada um”, analisa.
O projeto gráfico – conduzido pela Project Nine
Editorial – foi desenvolvido para contar, graficamente, a história de
singularidade, estranhamento e inversão de papéis, gerando a reflexão
pretendida. Idealizada em 2011 pelo designer Francisco Martins, a Project Nine
Editorial é uma empresa jovem focada no mercado editorial, sempre atentos às
novas tecnologias e inovações a fim de desenvolver projetos adequados para cada
segmento editorial.