“O antídoto mais radical ao vírus da
falsidade é deixar-se purificar pela verdade”.
Papa Francisco
É
Bergoglio o primeiro papa a ser criticado? No livro Fake Pope – as falsas notícias sobre o Papa Francisco, lançado pela
PAULUS Editora, os autores Nello
Scavo e Roberto Beretta afirmam que não! Eles explicam que a figura do Papa é
há séculos alvo de mentiras. Houve na história pontífices atingidos por
fortíssimas acusações.
No
entanto, em tempos de amplo debate social pela opinião pública – sobretudo no
âmbito digital – as Fake News se tornaram armas poderosíssimas. Na obra, os
autores – reconhecidos por cobrir a vida eclesiástica –, apontam algumas falsas
notícias, abordam a necessidade de ser discutido o tema e alertam sobre a
importância da busca e da averiguação dos fatos.
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Foto: Hélio Araújo - RJ - 2013 |
Nello
e Roberto destacam que, contra o Papa Francisco circulam acusações
completamente inventadas e que é preciso combater essas falácias, pois as
consequências podem comprometer o trabalho de anos, como o da Igreja. “Um tiro
de canhão de mentiras ou semi-verdades manipuladas com arte, tem o poder de
devastar o trabalho de anos, de injetar uma desconfiança demolidora onde – e é
com frequência o caso da Igreja – o resultado final depende dos delicados
equilíbrios e da paciência nas relações humanas”, dizem.
Em
maio de 2018, o Papa Francisco encaminhou uma mensagem para o 52º Dia Mundial
das Comunicações Sociais, com o tema: “A verdade vos tornará livres (Jo 8,32).
Fake News e jornalismo de paz”. Neste documento, o pontífice demonstra
preocupação e alerta sobre as intenções que podem estar por trás das falsas
notícias. “As próprias motivações econômicas e oportunistas da desinformação
têm a sua raiz na sede de poder, ter e gozar, que, em última instância, nos
torna vítimas de um embuste muito mais trágico do que cada uma das suas
manifestações: o embuste do mal”, alerta Papa Francisco.
Para
os autores de Fake Pope, não é possível construir nenhuma comunidade humana,
muito menos fraterna, onde dominam a suspeita e a desconfiança. A obra,
dividida em cinco partes, pretende mostrar que é preciso distinguir para não
confundir, é preciso ter discernimento e acima de tudo educar para uma contínua
busca à averiguação. “É o discernimento – outro termo muito frequentemente
usado pelo Papa Francisco, e de resto típico do patrimônio jesuíta – a receita
proposta por Bergoglio contra o pensamento único ou desviado, e seu primeiro
ingrediente é a consciência da pessoa. Bem indagada e submetida a averiguações
quanto quisermos, porém, responsabilidade sempre pessoal”, concluem Nello Scavo
e Roberto Beretta.
Nesta
mesma perspectiva, o diretor da Faculdade PAULUS de Comunicação (FAPCOM), Pe.
Iraildo Alves de Brito cita o fundador da congregação dos Padres e Irmãos
Paulinos, o Bem-Aventurado Tiago Alberione, ao falar sobre a verdade e
superficialidade. “Alberione dizia que, a caridade da verdade é a caridade mais
sublime. A caridade da verdade, entre outros aspectos, diz respeito à capacidade
de não se conformar com as superficialidades. Seja qual for a matéria, o
assunto, o problema, faz-se necessário o interesse de aprofundamento para não
se deixar enganar, nem se manipular”, enfatiza Padre Iraildo.
Sobre os autores
Nello
Scavo é jornalista do Avvenire, repórter internacional e cronista judicial. Ao
longo dos anos investigou o crime organizado e o terrorismo global, cobrindo
muitas áreas “efervescentes” do mundo, como a ex-Iugoslávia, o sudeste
asiático, os países da URSS, a América Latina, o Oriente Médio e o Corno da
África. Em 2013 partiu para Buenos Aires em busca da verdade sobre a suposta
conivência do papa Francisco com as ditaduras sul-americanas, para depois
escrever “I sommersi e i salvati di Bergoglio”. Também é autor de “La lista di
Bergoglio”, traduzido em mais de 15 idiomas, “I nemici di Francesco”, lançado
em 2015 e “Perseguitati”, de 2017.
Roberto
Beretta é jornalista e ensaísta. Escreveu mais de vinte livros sobre temas
históricos e religiosos, muitos dos quais tidos como “incômodos”, entre eles
“Il lungo autunno: controstoria del Sessantotto cattolico”; “Storia dei preti
uccisi dai partigiani”, “Le bugie della Chiesa”; “Da che pulpito… Come
difendersi dalle prediche” e ”Chiesa padrona – Strapotere, monopolio e
ingerenza nel cattolicesimo italiano”. É um dos autores mais lidos no blog de
opinião católica Vino Nuovo.