Na
noite do último sábado (18), no auditório da Biblioteca Mário de Andrade, em
São Paulo/SP, ocorreu a entrega do Prêmio ABEU 2017 com a presença de autores,
pesquisadores, representantes das editoras universitárias e de diversas
entidades do livro. A premiação, que chega à sua 3ª edição, tem o intuito de
distinguir as melhores edições universitárias no âmbito do conhecimento
científico e acadêmico, e concedeu troféus aos vencedores em 6 categorias:
“Capa”, “Projeto Gráfico”, “Ciências Naturais e Matemáticas”, “Ciências da
Vida”, “Ciências Sociais e da Expressão” e “Ciências Humanas”.

A
cerimônia foi aberta com um discurso do presidente da ABEU, Marcelo Luciano
Martins Di Renzo, que destacou a importância da consolidação efetiva do prêmio,
que acontece no momento em que a Associação completa seus 30 anos de fundação:
“O Prêmio ABEU é muito relevante para nós porque representa a nossa maturidade
como associação. Mais do que isso, ele representa a qualidade da produção
editorial das associadas.” Como muitos dos indicados também acabaram
reconhecidos no Prêmio Jabuti deste ano, com alguns dos livros das editoras
universitárias ganhando o 1º lugar, Di Renzo destacou como as edições
universitárias têm mostrado sua qualidade: “Quando começamos a produzir livros
lá atrás, há 30 anos, muitas críticas davam a entender que não teríamos essa
qualidade toda. E hoje apresentamos uma qualidade não apenas gráfica, mas de
conteúdo, com uma produção anual de cerca de 2.000 títulos novos por parte das
associadas.”

Como
forma de endossar as ações realizadas pela ABEU em prol da distribuição de
livros e do incentivo à leitura, a solenidade contou também com a participação
de Ana Cristina Arraruna, representando o Ministério da Cultura. Em sua fala,
ela reconheceu os esforços da Associação e de seus membros pelo acesso ao
livro, em especial o Projeto de Lei 212/16, que institui a Política Nacional de
Leitura e Escrita, proposta por José Castilho Marques Neto, curador do Prêmio
ABEU e ex-presidente do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). Ana Cristina
ressaltou ainda a relevância da premiação em sua fala: “Precisamos mesmo disso:
fomento, incentivo ao que é produzido em nossas universidades.”
No
momento de anunciar a classificação final de cada categoria, os ganhadores foram
chamados ao palco para receber seus troféus, com direito a um breve discurso
dos autores vencedores do 1º lugar. Carlos Monarcha, responsável pelo livro A
instrução pública nas vozes dos portadores de futuros, ganhador na categoria
“Ciências Humanas” e publicado pela EDUFU, citou um trecho de sua obra ao
aceitar o prêmio.
Na
categoria “Capa”, o vencedor foi o título da Editora Massangana/Fundação
Joaquim Nabuco: Vivencial: imagens do afeto em tempos de ousadia, de Ana
Farache e Jorge Borges. A autora, responsável também pela foto da capa, disse
que “foi uma honra estar entre tanta gente boa e ter o reconhecimento de uma
Associação de prestígio, como a ABEU”.
Já
o título O Mundo das Argilas, uma produção bilíngue da Editora da UFRGS, ganhou
o 1º lugar na categoria “Ciências Naturais e Matemáticas”. Realizado por Alain
Meunier, Edson Campanhola Bortoluzzi e André Sampaio Mexias, os três autores
foram representados na cerimônia por este último, que declarou “Nós ficamos em
um primeiro momento surpresos pela indicação e, num segundo momento, bastante
envaidecidos, afinal, pra gente, estar entre os 3 finalistas já é uma
distinção.”
Em
seguida, foi entregue o prêmio na categoria “Ciências Sociais e da Expressão”,
cujo 1º lugar foi concedido ao título Graciliano Ramos e a Cultura Política:
mediação editorial e construção de sentido, publicado pela EdUSP. Thiago Mio
Salla, autor do livro, comentou: “Considerando a importância da entidade [ABEU]
e de estar aqui nesse momento, o prêmio representa todo o reconhecimento de uma
trajetória, porque esse livro foi, na verdade, um trabalho acadêmico feito no
âmbito da universidade e publicado pela Editora da USP. Portanto, apenas estar
entre os finalistas de um prêmio que prestigia as produções universitárias
realmente é muito representativo.”
A
Editora Fiocruz acabou levando o 1º lugar na categoria “Ciências da Vida”, com
o livro Brasil Saúde Amanhã: população, economia e gestão. A obra, que foi
organizada por Paulo Gadelha, José Carvalho de Noronha, Telma Ruth Pereira e
Sulamis Dain, foi representada por esta última pesquisadora. Para ela, “É uma
honra o reconhecimento ao trabalho, que é um projeto em grupo, de pessoas que
fazem parte de um programa da Fiocruz chamado ‘Brasil Saúde Amanhã’. E na
verdade, o livro traz uma discussão de políticas de saúde numa perspectiva
acadêmica e militante, portanto, estou muito honrada e feliz do nosso trabalho
ter uma projeção.”

Para
finalizar, foi anunciado o vencedor na categoria “Projeto Gráfico”, que foi o
livro da Editora da UFRGS, também ganhador do Prêmio Jabuti, A Modernidade
Impressa: artistas ilustradores da Livraria Globo – Porto Alegre. Paula Ramos,
autora do livro, declarou que “É um reconhecimento maravilhoso, ainda mais
vindo de uma associação que tem uma história, embora seja um prêmio recente.”
Sandro Fetter, responsável pelo projeto gráfico, também esteve presente e
comentou sobre sua relação de pupilo com a autora, tendo sido aluno de Paula
Ramos no curso de Design: “Foram 10 anos da gente lutando pra que esse projeto
saísse, podendo entregar agora um material belíssimo de acervo que poucos
tinham acesso.”
Ao
final da noite, todos os premiados se reuniram para um registro deste momento
de valorização do livro universitário. Enquanto isso, a Associação continua a
trabalhar para que o Prêmio ABEU possa ampliar seus horizontes e contemplar
ainda mais publicações com o reconhecimento que merecem.