Livros
traçam perfis de Beija-Flor e Portela, além de revelar a história de cinco
escolas pequeninas, que lutam, a cada carnaval, para sobreviver por mais um ano
O
grande espetáculo da Marquês de Sapucaí esconde várias histórias emocionantes,
que ajudam a entender a formação das escolas de samba e a dimensão da emoção
que a festa provoca em quem a acompanha. No entanto, falta contar muitas delas.
Para diminuir a carência, a Verso Brasil
Editora lança a coleção Cadernos de Samba, no próximo dia 31, a partir das 19h, na Livraria da Travessa do Shopping
Leblon (Avenida Afrânio de Melo Franco, 290).
“Contar
a história contemporânea do Carnaval brasileiro, das escolas de samba e de
alguns protagonistas da folia é o nosso objetivo”, diz Aydano André Motta,
organizador do projeto e autor de um dos três primeiros livros. Um lado quase
secreto do espetáculo, marcado pela luta de agremiações de menor porte e dos
sambistas para se manterem vivos na festa apaixonante, aparece no trabalho dos
três autores com uma riqueza de informações que vai surpreender os leitores.
“Marcadas
para viver – A luta de cinco escolas”, do
jornalista e pesquisador do Carnaval João Pimentel, tem como missão, como ele
mesmo define, “contar um pouco sobre como algumas escolas, que já tiveram seu
lugar ao sol, hoje passam por dificuldades financeiras comuns a quem desfila
longe dos holofotes do Grupo Especial”. Assim, Unidos do Jacarezinho, Em Cima
da Hora, Unidos de Lucas, Tupy de Braz de Pina e Vizinha Faladeira foram
especialmente pesquisadas pelo autor e, por conseguinte, tornarão a ganhar a
atenção de muita gente. “Com muita dificuldade, consegui, por meio de relatos,
refazer a trajetória dessas escolas que nem sequer tinham registros
significativos de suas histórias. Ao me embrenhar em acervos públicos e
recorrer a pesquisadores, percebi que são poucos e vazios os dados sobre elas,
o que, aliás, foi o meu maior estímulo”, comentou João. Nenhuma das escolas
abordadas pelo autor teve sua história contada em livros ou filmes e, por isso,
esse volume traz uma um relato inédito e desconhecido e mostra, sobretudo, como
a vida do carnaval e da cidade se entrelaçam num mesmo enredo. Às vezes
tristes, outras alegre.
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João Pimentel, Aydano André Motta e Luiz Antonio Simas (Divulgação) |
Já
o caderno “Tantas páginas belas – Histórias da Portela” tem como autor o
professor e historiador Luiz Antonio Simas. Vinte e uma vezes campeã do
Carnaval carioca, a azul e branco de Madureira foi por ele analisada de maneira
bastante ampla. “Tracei um panorama sobre a história da escola, desde a
fundação aos dias atuais, destacando o papel de vanguarda que a agremiação
exerce no samba.” A partir da pesquisa, será possível também compreender como
uma escola de samba torna-se sinônimo de uma comunidade: “Percorrer a longa
estrada da Portela é, ainda, uma maneira de conhecer mais de perto o ambiente
suburbano em que ela surgiu e se consagrou”, salientou Simas.
A
azul e branco de Nilópolis também será homenageada na coleção. Intitulado “Maravilhosa
e soberana – Histórias da Beija-Flor”, o livro foi escrito pelo jornalista
Aydano André Motta. A Deusa da Passarela ganhou o olhar apaixonado e minucioso
do autor, que voltou aos tempos da fundação da escola para contar sua
trajetória até os dias de hoje. “A história da Beija-Flor jamais foi contada.
No livro, são esclarecidos temas como a preservação de suas tradições, a
formação de seus personagens mais importantes e a construção da força de sua
comunidade, alicerce de seu sucesso na Avenida.” Apesar de grande campeã, são
poucos os relatos da Beija-Flor, que ganhará nesse volume um perfil definitivo,
fruto não só da paixão do autor pela escola, mas de muita pesquisa, entrevistas
e observação.

A
sensibilidade, como se nota, é o enredo comum a todos os livros. À venda em
todo o Brasil, com tiragem inicial de dois mil exemplares por título, cada um
dos livros da coleção Cadernos de Samba custará R$ 32,50. O Governo do
Estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Cultura e a cervejaria Devassa são os
patrocinadores da iniciativa.