“Memória
a dois” é um diálogo
em forma de relato que Sergio Britto fez ao sobrinho Paulo Brito
Com o lançamento
de Memória a dois, a
Fundação Nacional de Artes - Funarte presta homenagem a um dos grandes nomes do
teatro brasileiro, o ator e diretor Sergio Britto.
Escrito entre abril e
maio de 2011, meses antes da morte do artista, o livro é uma espécie de diálogo
entre ele e o sobrinho, Paulo Brito. As lembranças, muitas vezes, se confundem
com a luta de Sergio Britto pela vida e sua busca intensa para manter a lucidez
e a esperança. A publicação de 184 páginas traz também fotos, a maioria do
acervo da família do ator.
Em Memória a
dois, Sergio Britto exercita sua memória, relembra momentos de sua vida
como a adolescência, os estudos de medicina, parte de sua trajetória
profissional, além de movimentos importantes do teatro brasileiro e artistas
com quem compartilhou experiências marcantes, como Fernanda Montenegro, Ítalo
Rossi, Nathalia Timberg, entre outros.
Quem assina o prefácio
do livro é o médico e analista junguiano Walter Boechat, a quem o ator recorreu
em 2005 para ajudá-lo com os conceitos da psicologia de Carl Gustav Jung para a
peça Jung e eu. O monólogo, de Domingos de Oliveira e Giselle Kosovski,
rendeu a Sergio, naquele ano, uma indicação ao Prêmio Shell de melhor ator.
Para Boechat, Sergio
Britto surpreende a todos com sua força criativa ao buscar, em momento de
extremo sofrimento, um caminho inesperado de resgate de sua memória, de suas
imagens internas e de sua identidade. "Depois de legar para a cultura
brasileira esses importantes diálogos, Sergio Britto nos deixou órfãos de sua
rica presença. Este Memória a dois é sua derradeira obra
criativa, uma mensagem de otimismo, força criativa e crença no poder espiritual
da vontade. A reflexão que Sergio Britto faz para si mesmo ao terminar serve
também para todos nós que o acompanhamos em sua trajetória de estrela fulgurante:
'Agora é hora de esperar com calma e tentando não sofrer as próximas
palavras'".
Sergio Britto
Carioca de Vila Isabel,
no Rio de Janeiro, Sergio Pedro Corrêa de Britto nasceu no dia 29 de junho de
1923 e morreu em dezembro de 2011, aos 88 anos. Formado em medicina, ele trocou
a carreira pelos palcos e dedicou sua vida ao teatro e à arte brasileira. Sua
estreia foi em 1945, interpretando Benvoglio na montagem de Romeu e
Julieta, de William Shakespeare, no Teatro Universitário.
Ator, diretor e
produtor, Sergio Britto fez parte de importantes companhias do teatro
brasileiro, como Teatro do Estudante de Paschoal Carlos Magno, Teatro dos Doze,
Cia. Maria Della Costa, Teatro de Arena, Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).
Foi também um dos fundadores do Teatro dos Sete, nos anos 1950, e um dos
sócios do Teatro dos Quatro, na década de 80.
Durante sua carreira,
recebeu os mais importantes prêmios de atuação e direção teatral, entre os
quais três prêmios, como diretor, por Os Veranistas, de Gorki;
Prêmio Molière Especial porRei Lear, de Shakespeare; e Prêmio Mambembe
por A cerimônia do Adeus, de Mauro Rasi. Dirigiu algumas óperas,
como La Traviata e O Guarani.
Na televisão, foi
pioneiro do teleteatro como criador, diretor e ator do Grande Teatro
Tupi, que produziu mais de 450 peças. Participou de novelas, minisséries e
especiais. Na TV Brasil, escreveu, dirigiu e apresentou o programa Arte
com Sergio Britto, dedicado ao teatro e à arte de interpretar.
Em 2010, lançou sua
biografia, O Teatro & Eu - Memórias, publicada pela editora Tinta
Negra. O livro recebeu o Prêmio Jabuti 2011 na categoria Biografia.
* A
compra do livro também pode ser solicitada através do e-mail livraria@funarte.gov.br, ao custo de R$
30,00.