terça-feira, 16 de abril de 2024

Escritor de 16 anos, da Baixada Fluminense, lança livro sobre autismo no próximo sábado (20)

 

Um motivo para lá de especial para celebrar o mês de conscientização do Autismo: o livro “Além do Autismo”, do jovem escritor, Caio Alexandre Firmino, será lançado no próximo sábado, dia 20, das 16h às 20h, no Downtown, localizado na Avenida das Américas, 500, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. A obra tem o selo da Elas Editora Litterae, em parceria com o HUB Club Mães Atípicas.

 


No livro, o autor narra como lidou com o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) do seu irmão caçula Davi Firmino, mostrando as experiências vividas nesta jornada e como isso impactou o relacionamento dele, o entrosamento com o restante da família na descoberta da importância do amor, atenção e união para o tratamento e acolhimento.

 

“É importante saber como uma criança com autismo vê o mundo para entendê-la melhor. Crianças com autismo também fazem parte da sociedade e precisamos ajudá-las para que se sintam acolhidas. Mudanças, adaptações, saber se colocar no lugar do outro, tudo isso é uma construção’, conta Caio Alexandre.

 

O jovem escritor, de 16 anos, nasceu em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, vem de uma família humilde, sempre foi dedicado aos estudos, com boas notas no colégio, e ama esportes. Ele sonha em jogar futebol profissional, mas, por conta de uma lesão no joelho, adiou o sonho por enquanto. A ideia de escrever o livro veio em 2018, através de um trabalho escolar.

 

Davi Firmino e Caio Fernando 

“O trabalho teve uma grande repercussão na escola. Percebi que poderia gerar mais conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista. Com o livro, espero que possamos gerar maior inclusão e empatia sobre todas as espectros e deficiências, visíveis ou ocultas”, finaliza o autor.

 

No dia do lançamento, que será aberto ao público, haverá diversas atrações voltadas para o público, como peças teatrais, música e informação. O livro também estará disponível para compra no site www.elaseditora.com.br.

Fotos: Miranda Fotografia

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Processo terapêutico de Monica Benicio ressignifica luto por Marielle em biografia inédita sobre história de amor


Lançamento será sábadom dia 13, a partir de meio-dia, na Livraria Folha Seca, no Centro do Rio de Janeiro


A vereadora Monica Benicio, viúva de Marielle Franco, lançará o livro "Marielle e Monica: uma história de amor e luta" no próximo sábado, dia 13, a partir das 12h, na livraria Folha Seca, à Rua do Ouvidor,37, Centro, Rio de Janeiro. O lançamento também contará com um bate-papo com a deputada federal Talíria Petrone e uma roda de samba com o grupo Samba Que Elas Querem.

 


De forma inédita, Monica conta a história do amor arrebatador que fez sua vida se entrelaçar com a de Marielle para sempre. Editado pela Rosa dos Tempos, do Grupo Editorial Record, o livro é sobre a descoberta e a vivência de um amor lésbico. Foram 14 anos de relacionamento, entre idas e vindas e muitos obstáculos. Desde um quartinho na favela da Maré, que serviu de abrigo para encontros às escondidas, até o gabinete 903 na Câmara de Vereadores do Rio, onde Marielle exerceu seu mandato até ser brutalmente assassinada, quando se tornou símbolo de resistência política.

 

Uma história de amor inspiradora entre duas mulheres interrompida por um dos maiores crimes políticos do país. No livro, Monica também fala sobre o processo de luto, o alcoolismo e a depressão.

 


Em “Marielle e Monica: uma história de amor e luta”, com o selo da Editora Rosa dos Tempos, o olhar íntimo de Monica Benicio distancia Marielle da figura política para revelar uma mulher de carne e osso. Escrita como parte do processo terapêutico de Monica no luto pela morte da esposa, assassinada em 2018, a biografia narra história de um amor que lutou por mais de uma década para ser reconhecido. Em menos de 48h de pré-venda, livro entrou para a lista de mais vendidos da Amazon.

 

'Poder parir esse livro, que não é só uma história de amor, mas de amor entre duas mulheres com todo o peso, fúria, desencontros e dores que isso gera é um alívio e também a forma que encontrei de não morrer junto, de insistir na memória imperecível e de lutar por justiça. Não a justiça que o Estado Brasileiro deve a mim e aos familiares de Marielle. Mas a justiça que o mundo deve a Marielles que, como ela, moveram as estruturas para construir um lugar digno pra nós mulheres, mulheres lésbicas, LGBTs, faveladas e favelados, pessoas negras, pobres', enfatiza Monica Benicio sobre a biografia.

 



O COMEÇO

Em 2004, quando Monica Benício topou passar o carnaval com as amigas numa praia em Saquarema, mal sabia ela que sua vida mudaria para sempre. Nessa viagem, outra convidada, até então desconhecida, roubaria sua atenção de forma arrebatadora. “Eu precisei levantar bem a cabeça e erguer meu pescoço para que meus olhos pudessem finalmente enxergar o rosto dela”, conta Monica. “Era uma mulher alta, linda, com sorriso largo e um brilho no olhar que parecia um farol. Tinha luz própria”. Diante dela, surgiu uma jovem chamada Marielle, de apenas 24 anos, que seria sua companheira inseparável – não apenas daquele carnaval, mas da vida.

 

Marielle e Monica logo se tornaram melhores amigas. E, dessa amizade, aos poucos, um amor genuíno foi ganhando espaço até o ponto em que tomou conta de tudo. Elas se apaixonaram perdidamente e deram início a um namoro às escondidas. No entanto, o jovem casal muito em breve se veria em maus lençóis. Com dificuldades para afirmar a relação com Monica, Marielle tinha inseguranças que a afastaram da amada.

 



A partir daí, deu-se uma sucessão de idas e vindas, que contaram com muitos períodos de afastamento e de reaproximação, ao longo de 14 anos de uma conexão intensa. Acontecesse o que acontecesse, elas se mantinham por perto, mesmo quando estavam vivendo outras relações. Até que, enfim, se acertaram. Monica estava ao lado de Marielle quando ela definiu que entraria para a política – decisão que mudaria não apenas a vida delas, mas também marcaria definitivamente a história do Brasil.

 

Pela primeira vez, Monica Benicio conta, em “Marielle e Monica: uma história de amor e luta”, a história de amor que fez sua vida se entrelaçar com a de Marielle Franco. Desde um quartinho na favela da Maré, que serviu de abrigo para encontros, até o gabinete 903 na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, onde Marielle Franco trabalhou, esta é uma história de amor emocionante e surpreendente, cheia de reviravoltas e fatos inusitados, que faz jus a qualquer novela de grande sucesso de público e crítica. Um amor tão profundo e bonito que, agora, conquistará leitores e leitoras pelos quatro cantos do mundo.

 

“Nestas linhas, regida por uma coragem absoluta, Monica fala do seu desejo de morrer e do impacto arrasador do alcoolismo em seu processo de luto. Lutar por justiça por Marielle também foi lutar por sua sobrevivência. Ao concluir este livro, seis anos depois de sua perda dilacerante, Monica Benicio revela um feito enorme: sua pulsão e desejo da própria vida” – Fernanda Chaves, jornalista, amiga do casal e sobrevivente do atentado que vitimou Marielle Franco e Anderson Gomes.

 


“Monica teve que lutar fortemente, até pelo direito à sua viuvez. Tanto quanto lutou para viver seu grande amor. Pelo simples fato de serem duas mulheres. ‘A luta mudou nossa vida para sempre, mas também nos fez perder o medo de lutar”. Este livro tem uma enorme importância também porque nos deixa conhecer e acarinhar esses fatos, esse amor inspirador, que se desdobrou em tantas lutas e nos deu uma aliada na vida como Monica Benicio” – Zélia Duncan, cantora e ativista pela comunidade LGBTQIAPN+

 

“Um amor bonito de se ver. De se embebedar. De se compartilhar. Mari me apresentou Monica na Maré, e logo de cara me embebedei com pé sujo na cama delas. Monica ficou braba, e ali compartilhamos um amor que nunca teve fim. Ali eu conheci outra Marielle: mais intensa, mais linda, mais inteira. Um amor bonito de se ver” - Talíria Petrone, deputada federal e amiga do casal Marielle e Monica

 

“Sabe um amor que vem tão forte, que contagia todo mundo em volta? […] Agora, com este livro, essa história fica registrada para sempre – o tempo de duração desse amor” - Juliana Farias, antropóloga, lésbica e amiga do casal Marielle e Monica desde 2008.




SOBRE A AUTORA

Monica Benicio (Rio de Janeiro/RJ, 1986) é viúva de Marielle Franco. É militante dos direitos humanos, ativista LGBTQIAPN+ e mestre em Arquitetura (PUC-Rio). Em 2020, foi eleita vereadora pela cidade do Rio de Janeiro. É uma das vozes mais atuantes por justiça para sua esposa, Marielle, socióloga e vereadora carioca que foi brutalmente assassinada em 14 de março de 2018. Até a finalização deste livro, quase seis anos após o assassinato, o inquérito que investiga os mandantes e as motivações desse crime ainda não foi concluído. Para manter vivos o legado e a memória de sua esposa, Monica Benicio dedica sua vida a divulgar os ideais políticos de Marielle Franco e a denunciar o conluio que a vitimou.

 

Seu trabalho destemido é reconhecido no Brasil e internacionalmente. A missão é, ao mesmo tempo, honrosa e arriscada. Organizações de defesa dos direitos humanos apontam o Brasil como o país onde há maior ocorrência de assassinatos por motivação política em todo o mundo, situação que demanda mudanças urgentes na proteção de lideranças de minorias em risco de vida.

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Lançamento de "Desaparecimento Forçado” acontece hoje (5), na Livraria Folha Seca, no Centro do Rio de Janeiro

 

O livro "Desaparecimento Forçado: Vidas Interrompidas na Baixada Fluminense" é o relatório final de um projeto de extensão e pesquisa fruto da parceria entre o Fórum Grita Baixada e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, através do grupo de pesquisa Observatório Fluminense. O lançamento acontece hoje (5/4), às 17h, na Livraria Folha Seca (Rua do Ouvidor, 37), no Centro do Rio de Janeiro.

 



A obra teve financiamento de uma emenda parlamentar do então Deputado Federal Marcelo Freixo e traz o mapeamento das diferentes dinâmicas de se fazer desaparecer pessoas na Baixada Fluminense.

 

Para tanto, valeu-se de diferentes metodologias: levantamento bibliográfico, análise dos bancos de dados do Disque Denúncia e do Instituto de Segurança Pública e acompanhamento de páginas do Facebook locais.

 

Contou também com a análise da legislação nacional e internacional e das movimentações de propostas no Congresso Nacional. A partir do trabalho de campo junto a mães e familiares de vítimas da violência de Estado, o relatório traz o cotidiano por eles vivido e registra o trabalho de arteterapia por eles desenvolvido.

Livro "Um Novo Tempo" relembra os 60 anos do golpe e os 45 anos da anistia

 

Coletânea reúne 30 autoras e autores que escreveram relatos sobre os tempos sombrios da ditadura brasileira; Renda será revertida para a Ação da Cidadania

 

Publicado como forma de relembrar os 60 anos do golpe militar que deu início à ditadura que durou 21 anos e deixou marcas que ainda persistem entre nós, e dos 45 anos da Lei da Anistia, sancionada após ampla mobilização social, ainda durante a ditadura militar, pelo então presidente João Batista Figueiredo, o livro “Um Novo Tempo” traz relatos fundamentais para lembrar e relembrar o que aconteceu entre 1964 e 2023, o que a ditadura destruiu e ainda continua tentando. As lembranças dos tempos de luta permanecem e reafirmam a importância da democracia e do Estado de Direito, sobretudo nos dias atuais.

 



“O golpe de 1964 é antigo, mas não é passado. Os jovens de hoje não viveram a ditadura militar, que tão mal fez ao Brasil, mas puderam testemunhar o que aconteceu no 8 de janeiro de 2023, e como a democracia é frágil neste país. No entanto, o governo brasileiro afirma que o golpe é passado e que não devemos mexer na História. Mas é exatamente assim que ela se repete. Falar sobre isso se torna ainda mais fundamental nesses 60 anos do golpe, para que a gente não se esqueça, para que nunca mais aconteça”, ressalta Daniel Souza, um dos organizadores do livro e filho do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que também assina um dos capítulos.


Daniel Souza

Dividido em três seções (A esperança Equilibrista, Choram Marias e Clarisses e Não Há de Ser Inutilmente), a primeira traz uma seleção de textos publicados no livro Sobrevivi para Contar, de 1999, data em que se comemorava os 20 anos da anistia, e que aborda a relevância dos textos ainda hoje e a importância dos relatos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pela ditadura, um testemunho deste momento. A segunda seção reúne textos produzidos por conta dos 50 anos do golpe, em 2014, que nunca foram publicados e agora estão disponíveis para o público. Já no terceiro bloco foram contempladas análises e olhares históricos desses 60 anos do golpe e dos 45 anos da anistia.

 

“Não podemos mudar o passado, mas podemos aprender com ele. O livro entrelaça o necessário debate sobre a visibilidade da violência da ditadura com a história da luta social pela anistia. Assim, mescla a memória da repressão em paralelo à memória da resistência. Relembrar significa tanto aprender a não repetir o erro autoritário quanto aprender com o êxito da geração anterior em lutar para defender a democracia”, afirma Paulo Abrão, que também organizou os capítulos.


Paulo Abrão

Como afirmam os organizadores, “a obra, mais do que uma denúncia, é um instrumento de conscientização para os mais jovens que não viveram este período sombrio de nossa história, onde milhares de cidadãos foram perseguidos, torturados e mortos”.

 

“Os traidores da Constituição de um país devem ser lembrados todos os dias, para jamais retornarem a ferir anseios populares. Autores e autoras não nos contam somente sobre as dores sofridas durante às sessões de tortura, sobretudo porque ‘fraco é o ferro frente ao sonho que nos une’. Nos falam também das mãos sanguinárias de uma ditadura retardarem e destruírem o sonho civilizatório. A Ação da Cidadania mais uma vez cumpre seu ideário com esmero”, conclui Gylmar Chaves, que fecha o trio de organizadores do livro.

 

Gylmar Chaves


Vale ressaltar que “Um Novo Tempo” é uma parceria da Ação da Cidadania com a Mórula Editorial, e os direitos serão revertidos para a instituição, que há mais de 30 anos atua no combate às desigualdades sociais com ações por todo o Brasil.

 

Lista de autores

Alcione Araújo, Aldir Blanc, Arthur Poerner, Athayde Motta, Bete Mendes, Betinho, Cecília Coimbra, Chico Alencar, Chico Mário, Dulce Pandolfi, Frei Betto, Heloisa Teixeira, Heloneida Studart, Henfil, Hildegard Angel, Irles de Carvalho, Itamar Silva, Jaime Wallwitz Cardoso, James Green, Jessie Jane Vieira De Sousa, João Vicente Goulart, Jurema Werneck, Lucas Pedretti, Marilia Guimarães, Miriam Leitão, Pedro Tierra, Regina Sodré, Rose Marie Muraro, Vera Vital Brasil e Ynaê Lopes dos Santos.

 

SOBRE OS ORGANIZADORES

 

DANIEL SOUZA - Designer e produtor de cinema. Coordenou diversas campanhas na área de direitos humanos. Faz parte da Ação da Cidadania há 30 anos, sendo presidente do conselho da entidade desde 2011. Produziu 15 documentários sobre temas sociais como saúde, fome, direitos humanos e violência. Tem 7 livros publicados sobre ditadura, a Ação da Cidadania, além de biografias.

 

GYLMAR CHAVES - Escritor, poeta, pesquisador e palestrante. Autor de 23 livros, por 15 anos pesquisou sobre Bárbara de Alencar — avó do romancista José de Alencar, foi a primeira presa política do Brasil. Idealizador e coordenador da Coleção Pajeú — livros biográficos e históricos sobre os bairros de Fortaleza-CE, também se dedica ao projeto Vamos falar de amor.

 

PAULO ABRÃO - Doutor em Direito e professor especialista em direitos humanos. Atualmente é diretor executivo do Washington Brazil Office. Antes, atuou como Secretário Executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Diretor do Instituto de Direitos Humanos do Mercosul e Secretário Nacional de Justiça. Foi membro do Grupo de Trabalho para a criação da Comissão Nacional da Verdade e presidente da Comissão de Anistia.

 

FICHA TÉCNICA

Um Novo Tempo: 60 anos do golpe, 45 anos da anistia

Organização: Daniel Souza, Gylmar Chaves e Paulo Abrão

Preço de capa: R$ 66

Edição: 1ª

Editoras: Mórula Editorial

Número de páginas: 258

Formato: 14x21cm

Projeto gráfico: Patrícia Oliveira

Revisão: Marilia Pereira

"Era uma vez um quintal", de Andreia Prestes e Paula Delecave, mostra aos pequenos um pouco do que foi a Ditadura

 

Livro transforma o desaparecimento do militante João Massena Melo em poesia; A autora quis contar às crianças como era a vida na época do golpe de 1964, que completou 60 anos no último dia 31 de março


Escrito por Andreia Prestes e ilustrado por Paula Delecave a partir de fotos do álbum da família da autora, o infantojuvenil "Era uma vez um quintal", com o selo da Pallas Mini, conta a história da família da autora. Como o sobrenome deixa antever, Andreia é neta de Luís Carlos Prestes (1898-1990) por parte de mãe e de João Massena Melo (1919-), avô paterno, sobre quem a trama se desenvolve. Um dos líderes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Massena foi perseguido na Era Vargas e na Ditadura Militar, que completa 60 anos neste 31 de março.



De origem pernambucana, era operário tecelão e metalúrgico, presidente do Sindicato da categoria. Foi preso duas vezes por razões políticas. Em 1962, foi eleito deputado pelo Estado da Guanabara e, quando o golpe militar de 1964 se instaurou, ele foi cassado e caiu na clandestinidade.


No início dos anos 1970, militares invadiram a casa que aparece no livro e levaram os seus moradores. Quase todos foram liberados em três dias, mas João Massena permaneceu na cadeia. Foi solto dois anos depois e Andreia arrisca um palpite, muito discutido pelos seus parentes.


"Ficaram de olho nele e em outros militantes políticos e os assassinaram, já antevendo que, com a redemocratização do país, que só se consolidou na metade dos anos 80, poderiam se tornar lideranças políticas importantes", diz ela. "Em 2024 completa 50 anos que o vô desapareceu e essa dor continua muito presente", desabafa.


Este livro é sobre a dor de perder alguém assim, sumido no vento por sonhar com um mundo melhor, como está escrito em suas páginas cheias de plantas, memórias e esperança.


O leitor viaja até uma casa em Cascadura, subúrbio carioca, onde há cerca de sete décadas mora a dona Ecila, 94 anos, avó de Andreia e viúva de Massena. A origem dessa família data de 1947, quando Ecila e João se casaram. São eles que aparecem nas foto-ilustrações de "Era uma vez um quintal", uma delicadeza poética para contar sobre a brutalidade que foi o desaparecimento de um avô, tio, pai e marido.


"Esse tipo de violência praticada pelo Estado - o desaparecimento - é também uma estratégia de silenciamento. Digo pela minha família: ainda é muito difícil falar sobre esse desaparecimento", lamenta, mas com uma voz firme de quem assimilou o próprio destino e quer usá-lo sob a perspectiva do letramento político para a garotada de hoje.


Andreia Prestes pontua que existem poucos livros de autores brasileiros para crianças sobre o horror que foi a ditadura militar no país e que essa obra é a sua contribuição para que, desde a infância, se faça uma reflexão sobre a nossa história recente. Ela atuou muitos anos como professora das redes municipal e estadual do Rio e fez mestrado em História Comparada na UFRJ, atualmente é estudante do doutorado em Políticas Públicas de Educação, na Unirio.


A ideia de usar fotos reais como base das ilustrações partiu da Pallas Editora. Andreia vibrou mais uma vez. "A história ficou mais humanizada com as foto-ilustrações. A imprensa costuma estampar uma 3x4 nas matérias sobre desaparecidos políticos. A pessoa fica reduzida a um rosto. Quando mostra o quintal, a gente visualiza uma mulher, filhos, sobrinhos, netos, uma família. E a Paula Delecave fez um trabalho lindo. Foi um acerto!".


Andreia Prestes


Paula vem desenvolvendo há anos uma criação artística que une memória e colagens - em particular, relacionadas a arquivos fotográficos. Para ela, este livro foi um trabalho amplificado por se tratar de "uma página infeliz da nossa história", evocando um verso de Chico Buarque.


"Li muito do que consegui achar de registro sobre o Massena. Conversei com a Andreia, li o livro de memórias escrito pelo seu pai. Deparei-me com informações tão terríveis que me perguntava: Como traduzir esse período para as crianças? Ao mesmo tempo, as fotos da família revelam tanto! Percebi ali um afeto, uma força e uma delicadeza que tentei passar nas imagens. E, em outros momentos, a coisa precisava pesar também. Porque foi uma época extremamente dura e é preciso que essas memórias sejam passadas adiante", afirma a ilustradora.

"Era uma vez um quintal" típico do subúrbio do Rio, com uma Mangueira imensa oferecendo sombra à família e aos amigos, que continuam a se reunir para cantar, almoçar e lembrar de um tempo que nada apaga, nem os anos de chumbo. "Ah, tomara que o livro alcance muitas crianças e seja ponto de partida de muitas conversas sobre esse período. E também que nos ajude a lembrar daqueles que lutaram pela liberdade de expressão, sonharam - e ainda sonham - com um mundo mais justo", diz Delecave.

sábado, 30 de março de 2024

Reedição atualizada de livro sobre a história do Município de São Gonçalo será lançada no dia 12 de abril, no Empório Vírgula

 

Autora expõe erro histórico no brasão e na bandeira e reafirma tese sobre dia 6 de abril como aniversário da cidade

 

O brasão e a bandeira do município de São Gonçalo carregam um erro histórico há décadas. É o que revela a professora Maria Nelma de Carvalho Braga no livro "O município de São Gonçalo e sua história", 4ª edição atualizada e ampliada, que será lançado no dia 12 de abril, sexta-feira, às 18h, no Empório Vírgula, 235, Boaçu, São Gonçalo.


Professora Maria Nelma de Carvalho Braga 

A informação é fruto de pesquisas em várias fontes, até chegar ao modelo original: a conclusão foi que no brasão estampado na bandeira, a cana de açúcar e o café estão posicionados incorretamente em relação às datas, causando confusão sobre os períodos econômicos do município. Para a historiadora, é urgente que as autoridades façam a correção de um dos principais símbolos do município.

 

No livro de 588 páginas, Maria Nelma conta a história de São Gonçalo com detalhes, como a perda do distrito de Itaipu para o município de Niterói. A obra contém informações e documentos inéditos e uma coleção cartográfica criada e catalogada em 30 anos de pesquisas. A pesquisadora reafirma sua tese sobre a comemoração do aniversário da cidade no dia 6 de abril de 1579, marco da fundação, e não 22 de setembro de 1890, data da emancipação político-administrativa. Aos 79 anos, diz que não pretende lançar nova edição. Será?

 

“A obra de Maria Nelma se propõe a ser um compêndio de informações, mais do que de história, porque reúne dados geográficos, estatísticos, urbanísticos, sobre as instituições. Hoje em sua quarta edição ampliada e atualizada, é um material referencial para quem quer conhecer a cidade e a história de São Gonçalo”, ressaltou o historiador Rui Fernandes, da FFP-Uerj.



O professor lembrou que em 1997, no lançamento da primeira edição, havia um movimento de valorização dos trabalhos sobre a história da cidade, em que se destacavam Evadyr Molina e Salvador Mata e Silva, do Memor, e Maria Nelma elaborando seu estudo sobre São Gonçalo. Nesse período também surgiu o grupo de pesquisa “História de São Gonçalo: memória e identidade”, da Uerj.

 

Para o pesquisador Sérgio Toledo, a autora expõe através da sua obra um compêndio de anotações relevantes para pesquisas futuras. “Conheci Maria Nelma no Instituto Histórico e Geográfico de São Gonçalo, ela é testemunha de vários eventos marcantes na nossa historiografia. E a cada edição fez as devidas revisões históricas, diferentemente de historiadores que a antecederam, que não tiveram esse cuidado, guardando para si todo o repertório do arquivo histórico da cidade”, concluiu.

 

Maria Nelma receberá a Medalha Joaquim Lavoura, considerada a mais importante da cidade, no dia 5 de abril, às 13h30, na Câmara de Vereadores. É detentora de outros títulos, como o de Cidadã Benemérita Gonçalense (2019), pela Câmara Municipal de São Gonçalo, e Medalha Joaquim Nabuco (2010), pelo Instituto Histórico e Geográfico de Niterói (IHGN) e Associação Fluminense de Belas-Artes (AFBA).

 

Integrante da Academia Gonçalense de Letras, Artes e Ciências, é autora dos livros O município de São Gonçalo e sua história (1997, 1998, 2006 e 2024), Higienistas e cientistas brasileiros (2006), Minhas palestras: memorial (2018) e O município de São Gonçalo - uma história em resumo (2021).

 

SERVIÇO:

Evento: Lançamento do livro “O município de São Gonçalo e sua história”

Data: 12 de abril (sexta-feira)

Horário: 18h às 20h

Local: Empório Vírgula, 235, Boaçu, São Gonçalo

Entrada franca

Contato para vendas: 21-99945-3069 (Fernanda)

E-mail da autora: prof.marianelma@gmail.com

segunda-feira, 4 de março de 2024

Livro infantil “Senhor Pum” é o mais recente lançamento do poeta, escritor infantil e produtor cultural Bruno Black

 

Poeta, escritor infantil, produtor cultural, agente literário, educador social, ativista sociocultural e apresentador dos Programas "Xexelento da Peri" e "Tô Com Bruno Black". Este é um resumo das atividades desenvolvidas por Bruno Black, que acaba de lançar o livro “Senhor Pum! – O nascimento de uma amizade cheirosa!”, com ilustrações de Rafael Santana e selo da Editora Conejo.

 


Através de uma história encantadora e ricamente ilustrada, o autor explora temas importantes como a amizade, a diversidade e a aceitação. Euplídio, com sua vivência única de ser um menino de pele negra em uma família multirracial, mostra aos leitores a importância de se aceitar e abraçar a própria identidade. Laurita, a descolada cachorra de Euplídio, com sua inteligência incomum, aquece o enredo disposta a não perder sua posição no lar e apronta definitivamente!

 

E assim, com reviravoltas improváveis, um elo se forma entre o menino e o pum. Que nasce literalmente do pum do protagonista. Como? Enquanto a aventura se desenrola, somos levados a descobrir, junto com Euplídio, que o pum possui sentimentos, personalidade e o desejo de ser aceito. Com seu jeito irreverente e divertido, o Senhor Pum conquista Euplídio e ensina que a verdadeira beleza está além das aparências.

 

QUEM É O AUTOR

Morador da Comunidade do Fumacê, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Bruno Black vive de seus livros e de sua arte e já tem quase seis mil textos escritos. Largou tudo na vida para viver da poesia e investiu tudo que tem em si, além do apoio de seus fãs.


Seu lema, "Se tens um dom, seja!", se tornou famoso e tem salvo vidas e dado liberdade às pessoas para viverem através de seus dons. O sucesso foi tão grande que se transformou numa série de antologias anuais com o mesmo título, publicadas pela Editora Conejo.


Bruno Black


Bruno Black lançou, até o momento, quase 19 obras literárias nas principais Bienais Literárias do Brasil e em feiras internacionais (virtuais) e nacionais (presenciais), desde 2006, como autor. Uma de suas obras literárias, #Tarja Preta, que fala sobre saúde mental, se tornou um Best Seller, e seu livro infantil homenageando seu cachorro, Euclides, é um sucesso de vendas.

 

O poeta e escritor infantil ganhou mais de 20 prêmios ao longo de sua carreira, como o “Excelência Artística”, outorgado pela Apperj (Associação Profissional de Poetas do Rio de Janeiro) e o “Mestre dos Mestres”, conferido pelo Arte em Movimento (SP). A Câmara Municipal da Indústria e Comércio do Rio de Janeiro o homenageou com o título de “Liderança Negra que movimenta a economia”, em 2022, no Theatro Municipal.

 

Bruno Black é uma das principais atrações do "Ler Festival do Leitor", onde tem um Sarau que conquista quase 800 pessoas diariamente, com foco em alunos de escolas públicas e periféricos. Sua madrinha artística é uma das maiores cantoras da MPB, Zélia Duncan, enquanto o empresário David Santana é o seu padrinho.


Para este ano de 2024, além do lançamento de novos títulos, como o Senhor Pum, ele trabalha na reforma de seu espaço de criatividade, em sua sala na Comunidade do Fumacê, e pretende inaugurar o “Clube de Palavras”, onde vai apoiar novos artistas favelados e independentes, promover oficinas, trazer personalidades, realizar palestras e criar movimentos literários na comunidade.