quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Festival do Livro Vermelho do Rio começa hoje (5), na sede do Sinttel-Rio, com debate sobre elitismo histórico-cultural

 

FLIV-RIO acontece até sábado (7), com mais de 40 editoras e descontos de até 30%

A partir desta quinta-feira (05) e até o próximo sábado (07), das 9h às 19h, acontece o 2º Festival do Livro Vermelho do Rio de Janeiro, que contará com a participação de mais de 40 editoras. Os livros à venda têm descontos especiais e o público terá acesso a debates, sessões de autógrafos e atividades culturais.



 

O evento vai acontecer no Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no Estado do Rio de Janeiro (Sinttel-Rio),  que promove o festival junto com o Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) “O FLIV-Rio é esse palco para congregar o pensamento progressista e manter unidos academia, movimento sindical, ativismo, toda a sociedade civil, deixando a produção literária guiar a discussão”, explicou Francisco Izidoro, idealizador do festival e diretor do Sinttel-Rio. O FLIV-Rio será realizado na sede do Sinttel, que fica na Rua Morais e Silva, 94, no Maracanã.

 

O Festival do Livro do Rio de Janeiro / FLIV-RIO foi pensado para ser um espaço de lançamento, divulgação e debate amplo e diverso sobre a produção literária, política e cultural, com destaque para títulos que abordem a temática progressista, a chamada literatura de resistência, em defesa da democracia. A proposta é que o FLIV-RIO seja um encontro anual de reflexão sobre a conjuntura do país e do mundo, promovendo o contato entre leitores, autores e pensadores que estejam contribuindo com a análise do panorama político e social atual, assim como as propostas de reconstrução e fortalecimento do país. 

 


Entre os escritores convidados, destacam-se as sessões de autógrafos do jornalista e ex-ministro da Comunicação de Lula, Franklin Martins, dia 6, às 16h, com o livro: “Quem Foi Que Inventou o Brasil?”, da Editora Kottter. No dia 5, às 14h, será a vez do cubano Raúl Capote, com o livro: “Inimigo: a Guerra da CIA contra a juventude cubana”. No dia 7, às 14h, será a vez do escritor Cesar Calejon, com o lançamento do livro: “Esfarrapados: Como o elitismo histórico-cultural moldou as desigualdades no Brasil”, da Editora Civilização Brasileira.

 

A primeira edição do Fliv-Rio ocorreu na efervescência da campanha eleitoral de 2022, momento de forte ameaça ao Estado democrático de direito, no qual se disputou o destino do Brasil entre a barbárie e a civilidade. Diante da conjuntura urgente, as mesas e demais atividades do evento foram direcionadas para o enfrentamento ao fascismo, combate ao racismo e ao discurso de ódio, democracia em risco, posicionamento da mídia e marxismo.

 


Esses temas continuam tendo prioridade, uma vez que as sequelas dos anos de desmonte de políticas públicas e de direitos constituídos seguem prejudicando a população e o trabalho de conscientização e organização popular precisa continuar a ser feito. E o Fliv-Rio se coloca como esse espaço de produção de conhecimento conjunto e disseminação de ideias.

 

O evento tem como palco permanente o Sinttel-Rio, sindicato que, desde a sua fundação, se mantém ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras na defesa de um país justo, democrático e com igualdade de condições.

 


Veja programação completa:

 

Quinta-feira – 05/10

10h

DEBATE / AUDITÓRIO

Controle das Plataformas Digitais: normas, diretrizes e mecanismos.

Márcio Patusco e Flávia Lefèvre

MEDIAÇÃO: Marcello Miranda

 

RODA DE CONVERSA

Cria da Favela e Renata Souza

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS – Cria da Favela: Resistência à militarização da vida. ED. BOITEMPO

 

14h

DEBATE / AUDITÓRIO

Dieese: uma instituição da classe trabalhadora

Carlindo Rodrigues de Oliveira

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

– Greve e Negociação Coletiva: dimensões complementares da luta sindical. ED. DIALÉTICA.

– Greve e Negociação Coletiva no Brasil (1978-2018): grandes ciclos, configurações diversas. ED. DIALÉTICA

 

RODA DE CONVERSA

Identidade e classe social: Uma análise crítica para a articulação das lutas de classes e antiopressivas

Carlos Montaño

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

Identidade e classe social: Uma análise crítica para a articulação das lutas de classes e antiopressivas, ED. ANITA GARIBALDI

 

16h

DEBATE / AUDITÓRIO

Adoecimento mental de docentes: uma nova epidemia

Rodrigo Lamosa eAdriano Carlos Moura

MEDIAÇÃO: Afonso Celso Teixeira

 

RODA DE CONVERSA

Trabalho em tempos de crise

Maria Cristina Rodrigues eElina Pessanha

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

– Trabalho em tempos de crise, ED.LUMEN JURS.

 

17h

LANÇAMENTO / PALCO

Inimigo: a Guerra da CIA contra a juventude cubana.

Raúl Capote

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

– Inimigo: A guerra da CIA contra a juventude cubana. ED. CONSEQUÊNCIA

 

18h

DEBATE / AUDITÓRIO

Precariado é a nova classe trabalhadora. A regra é precarizar até mesmo entre os que tem emprego.

Ruy Braga, Reimont, Marcos Aurélio Santana e Luis Antônio Souza da Silva

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

– A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista (2012). ED. BOITEMPO

– A rebeldia do precariado: trabalho e neoliberalismo no Sul global (2017). ED. BOITEMPO

– Juventude trabalhadora e sindicatos. Formas e dinâmicas da ação coletiva no Rio de Janeiro. ED. 7LETRAS

 

DEBATE / PALCO

Comida de verdade no campo e na cidade: vamos falar de segurança alimentar e agroecologia?

Marina do MST e Ana Santos

 


Sexta-feira – 06/10

14h

DEBATE / AUDITÓRIO

80 anos de CLT, chega aos 90?

A estratégia patronal de desmontar a legislação trabalhista teve um ponto alto na reforma de 2017. Há esperança de reversão?

Jose Eymard Loguercio, Francisco Izidoro, Mônica Alexandre Santos e Marcos Chehab


15h

LANÇAMENTO / RODA DE CONVERSA

Ela ainda está entre nós

Hiran Roedel

COMENTÁRIO: Isa Martins

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

Ela ainda está entre nós. ED CARAVANA

 

16h

PALESTRA / AUDITÓRIO

Quem Foi Que Inventou o Brasil?

Franklin Martins

MEDIAÇÃO: Iara Cruz

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

– Quem Foi Que Inventou o Brasil? ED. KOTTER

 

LANÇAMENTO DE LIVROS/RODA DE CONVERSA

Um Porto Seguro para as Elites: Varnhagen e as Origens do Conservadorismo Brasileiro

Marcelo Barbosa e Roberto Amaral

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

– Um Porto Seguro para as Elites: Varnhagen e as Origens do Conservadorismo Brasileiro. Editora Odoyá.

 

18h

DEBATE / AUDITÓRIO

10 meses de Lula III. Avanços e recuos da esquerda numa conjuntura complexa e desafiadora.

Juliane Furno, Luiz Felipe Osório e Gilberto Palmares

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS DOS LIVROS:

– Economia para transformação social: pequeno manual para mudar o mundo, ED. AUTONOMIA LITERÁRIA

– Brasil sob escombros. Desafios do governo Lula para reconstruir o país, ED. BOITEMPO

 


Sábado – 07/10

10h

CONTAÇÃO DA HISTÓRIA E DANÇA DE RODA / PALCO

Jongando – Conhecendo o Jongo

Lucimar Cunha

 

12h

DEBATE / AUDITÓRIO

Educação Infantil: legislação descumprida e o crescimento das creches conveniadas

Rejane Siqueira eZezé Lourenço

MEDIAÇÃO: Marta Cerqueira

 

14h

DEBATE / AUDITÓRIO

Esfarrapados: como o elitismo histórico-cultural moldou as desigualdades no Brasil

Cesar Calejon, Rubens Casara e Verônica Lima

MEDIAÇÃO: Ingrid Gerolimich

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

– Esfarrapados: Como o elitismo histórico-cultural moldou as desigualdades no Brasil. ED. CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA

 

LANÇAMENTO DE LIVRO / RODA DE CONVERSA

Coisa de Preto: brevidades poéticas

Diogo Andrade

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

Coisa de Preto: brevidades poéticas. ED. VISEU

 

16h

DEBATE / AUDITÓRIO

O bolsonarismo tem futuro? A extrema direita no Brasil

João Cezar Castro Rocha, Paulo Henrique Cassimiro e Fernando Drummond

MEDIAÇÃO: Graziele Cardoso

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

– Bolsonarismo: Da guerra cultural ao terrorismo doméstico: Retórica do ódio e dissonância cognitiva coletiva. ED. AUTÊNTICA

– O populismo reacionário: ascensão e legado do bolsonarismo. ED. CONTRACORRENTE

– Genocídio: em nome de Deus. ED. KOTTER

 

17h

LANÇAMENTO DO LIVRO / PALCO

Com os Sapatos aniquilados, Helena dança na neve

Márcia Tiburi e Jean Wyllys

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS:

– Com os Sapatos aniquilados, Helena avança na neve. ED. NÓS

– O que não se pode dizer. Experiências do Exílio. Ed. Civilização Brasileira

 

18h

RODA DE SAMBA

com Abýas do Samba


quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Unesco elege Rio de Janeiro como Capital Mundial do Livro de 2025

 

Cidade assume o título no Dia Mundial do Livro, em 23 de abril

 

 


A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Capital Mundial do Livro, condição que assumirá a partir de 23 de abril de 2025, quando se comemora o Dia Mundial do Livro. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (4) pelo prefeito Eduardo Paes. “Somos a primeira cidade de língua portuguesa a ser escolhida para receber o título. É uma honra termos sido selecionados pela Unesco. Vamos continuar incentivando a leitura. E teremos dois anos de inéditos programas para valorizar ainda mais leitores”, disse Paes.


Prefeito Eduardo Paes

 

O município do Rio terá a missão de fomentar e coordenar eventos ligados à literatura. Já no próximo ano, a prefeitura iniciará as primeiras ações com esse objetivo. A cidade é sede das principais instituições e eventos da literatura nacional, como a Academia Brasileira de Letras (ABL), a Biblioteca Nacional (BN), o Real Gabinete Português de Leitura, a Bienal do Livro, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), a Festa Literária das Periferias (Flup).

 

O secretário Municipal de Cultura, Marcelo Calero, destacou a vocação histórica do Rio para ser a capital da cultura e da literatura. “Essa herança cultural foi reconhecida pela Unesco. Nossa candidatura foi selecionada em virtude das iniciativas propostas, como a rede municipal de bibliotecas “Bibliotecas do Amanhã” e uma série de outras ações que posicionarão o Rio de Janeiro como protagonista da leitura e da cultura brasileira”, sinalizou Calero.

 

Secretário Municipal de Cultura do RJ Marcelo Calero

O título de Capital Mundial do Livro é concedido anualmente pela Unesco a uma cidade que tenha demonstrado excelência em suas iniciativas de promoção literária. Cidades como Guadalajara (2022), Acra (2023) e Estrasburgo (2024) foram agraciadas com o título. A iniciativa visa garantir e democratizar o acesso à leitura, com foco especial nos jovens e em comunidades mais vulneráveis. Isso será alcançado por meio de uma série de programas e atividades que promovam o livro e a leitura.

 

Ações propostas

Nesta quinta-feira (5) será publicado decreto criando o Comitê responsável pela coordenação das ações ligadas aos eventos da Capital Mundial do Livro na cidade do Rio de Janeiro. Sob a liderança da Secretaria Municipal de Cultura, o Comitê será formado por representantes de diversos segmentos. O decreto estabelece uma marca temporária para o evento e prevê também concurso entre designers para selecionar a marca definitiva, que será o símbolo do evento em 2025.

 


Entre as ações propostas pela prefeitura na candidatura o Rio de Janeiro a Capital Mundial do Livro estão a modernização e requalificação da rede municipal de bibliotecas e salas de leitura, denominada Bibliotecas do Amanhã, com investimento de mais de R$ 16 milhões. Foi proposta também a expansão da Bienal como uma experiência inovadora e de multimídia. O evento também sediará o Primeiro Congresso de Literatura Latino-Americano, proporcionando um espaço de encontro para profissionais do mercado literário.

 

Outras ações incluem a intervenção literária urbana Book Parade, inspirada na bem-sucedida Cow Parade, quando artistas famosos serão convidados a criar instalações usando livros como elemento central e fonte de inspiração. Está prevista uma edição da Noite dos Livros, inserida no festival Paixão de Ler e inspirada no projeto anual de Madri, que apresentará maratona de 24 horas com palestras, competições, apresentações musicais, atividades infantis, workshops de teatro e mesas redondas. O programa Livro nos Trilhos, por outro lado, vai espalhar obras literárias em estações de metrô, ônibus e trens, tornando a leitura acessível a públicos diversos.


 


Para fomentar novos talentos no mercado editorial será criada a Academia Editorial Júnior. A iniciativa oferecerá treinamento e capacitação a jovens promissores interessados no campo editorial, promovendo a inclusão e criando oportunidades significativas para o crescimento dessa área. A prefeitura pretende fomentar outras ações em parceria com a sociedade civil e instituições privadas, estabelecendo um calendário de atividades para os próximos anos.

 

Fonte:

Agência Brasil-RJ

Texto: Alana Granda

Edição: Maria Claudia

domingo, 1 de outubro de 2023

"Receita de Diamante", biografia do chef João Diamante, será lançada segunda-feira (2), na Janela Livraria, na Gávea

 

Jovem expoente da gastronomia contemporânea brasileira, João Diamante é protagonista de uma história de superação e resiliência, mas também exemplo de transformação para além de si. Nascido na Bahia e criado no complexo do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o chef traz no nome o seu propósito no mundo: lapidar o próprio brilhante e construir caminhos para que outros jovens em situação de vulnerabilidade social também possam brilhar.

 

Misto de biografia, escrita por Simone Mota, e livro de culinária, Receita de diamante: Histórias e receitas do chef João Diamante, publicado pela Malê, percorre a trajetória de um brasileiro típico, um homem cuja origem se assemelha à de 80% da população do país. Preto e pobre, ele passou por diversas dificuldades sociais e econômicas, mas jamais desistiu. A perseverança para superar as adversidades valeu a pena e Diamante, aos 32 anos, coleciona conquistas jamais imaginadas pelo menino que precisou trabalhar ainda na infância. O lançamento será nesta segunda-feira, dia 2, a partir das 19h, na Janela Livraria, na Gávea, Rio de Janeiro. 

 


“Este livro é muito significativo para mim. Conto a minha história, a de um brasileiro comum que precisou não desistir nunca e se agarrou às oportunidades. Mas a obra traz também uma leveza, com receitas saborosas e fáceis de fazer. A minha vida se conecta com a cozinha que proponho e gosto de criar. Por isso, acredito que muitas pessoas possam se identificar com a leitura. Assim como a minha origem, esta história é para muitos paladares e estilos de leitores”, avalia o autor.

 

Depois de trabalhar na cozinha do Iate Clube do Rio de Janeiro, João Diamante foi selecionado para um estágio no Le Jules Verne, icônico restaurante da Torre Eiffel, em Paris, sob o comando do lendário chef Alain Ducasse. De volta ao país, a convite da chef Flávia Quaresma, integrou a equipe do Fazenda Culinária, restaurante do Museu do Amanhã, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. E, ao lado de Paola Carosella, foi jurado do Minha mãe cozinha melhor que a sua, reality show culinário da TV Globo.

 

Entre os prêmios conquistados durante sua caminhada, está o da revista Forbes que elege os 30 jovens mais talentosos e promissores do Brasil. Em maio de 2023, conquistou mais um grande feito: cozinhar para o atual presidente do Brasil e outros 11 chefes de Estado. “Quem está cozinhando para líderes de diversos países não é o João Diamante e, sim, todos pretos, nordestinos, periféricos e favelados”, destaca o chef.

 

Para Diamante, o segredo do sucesso, porém, não está somente no preparo de uma receita especial ou na revelação de um talento fora da curva. Não se trata de meritocracia, um termo tantas vezes mal-utilizado. Ele destaca, sobretudo, que, sem a rede de apoio que recebeu por meio dos projetos sociais que aconteciam (e ainda acontecem) na comunidade Nova Divinéia, nenhuma conquista teria sido possível. 

 

“É preciso uma aldeia para educar uma criança”, diz um provérbio africano. Essas iniciativas são fundamentais para fomentar oportunidades de aprendizado às crianças e aos jovens que vivem à margem dos direitos básicos de todo cidadão. É a partir desse reconhecimento que Diamante pensa a própria carreira e contribuição social. 

 

Há anos, ele se dedica a um trabalho orientado na gastronomia como ferramenta de transformação e inclusão social, por meio do projeto Diamantes na Cozinha, que já impactou no Brasil mais de 3,5 mil pessoas. É também proprietário da lanchonete É Nóis, onde dá visibilidade a pequenos empreendedores. 

 

“João Diamante encontrou mais do que uma vocação, ele enxergou na profissão uma ferramenta poderosa de transformação social. Percebeu que com essa ferramenta poderia oferecer a outras pessoas um pouco do tanto que tinha aprendido nas cozinhas por onde já havia estagiado ou trabalhado e, assim, multiplicar acessos e oportunidades”, avalia Simone Mota, no prefácio da obra.

 

Receitas afetivas e saborosas e um capítulo à parte

Os capítulos do livro entremeiam receitas que esbanjam sabor e brasilidade com a vida de João Diamante. Começa pela infância na Bahia, passa por sua chegada ao Rio de Janeiro, o período em Paris, os projetos gastronômicos e sociais no Brasil, até chegar aos últimos acontecimentos, quando Diamante foi convidado para cozinhar no Palácio Alvorada em um encontro entre chefes de Estado da América do Sul. 

 

As receitas do chef são um capítulo à parte. Entre os pratos selecionados, o livro perpassa diversas fases e etapas de suas criações autorais, e apresenta delícias como berinjela laqueada e cuscuz, camarão cremoso, bolo de fubá com coco, carpaccio de abobrinha, costela suína glaceada e  baião de dois.

 

Ao final da obra, há ainda um capítulo especial intitulado Receitas de Diamante. Além de apreciar as imagens de cinco pratos autorais, os leitores poderão assistir a vídeos do chef em ação, acessíveis por QR Code. Uma verdadeira aula prática para quem gosta de boas e saborosas histórias.

 

Minibios

João Diamante nasceu na Bahia e foi criado em uma favela no Rio de Janeiro. Com base forte dentro de projetos sociais e através da cultura, da arte e da educação, conseguiu ultrapassar diversas barreiras ao longo de sua jornada. É hoje um dos chefs mais renomados do Brasil, dono de uma história de vida vitoriosa, mesmo com todas as dificuldades e adversidades. 

 

Simone Mota nasceu na cidade do Rio de Janeiro e foi criada no bairro de Todos os Santos. Descobriu a paixão pelos livros por meio da literatura para jovens. É roteirista e curadora de projetos culturais. Atualmente, atua como curadora da programação infantil da Flup. A gastronomia faz parte da sua vida não apenas pelo prazer das suas experiências. Simone aprendeu a cozinhar cedo, ainda no final da infância, quando ajudava sua mãe a fazer salgadinhos e pães para vender. 

 

SERVIÇO: 

Lançamento e noite de autógrafos do livro “Receita de diamante: Histórias e receitas do Chef João Diamante” com João Diamante e Simone Mota

Dia 02 de outubro, às 19h

Local: Janela Livraria, no Shopping da Gávea

Rua Marquês de São Vicente, 52, terceiro piso, Loja 368, Gávea, Rio de Janeiro

A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, apresenta homenagem aos irmãos “Bemvindo” na Festa da Penha

 

Evento com diversas atividades culturais acontecerá no próximo dia 8 (domingo)


Manhã de Autógrafos, exibição de filme, roda de Capoeira e roda de Conversa na programação da 388ª edição da Festa da Penha, que volta ao bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, após a última realização no ano de 2020. No próximo dia 8, domingo, a partir das 8h começa o evento, com produção do professor e capoeirista Raphael Teixeira, autor do livro: MESTRE TOURO E MESTRE DENTINHO: os irmãos Bemvindo da Penha, que será lançado na data.

  


Raphael Teixeira é mestre em Memória Social (UNIRIO). Graduou-se em Filosofia (UERJ), Artes Cênicas (UNIRIO) e há mais de 30 anos trabalha nas áreas de Cultura, Meio Ambiente, Arte e Educação junto aos territórios populares da cidade do Rio de Janeiro. Atualmente leciona a disciplina Filosofia, na Diretoria Especial de Unidades Escolares Prisionais e Socioeducativas (DIESP/SEEDUC-RJ).


Além do lançamento, os livros nos formatos físicos e e-books ficarão em escolas e bibliotecas da região à disposição dos leitores interessados pela biografia dos irmãos Bemvindo.. Para Raphael Teixeira, a história dos mestres Touro e Dentinho, que morreu em 2011 aos 60 anos, é uma contribuição valiosa para que a capoeira atuante na Penha se propague pelo mundo.


“Olhar a Penha hoje é percebê-la com respeito e alegria. Mesmo sem morar no bairro, conheci e convivi, durante longos anos, com os irmãos Bemvindo que me guiaram através desse berço cultural onde o samba, a capoeira e a religiosidade lusa e afro-brasileira se encontram na Festa da Nossa Senhora da Penha. Tive o prazer de dirigir o curta-metragem documentário “Bemvindo” que completa 20 anos em outubro. Ele será celebrado com o livro sobre os Mestres”, comenta Teixeira.


Mestre Dentinho: nascido em 25/06/1952, em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, teve contato com o capoeirista Fernandinho da Bahia e através dele foi iniciado na capoeira. E a partir da composição da capoeira baiana e de elementos da capoeira carioca, Mestre Dentinho desenvolveu um estilo próprio de jogar capoeira, denominado por alguns de seus discípulos como “Angola da Penha”.


Grupo Auê: um dos mais antigos do Rio de Janeiro, o Grupo Auê foi fundado por Mestre Dentinho e hoje é liderado por seu filho, Mestre Alcino Bemvindo.

Mestre Touro: Antônio Oliveira Bemvindo é nascido em 03/11/1950, Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo. Iniciou seus conhecimentos na capoeira com Mestre Celso Pepe, discípulo de Mestre Leopoldina. Em 23 de abril de 1964 fundou o Grupo Corda Bamba.


Corda Bamba: o grupo comandado pelo mestre Touro, formou diversos mestres que hoje estão espalhados pelo mundo. Entre eles, o Mestre Preto Velho, Dennis Newsome - fundador do grupo de capoeira “Os Malandros do Mestre Touro”, com sede em Dallas, Estados Unidos - e o Mestre Guinho, que fundou o grupo “Oxés de Ouro”, em Valência, na Espanha. Com isso, a capoeira de mestre Touro seguiu pelos continentes.



Legado do Mestre

Além do grupo Corda Bamba, o mestre Touro também fundou o Espaço Cultural Manduca da Praia que é um local de acolhimento para as rodas de capoeira, onde podem ser realizadas. Também outras manifestações afro-brasileiras, como rodas de samba, culinária afro-brasileira e religiosidade. Assim contribuindo para a revitalização da região e resgatando a tradição das antigas festas da Penha.
O grande símbolo do Espaço Cultural Manduca da Praia é a estátua Homens de Fibra que homenageia os irmãos Bemvindo: Mestre Touro e Mestre Dentinho (in memoriam), ambos oriundos do Espírito Santo, mas que fizeram da Penha sua casa e onde começaram a praticar capoeira. A estátua simboliza a declaração da Roda de Capoeira do Largo da Penha, representada pelo Mestre Touro Bemvindo, e considerada como Patrimônio Imaterial da Cultura Carioca. A aprovação na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, pelo então Vereador Leonel Brizola Neto, foi através do projeto de Lei n° 1.490/2019.


Outra Lei, de número 5051/2021, autoria da Deputada Estadual Renata Souza, também declarou a Roda da Penha e o Espaço Cultural Manduca da Praia como Patrimônio Histórico e Cultural, Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.


Programação da manhã de autógrafos
• 8h/9h - café da manhã com exibição do filme BEMVINDO  
• 9h/10h - Roda de Conversa com participações: Arthur Lucena (Valores da Penha), Jorge Bemvindo, Mestre Alcino (filho do Mestre Dentinho), Ramildo Belizário da Silva (Pres. da Ass. De Moradores das 4 Bicas e FAFERJ), Raphael Teixeira (Autor) Mestre Touro, Prof. Dr. Gabriel Cid, Prof. Dr. Sérgio Luiz e Padre Sardinha (capítulo sobre a Festa da Penha)

• 10h/11h - Mesa de autógrafos
• 11h/12h - Roda de Capoeira
• 12h – Confraternização
• 13h –Encerramento

O projeto teve incentivo do Programa de Fomento à Cultura Carioca - FOCA da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro (PCRJ) e da Secretaria Municipal de Cultura (SMC).



SERVIÇO

Manhã de Autógrafos na Festa da Penha
LIVRO: “MESTRE TOURO E MESTRE DENTINHO: os irmãos Bemvindo da Penha”, de Raphael Teixeira
COM Roda de Capoeira, Roda de Conversa e exibição do filme documentário BEMVINDO (Raphael Teixeira)
DIA: 8/10, domingo, a partir das 8h, evento gratuito
LOCAL: Igreja Nossa Senhora da Penha (sala 13)
ENDEREÇO: Largo da Penha, 19 - Penha, Rio de Janeiro

"Encruzilhadas Suburbanas", literatura carioca para além do cartão postal, com cerveja e feijoada, é lançado em Cascadura

 

A diversidade cultural carioca e os modos de viver suburbanos são o mote da antologia organizada por Pedro Machado a partir da produção do mutirão Rolé Literário. Evento de lançamento foi neste domingo (1º/10), no Bar do Papa, QG do coletivo em Cascadura, com cerveja gelada e feijoada

 

Encruzilhada

Substantivo feminino

1.    Lugar onde se cruzam ruas, estradas, caminhos; cruzamento, encruzada FIGURADO: ponto crítico, em que uma decisão deve ser tomada.

2.  Segundo o Candomblé, é portal, poder de realização e oportunidade de novas escolhas. É onde está Exu, as grandes mães ancestrais, toda gênese, Egungun e toda a ancestralidade.

 

Sob as bênçãos de Lima Barreto, Solano Trindade e Carolina Maria de Jesus, nos reunimos nestas Encruzilhadas Suburbanas! Os caminhos chegam na encruzilhada ou começam nela? Os subúrbios são encruzilhadas, tanto pelos encontros que permitem, quanto por serem pontos seminais de cultura. Cada subúrbio é uma encruzilhada de gentes e culturas. Como pensar a cultura do Rio de Janeiro sem refletir sobre os subúrbios da cidade? 

 


Criado em 2019 no subúrbio do Rio de Janeiro, o mutirão Rolé Literário, como se autoidentifica o coletivo, reflete a diversidade da produção literária contemporânea da cidade com ênfase na pluralidade do imaginário suburbano carioca. O grupo ganhou visibilidade a partir da publicação de um texto coletivo em uma rede social em setembro do mesmo ano com o tema “Dia de São Cosme & São Damião”. Logo após a pandemia, o movimento cultural intensificou as atividades em encontros frequentes no Bar do Papa, em Cascadura, espaço que se tornou conhecido como o QG do mutirão. O lançamento do livro, com todos os autores reunidos, será no dia 01 de outubro, a partir das 13h, com cerveja gelada e feijoada. 

 

“Queremos nos permitir (e permitir a outros) a alegria de exercer a criação em mutirão. Não queremos mais esperar alguém ‘nos dar a fala’. Decidimos pegar o microfone. Valorizar nossa capacidade de criar. Para ficar bonito: a nossa poiesis. Libertar nossa escrita. Nossa literatura bebe cerveja, sai no bloco das piranhas, pede licença aos orixás.”, aponta o manifesto do Rolé Literário.

 

Mestre em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e autor de diversos livros, Pedro Machado assumiu o desafio de organizar a antologia Encruzilhadas suburbanas (Oficina Raquel), reunindo em um livro pela primeira vez a produção inédita de 23 autores do subúrbio, transitando entre o conto e a crônica literária. 

 

Os autores por ordem da organização dos textos são: Fábio Carvalho, Janaína Nascimento, Cecília Silva, Marcel Felipe Omena, Fabbi Silva, Flávio Braga, André Pereira, Tamiris Coelho, Philippe Valentim, Luly Tavares, Michel Saraiva, Rosana Rodriguez, Eliseu Banori, Dandara Suburbana, Drika Castro, Márcia Pereira, Márcio Sales Saraiva, Paula Ferraz, Sued Fernandes, Matheus Soares, Sylvia Arcuri, Pedro Machado e Angelica Alves.


 


O lançamento aconteceu na tarde deste domingo (1º 10), no Bar do Papa, em Cascadura, com sessão de autógrafos, sarau lítero-etílico, competição de purrinha, pipaço, cerveja gelada e a feijoada clássica do Papa. 

 

“Falamos de subúrbios, não de subúrbio. A atividade do Rolé Literário destaca a diversidade dos subúrbios, cada um deles internamente também marcado por essa diversidade. Nada seria mais próprio para exaltar os subúrbios do Rio na Literatura do que a diversidade de autores e narrativas, nas diversas encruzilhadas que os caminhos dessas narrativas podem encontrar”, destaca Machado no prefácio da obra.

 

O livro celebra a pujante diversidade cultural de um Rio de Janeiro que não aparece nos cartões-postais da cidade e se descola de estereótipos e preconceitos enraizados, a partir de quatro eixos narrativos, ou caminhos – dos retratos, dos desgostos e tensões, da memória e das metamorfoses – que se encontram numa encruzilhada, ponto de chegada ou de partida dessas histórias. 

 

São histórias que trazem representações das vivências, refletem sobre as tensões das opressões e violências, mas valorizam, sobretudo, a memória de grandes personagens locais, e as metamorfoses de pessoas que, apesar de todas as dificuldades, se transformam e criam novas formas de viver.

 

O samba, o Carnaval e o terreiro estão presentes em diversas narrativas, assim como a negritude e as manifestações das religiões afro-brasileiras, além de referências a Lima Barreto, Carolina Maria de Jesus e Solano Trindade. Pedro Machado destaca, ainda, a recorrência de narrativas que retratam a diversidade religiosa. 

 

“Quando surgiu a ideia de publicar a antologia pela Oficina Raquel, o único pré-requisito apresentado aos autores foi a ambientação das histórias no subúrbio carioca. Surpreendeu-me a variedade dos estilos literários reunidos, que traçam um mapa bem atual do subúrbio nos dias de hoje e como a religiosidade em suas múltiplas manifestações são retratadas”, avalia.    

 

Pedro Machado

Sobre Pedro Machado, organizador de Encruzilhadas suburbanas: 

Escritor, poeta e professor, Pedro Machado é mestre em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela UFRJ, autor do romance Brilha a escuridão dos teus olhos (2020), da obra Introdução às Literaturas Africanas (2021) e do livro de contos Desnudo (2022), livros publicados pela Editora Alpheratz. Integrou também as publicações Cadernos Negros Volumes 43 e 44, publicadas pelo Quilombhoje. Encruzilhadas Suburbanas, obra publicada pela Editora Oficina Raquel, é a quarta antologia organizada pelo autor.