No cotidiano da metrópole embrutecida e
intolerante, há quem defenda e preserve a chama da alegria e da solidariedade,
que forjaram a alma carioca. Gente que zela pela boa convivência entre vizinhos
e visitantes, moradores e turistas, frequentadores habituais e bissextos. Vamos
contar a história dos personagens que se dedicam à causa de um lugar melhor
para viver. O comerciante fiel ao atendimento personalizado e carinhoso; o artista
defensor das festas na rua; a matriarca que mantém vivo o ritmo ancestral; o
professor que distribui saber na praça – todos guardiões da alma carioca.

Esses personagens contarão a história de outra
cidade, que sobrevive apesar dos problemas. Eles estão por todos os bairros, em
vários formatos, estilos, trajetórias. Suas histórias desfilam por 178 páginas
do livro ilustrado Necessários Guardiões
da Alma Carioca, com texto do jornalista Aydano André Motta, fotos de Paulo
Marcos de Mendonça Lima e design de Télio Navega. A obra ainda traz homenagem a
uma guardiã inesquecível – Marielle Franco.
 |
| Aydano André Motta é o autor dos textos |
O livro, com o selo da Editora Portunhol, será
lançado no próximo dia 17 (quinta-feira),
na Casa Porto (Largo de São Francisco da Prainha, 4), com a presença dos
homenageados.
Os personagens:
Tia
Maria do Jongo. Mantém o Jongo da Serrinha, manifestação que
preserva as características do tempo dos escravos. Aos 97 anos, lidera o grupo
em shows pelo Brasil e comanda a Casa do Jongo, no pé do Morro da Serrinha.
Alfredinho
do Bip-Bip. Dono do bar ícone de Copacabana, na Rua
Almirante Gonçalves, mantém o lugar sem funcionários – quem quiser cerveja,
deve pegar e deixar o dinheiro numa pequena caixa. Assumidamente de esquerda,
Alfredinho defende a boemia e pratica a fraternidade no seu próprio negócio.
Ivan
Sant'Ana. Neurocirurgião e chefe da emergência do Miguel Couto. Um
raro caso de médico negro e de origem pobre no Brasil. Envolve-se com os
pacientes, chora junto e ajuda muito mais do que o esperado pela sua função.
Silvério
Silva. Engenheiro aposentado dedica 4 horas de seu dia para
ensinar matemática gratuitamente em praças de Botafogo e do Aterro do Flamengo.
Começou sozinho, mas ganhou a companhia de outros professores, chegando a mais
de 100 alunos. “Se todo mundo passar o que sabe para alguém que precisa, a
violência acaba”, defende ele.
Marquinhos
de Oswaldo Cruz. Criador da Feira das Yabás e do Trem do Samba,
transformou-se num defensor do samba e da cultura popular. Cria da Portela, preserva
a memória dos mais antigos e das escolas de s
amba.
Eliana
Sousa Silva. Educadora e ativista que criou e mantém a ONG
Redes da Maré, no complexo de favelas onde cresceu, após chegar, com 7 anos, do
sertão da Paraíba, onde nasceu. Constrói parcerias em nome do desenvolvimento
sustentável da população de lá. A instituição hoje sustenta mais de 20
projetos.
Luiz
Antonio Simas. Um dos mais importantes intelectuais cariocas
da atualidade, colhe seu saber nos bares e terreiros. Ocupa-se de escolas de
samba, do povo de rua, dos botequins e do axé. Babalaô da religião ifá, é professor
de história e tem uma legião de fãs que não para de crescer.
Tião
Santos. Presidente da Cooperativa dos Catadores de Jardim Gramacho,
ganhou fama planetária no documentário “Lixo Extraordinário”, de Vik Muniz. Tem
os rejeitos como uma espécie de religião e tira deles o sustento de sua família.
Luta pelo ressarcimento aos catadores após o fechamento do lixão de Jardim
Gramacho.
Maria
Eduarda Aguiar. Primeira advogada transexual a usar o nome
social na carteira da OAB, trabalha contra a intolerância aos LGTBI+. Lutou em
processos como o dos transexuais nas Forças Armadas.
Regina
Tchelly. Criadora do projeto gastronômico Favela Orgânica, no Morro
da Babilônia, iniciativa que reaproveita alimentos descartados em receitas
deliciosas. Usando mão de obra local, Regina tornou-se empresária social e já
levou o projeto a alguns países da Europa.
Jessé
Andarilho. Escritor e ativista cultural, vive na Favela de Antares, em
Santa Cruz, que serve de cenário para seus romances. Escreveu os livros num
celular, nas viagens de trem do extremo da Zona Oeste ao Centro carioca. Mantém
o movimento Marginow, que revela novos artistas e promove saraus de poesia em
diversos lugares, no Rio e fora dele.
Otavio
Livreiro. Filho de um pedreiro e uma empregada doméstica, apaixonou-se
desde cedo pelos livros. Hoje mantém biblioteca na Grota, Complexo do Alemão, e
o passeio literário, onde, com uma mala de livros e um tapete vermelho, reúne
crianças para contar histórias.
Pastor
Henrique Vieira. Professor de história, evangélico, negro e
progressista, denuncia os “coronéis da fé”. Defende o estado laico, a luta
contra o racismo, a intolerância religiosa, o patriarcado e o machismo. Luta
também pelos direitos dos LGBT+.
Marcela
da Matta. Produtora de novos talentos no funk e no rap, mantém
intensa atividade comunitária em Fazenda Botafogo, na Zona Norte. Lésbica,
integra as fileiras da luta LGBT+ e contra a gordofobia.
SERVIÇO:
Lançamento do livro "Necessários
Guardiões da Alma Carioca"
Editora Portunhol
Concepção: Sylas Andrade
Entrevistas e textos: Aydano André Motta
Fotos: Paulo Marcos de Mendonça Lima
Design: Télio Navega
Dia 17/01/2019 - 19h
Casa Porto (Largo de São Francisco da Prainha, 4 - Saúde - RJ)
178 páginas. R$ 70