Dentro da Coleção Judaísmo e Cristianismo, as Edições Fons Sapientiae publica o sexto
volume, cujo título é As relações entre
Judeus e Cristãos a partir de evangelho segundo São João. A obra é assinada
pelo Pe. Manoel Miranda, NDS, diretor geral do Centro Cristão de Estudos
Judaicos (CCDEJ), e o prefácio é de outro confrade da ordem de Nossa Senhora do
Sion, Pe. Donizete Luiz Ribeiro, NDS.
Nesta obra, Pe. Manoel Miranda situa e analisa
as diferentes ra-zões de uma possível separação entre Judeus e Cristãos a
partir do que foi escrito pelo evangelista São João e traz à luz o que foi
determinado na Nostra Aetate, declaração sobre as relações da Igreja com as
religiões não-cristãs, de outubro de 1965 (Concílio Vaticano II).
Alguns pesquisadores como R. E. Brown, Frederic
Manns e Etienne Nodet sentenciam que a separação do judaísmo e do cristianismo
deu-se nos anos 90 da era cristã, época em que São João teria escrito o quarto
e último evangelho. Os estudiosos citados, veem uma hostilidade no Evangelho de
São João contra os judeus e suas teologias. Brown detalha as adversidades
quando o evangelista discorre sobre as festas judaicas, o Templo, o sábado e
outros costumes judaicos.
Pe. Miranda, por sua vez, analisa com devida
sutileza diversos textos do Novo Testamento e demonstra que contrariamente às
aparências ou ideologias, a separação entre Judeus e Cristãos acontece de
maneira gradativa, localizada e depois de muitas décadas de convivência e de
encontros. Busca situar e analisar as diferentes razões de uma possível
separação a partir do corpo textual do Novo Testamento.
A tese defendida brilhantemente pelo autor está
em consonância com a grande corrente de pesquisa representada, entre outros,
pelo pesquisador judeu Daniel Boyarin, que publicou em 2007 a tese The border
lines: the partition of Judaeo-Christianity.
Segundo o Pe. Donizete Luiz Ribeiro, no
prefácio, “de fato, faz-se necessário reconhecer que entre Judeus e Cristãos, o
que nos une é bem maior e mais antigo do que nossas divergências, sobretudo
histórico-bíblicas. A afirmação capital de ‘patrimônio comum’ é um tesouro
escondido que precisa ainda ser revelado e lapidado para que juntos, judeus ne
cristãos, com suas legítimas diferenças, possam se engajar para o bem da
humanidade, a partir da Escuta do Sinai e de Sion”.
Sobre o
autor:
Pe. Manoel Miranda é religioso da Congregação
dos Religiosos de Nossa Senhora do Sion. Licen-ciado e Filosofia pela FAI
(Faculdades Associadas do Ipiranga), bacharel em Teologia pela Universidade
Católica de Paris e Mestre em Teologia Dogmática com concentração de estudos
bíblicos e judaicos pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da
Assunção. Atualmente trabalha como diretor acadêmico do CCDEJ (Centro Cristão
de Estudos Judaicos – www.sioncentrodeestudos.org) e como Diretor
Administrativo dos Colégios Sion, do Ipiranga, São Paulo e Arujá.






























