sábado, 29 de julho de 2017

Depoimentos sobre racismo emocionam visitantes e palestrantes no terceiro dia da 15ª Flip


A professora Diva Guimarães foi muito aplaudida pelo público da Flip
A 15ª edição da Flip teve uma manhã de sexta-feira catártica: na mesa "A Pele que Habito", com o ator Lázaro Ramos e a jornalista Joana Gorjão Henriques, discutiu-se racismo, exclusão e liberdade. A conversa trouxe à tona um depoimento emocionante de Diva Guimarães, 77 anos. A professora aposentada, que estava na plateia, relembrou passagens da sua infância por cerca de dez minutos - sua mãe lavava roupas em troca de caderno e lápis para que ela pudesse estudar. Quando menina, morava em Curitiba e ouvia histórias absurdas contadas por freiras do colégio para "justificar" as "diferenças" entre negros e brancos. Saídas em voz engasgada, as palavras de Diva comoveram o público e os autores convidados. "Quer matar a gente do coração, professora?", disse Lázaro.

Lázaro Ramos se emocionou com as palavras da professora Diva Guimarães
Duas mesas sobre Lima Barreto, o Autor Homenageado, compuseram a programação do terceiro dia da Flip. A linguagem inovadora do escritor e o fato de sua literatura ser voltada para os oprimidos foram temas essenciais da mesa "Moderno antes dos modernistas", com Antonio Arnoni Prado (um dos pioneiros nos estudos sobre o Lima, já na década de 1970) e Luciana Hidalgo (jornalista e escritora, também estudiosa da obra do autor). Luciana elucidou que Lima "usou a língua do dominador para falar dos dominados" e Antonio pontuou que ele queria "que a literatura servisse para a união das pessoas".

Os pesquisadores Luiz Antonio Simas e Beatriz Resende estiveram na outra conversa dedicada a pensar a obra do Autor Homenageado. Na mesa "Subúrbio", a terceira do dia, falaram sobre as margens da antiga capital federal, bairros para os quais, como apontou Simas, "o Cristo Redentor fica de costas". Para Beatriz, o escritor foi o primeiro a incluir essa dimensão da cidade na literatura brasileira. No início do encontro, a poeta Prisca Agustoni declamou poemas em diferentes idiomas, como parte da série "Fruto Estranho".

Na tarde de sexta-feira, Pilar del Río dividiu o palco do Auditório da Matriz com o mediador Alexandre Vidal Porto. A jornalista espanhola, presidente da Fundação José Saramago — e companheira do escritor até a morte dele, em 2010 — falou de direitos humanos, feminismo, da vida ao lado do marido, de militância política e de sua infância. Já de início afirmou que, desde pequena, sentiu presente o sexismo. "A mulher estava submetida ao homem, minha mãe não podia viajar sem autorização do meu pai", algo só alterado na Constituição espanhola de 1978. Pilar falou sobre como as mulheres hoje já não estão submetidas ao patriarcado, mas que muitas ainda sofrem violência doméstica e que por isso não podemos silenciar.

Pilar del Rio
A noite começou eletrizante com a intervenção do poeta Ricardo Aleixo no "Fruto Estranho", antes do encontro entre a escritora chilena Diamela Eltit e o documentarista Carlos Nader. Aleixo encenou um misto de dança, rito e declamação e fez ouvir: "A vida como um anti-boi de Parintins. Porque nada é caprichoso. Nada é garantido". Enquanto a autora chilena falou sobre literatura, militância feminista e democracia, o documentarista relembrou a produção de seus filmes sobre Waly Salomão, Leonilson, entre outros.


A sexta-feira se encerrou no Auditório da Matriz com um rico diálogo entre os escritores William Finnegan e Deborah Levy, na mesa "Por que escrevo". Ambos comentaram os efeitos do apartheid em suas obras - Deborah é sul-africana, e William foi professor de uma comunidade de crianças negras durante o regime de segregação.


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Segundo dia da Flip 2017: memórias de guerra, autoficção e resistência pela palavra


Duas autoras que trabalham com memória dividiram a última mesa do segundo dia da Flip, uma das atrações mais aguardadas da 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, que vai até domingo (30). Mais especificamente, com a memória da mãe - ou, ainda, com a memória da mãe em contextos históricos marcados pela guerra e pelo extremismo: a Shoah, no caso de Noemi Jaffe, e o genocídio de Ruanda, tema de Scholastique Mukasonga.

Scholastique Mukasonga, Noemi Jaffe e a mediadora Anabela Mota Ribeira
As duas autoras falaram das possibilidades da escrita como testemunho – lembrar para não esquecer, lembrar para redimir a memória; escrever por necessidade, por dever ou por ambos. "O genocídio de Ruanda fez de mim escritora. A escrita foi um modo de dar uma sepultura aos meus, tirá-los da vala comum e construir uma sepultura de palavras, uma tumba de papel", explicou Scholastique, sobre o genocídio do qual sua mãe e outros membros de sua família foram vítimas, em 1994.

Antes, teve lugar no Auditório da Matriz uma conversa sobre a tradução do grego para o português: a mesa "Odi et amo", com o lisboeta Frederico Lourenço e o brasiliense Guilherme Gontijo Flores, ambos tradutores do idioma de Homero. Mediados por Ángel Gurría-Quintana, os convidados defenderam a autonomia do texto traduzido e animaram o público no Auditório da Matriz ao declamar em grego. No mesmo encontro, a dramaturga Grace Passô apresentou a performance "Parto", parte da série "Fruto estranho", novidade desta edição. Voltada à ideia de transformar a leitura do texto em experiência teatral, a intervenção combinou palavras e movimentos.

 Julián Fuks e Jacques Fux em debate nesta quinta-feira (27)
A mesa quatro mostrou que os escritores Jacques Fux e Julián Fuks compartilham muito mais do que a sonoridade do sobrenome. Reunidos na tarde de quinta-feira no Auditório da Matriz, os dois autores, expoentes do gênero autoficção, conduziram uma conversa em torno das motivações e desafios da escrita, num encontro carregado de sutilezas e auto-ironia. A fronteira entre real e ficção deu o tom do diálogo. "Não me interessa nunca a postura perigosa e niilista de romper com tudo em nome da literatura. Prefiro falar do que a gente tem dificuldade de falar. Não é algo agressivo; é, ao contrário, um gesto de aproximação", explicou Julián.

Na mesa "Pontos de fuga", a terceira do segundo dia da Flip, três mulheres da novíssima literatura em língua portuguesa se encontraram no Auditório da Matriz. A angolana Djaimilia Pereira de Almeida, a carioca Carol Rodrigues e a gaúcha Natalia Borges Polesso transitam entre estudos acadêmicos e escrita literária, mas foi nesta última que estabeleceram de vez sua produção textual. Sob mediação do professor de Estudos Lusófonos Leonardo Tonus, a conversa se estabeleceu nos temas centrais de cada uma, que envolvem identidade, subjetividade, feminino e forma e gêneros literários. Autora de "Esse cabelo", Djaimilia descreveu o processo de mergulho na identidade da mulher negra e em suas próprias origens. Antes dos participantes entrarem no palco, foi exibido no telão um videopoema de Josely Vianna Baptista, parte da série "Fruto estranho", com passagens sobre o etnocídio indígena.

A angolana Djaimilia Pereira de Almeida
Ao meio-dia, na primeira mesa do dia no Auditório da Matriz, os pesquisadores Beatriz Resende, Felipe Botelho Corrêa e Edimilson de Almeida Pereira abordaram os ecos e novas vertentes de pesquisa abertos pela obra do Autor Homenageado. A discussão sobre racismo e marginalização também pontuou a fala de Edimilson. "Lima escrevia com assombro, escrevia com susto", disse, referindo-se a essa escrita que nasce de "um corpo em risco, [um] corpo ameaçado".


Tais "corpos ameaçados" assumiram o protagonismo da mesa Zé Kleber, realizada no Auditório da Praça, na programação do Território Flip/Flipinha. Laura Maria dos Santos, arte-educadora da comunidade quilombola Campinho da Independência, de Paraty, se juntou a Álvaro Tukano, escritor e pensador indígena do Alto Rio Negro, e Ivanildes Kerexu Pereira da Silva, da aldeia Guarani Mbya Itaxi e ativista pelo direito das mulheres, das crianças e dos indígenas. Em pauta, esteve a sobrevivência das comunidades tradicionais. "A gente está aqui para viver nesta terra, não para morrer", resumiu Laura.

Fotos: Divulgação Flip

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A obra do escritor carioca Lima Barreto está em discussão na 15ª Flip, que acontece até o dia 30, em Paraty


Esta edição da Festa Literária Internacional de Paraty resgata a trajetória de um homem que se estabeleceu como escritor no Rio de Janeiro, capital da Primeira República e da cultura literária do país. Em um meio marcado pela divisão de classes e pela influência das belas letras europeias, era difícil para um autor brasileiro com as suas origens afirmar seu valor. Foram necessárias várias gerações para que se consolidasse o nome do criador de uma das obras mais plurais e inovadoras da literatura brasileira, que permite tanto o apreço do leitor quanto reflexões nos campos da literatura, da história e das ciências sociais.


Sobre o autor
Afonso Henriques de Lima Barreto nasce no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881. Perde a mãe, Amália Augusta, escrava liberta e professora, quando tinha seis anos, ficando sob os cuidados do pai, o tipógrafo João Henrique, que, poucos anos depois, é diagnosticado como neurastênico, o que o levaria a ficar recolhido pelo resto da vida. A doença do pai o obriga a deixar a Politécnica para sustentar a família como Amanuense do Ministério da Guerra.
 
Inicia sua colaboração regular para a imprensa em 1905, no Correio da Manhã. O jornal, extinto em 1974, serviu de inspiração para a criação de Recordações do Escrivão Isaías Caminha, publicado em 1909. Pelas críticas à imprensa no livro, Lima Barreto é retirado do quadro de colaboradores do Correio da Manhã e tem proibida qualquer citação ao seu nome nas páginas do diário, mesmo trinta anos depois de sua morte. Passa a colaborar, sob pseudônimo, para revistas como a Fon-Fon e Revista da Época, fazendo uma crítica social e política do Rio de Janeiro e o Brasil.

Em 1911, escreve e publica Triste fim de Policarpo Quaresma em folhetim do Jornal do Commércio. O livro seria editado em livro quatro anos depois. Lima, devido ao alcoolismo, é internado pela primeira vez no hospício em agosto de 1914, repetindo a tragédia pessoal de seu pai. A primeira internação serve, contudo, de inspiração para sua obra a posteriori.

Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, livro que dialoga com o gênero biográfico, é publicado em 1919. No dia 25 de dezembro deste ano, o autor é internado pela segunda vez. Lima Barreto morre, aos 41 anos, em 1º de novembro de 1922, Dia de Todos os Santos. No dia 3 de novembro, morre seu pai. Clara dos Anjos, livro que foi escrito e reescrito durante quase toda a vida de Lima, é publicado em livro no mesmo ano de sua morte.


A obra de Lima Barreto passa por um resgate e uma refundação a partir da biografia publicada por Francisco de Assis Barbosa, A vida de Lima Barreto, e da recuperação de seus escritos, feita a partir do acervo pessoal catalogado pelo próprio autor.

Lima Barreto torna-se objeto de estudo de intelectuais de referência em diversas áreas da inteligência brasileira, como Antonio Candido, Nicolau Sevcenko, Osman Lins, Alfredo Bosi, Antonio Arnoni Prado, Beatriz Resende e Lilia Schwarcz.


“Por muito tempo Lima Barreto ficou na ‘aba’ de literatura social, e sua obra e trajetória possibilitaram muitos debates sobre a sociedade brasileira. O que eu gostaria, mesmo, é que a Flip contribuísse para revelar o grande autor que ele é. Para além das questões importantíssimas sobre o país que ajuda a levantar, tem uma expressão literária inventiva e interessante, à frente de sua época em termos formais, capaz de inspirar toda uma linhagem da literatura em língua portuguesa”, afirma Joselia Aguiar, curadora da Flip 2017.


“O Lima é o autor de um território. O universo literário dele é determinado pela criação da Avenida Central, do Rio de Janeiro, que estabelece os diferentes graus de distância dos subúrbios com a Zona Sul e o Centro da Cidade”, afirma Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip. “O olhar do Lima sobre a variedade de personagens brasileiros – seja nos subúrbios, seja nas regiões centrais – é determinado pela experiência do território onde viveu por quase toda a vida. Desse modo, sendo um grande autor, ele fez valer a máxima ‘Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia’, do Tolstói.”

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Começa hoje (26) a 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)


A cidade de Paraty, no estado do Rio de Janeiro, sedia, a partir de hoje (26), a 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A abertura será às 19h15, no Auditório da Matriz, com a mesa literária Lima Barreto: Triste Visionário. Com direção de cena de Felipe Hirsch, o ator e escritor Lázaro Ramos e a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz debaterão a vida e a obra do escritor carioca Afonso Henriques de Lima Barreto, homenageado deste ano pela Flip.

Lima Barreto, o homenageado da 15ª Flip
O show de abertura, às 21h30, no Auditório da Praça,  estará a cargo do pianista André Mehmari, que vai executar a Suíte Policarpo, criada para o evento, inspirada no mundo de Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto.

Na avaliação da secretária de Cultura de Paraty, Cristina Maseda, a Flip é “extremamente importante. São 15 anos que a cidade tem a festa literária. Nota-se um impacto impressionante na vida cultural, no reconhecimento de Paraty como um destino de cultura, como uma cidade onde a cultura tem um lugar preponderante diante dos outros setores”, disse.


Segundo a secretária, a área cultural dos paratienses cresceu muito com a Flip, tornando o município conhecido. Cristina lembrou que, além da Flip, Paraty é sede do Paraty em Foco, festival de fotografia; do Mimo, festival de música; do Encontro de Ceramistas, sem falar na Festa do Divino, que é patrimônio cultural do Brasil. “Colocam Paraty em uma posição de destaque entre as cidades com até 50 mil habitantes do Brasil”, argumenta.

O grande legado da Flip, da Flipinha, que é voltada para o público infanto-juvenil, e da Flipzona, que incentiva a leitura e a produção cultural por meio de novas mídias, é o forte impacto no índice de leitura da população, afirmou Cristina.

Todas as escolas municipais contam hoje com acervos de literatura infantil e juvenil de alta qualidade. “As crianças leem mais, há hora de leitura nas escolas, a literatura hoje na cidade tem um destaque importante”. Antes da Flip, a secretária informou que “não havia sequer um livro infantil na cidade. Daí a Flip ter uma importância enorme”, contou.

Programação
Na quinta-feira (27), a programação da Flip começa às 10h, com a mesa literária Zé Kleber, no auditório da Praça, Território da Flipinha, com o tema Aldeia. Participarão o diretor do Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, Álvaro Tukano, símbolo da resistência indígena no Amazonas nas últimas quatro décadas; a ativista Ivanildes Kerexu Pereira da Silva, uma das lideranças da Aldeia Guarani Mbya Itaxi; e a quilombola Laura Maria dos Santos.


O programa oficial ocorrerá no Auditório da Matriz, a partir das 12h, com a mesa Arqueologia de um Autor, da qual participam os escritores Beatriz Resende, Edimilson de Almeida Pereira e Felipe Botelho Corrêa. Depois, haverá às 15h a mesa Pontos de Fuga, com Carol Rodrigues; a escritora de Luanda, África, Djaimilia Pereira de Almeida, além de Natalia Borges Polesso. A mesa será precedida pela série de intervenções poéticas e performáticas intitulada Fruto Estranho, a cargo da poeta paranaense Josely Vianna Baptista (em vídeo).

Às 17h15, a mesa Fuks&Fux reunirá os autores Jacques Fux e Julián Fuks, do Brasil. Às 19h15, após a série Fruto Estranho, com apresentação da atriz Grace Passô, haverá a mesa Odi et Amo, com o tradutor e escritor português Frederico Lourenço e o poeta brasileiro Guilherme Gontijo Flores. Encerrando a programação do dia 27, será realizada às 21h30 a mesa Em Nome da Mãe, da qual participarão as escritoras Noemi Jaffe, do Brasil, e Scholastique Mukasong, natural de Ruanda, África.

Na sexta-feira (28), o ator e escritor Lázaro Ramos e a autora portuguesa Joana Gorjão Henriques debaterão a questão racial às 10h, no Auditório da Praça, dentro do Território Flip/Flipinha. No Auditório da Matriz, acontece a programação oficial, a partir das 12h, com a mesa Moderno Antes dos Modernistas.

Lázaro Ramos

Participarão Antonio Arnoni Prado, pioneiro no estudo de Lima Barreto, e a escritora e jornalista Luciana Hidalgo. Às 15h, será a vez da mesa literária Subúrbio, com Beatriz Resende e Luiz Antonio Simas, após a apresentação da poeta Prisca Agustoni, suíça de nascimento, mas moradora no Brasil. A Festa Literária Internacional de Paraty será encerrada no domingo, dia 30.

Flipinha/Flipzona
Haverá eventos também voltados para o público infantil, como encontros com os autores, na Praça da Matriz na Central, na chamada Flipinha.  As árvores da praça, como ocorreu em anos anteriores, serão transformadas em pés de livros. Nelas, ocorrerão atividades de leitura, conduzidas por adolescentes de Paraty que passaram pelo programa de Formação de Mediadores de Leitura. O local será ainda ponto de partida de vários cortejos literários.

Na Flipzona, que é um espaço para diálogos, serão exibidos filmes e documentários seguidos de debates, mesas literárias e rodas de conversa.

O programa Flipinha/Flipzona prevê no dia 26 duas sessões de cinema na Casa da Cultura, com os filmes Kiriku, os Homens e as Mulheres, a animação francesa, Jonas e o Circo sem Lona, documentário do Brasil, além de roda de conversa sobre Leitura: um Direito Humano.

No dia seguinte (27), estão programadas sessões de cinema a partir das 10h, na Casa de Cultura, com os documentários brasileiros Waapa, Meninos e Reis, Disque Quilombola, Curtas do Território do Brincar. Às 11h30, haverá o primeiro Cortejo Literário, com Julián Fuks, na Central Flipinha. Às 13h, tem roda de conversa Pacto pela Leitura, na Casa da Cultura, e novo Corte Literário na Central Flipinha, às 14h30, com Ovídio Poli Jr. Às 15h30, sessão do filme A família Dionti, na Casa da Cultura, seguida de debate.

Na sexta-feira (28), o programa será aberto às 10h, na Casa da Cultura, com filme Minidocs Paraty. No mesmo local, os escritores Evanilton Gonçalves, Geovani Martins e Paloma Amorim debatem Prosa: a literatura que o Brasil faz e você desconhece, às 11h15. Segue-se Cortejo Literário, às 11h30, com Flávio de Araújo, partindo da Central Flipinha. No mesmo local, haverá uma meditação guiada, às 13h30, seguida de novo Cortejo Literário com a autora Djaimilia Pereira de Almeida, às 14h30.

Outra mesa literária ocorre na Casa da Cultura sobre literatura em todas as plataformas. Da série Páginas Anônimas, o debate vai abranger a seguir Música: a literatura que o Brasil faz e você desconhece, às 17h. Mais tarde, às 19h, haverá pocket show com Ana Frango Elétrico, Blackyva e Matheus Torreão.

No sábado (29), a programação da Flipinha terá início às 10h, na Casa da Cultura, para debater Poesia: a literatura que o Brasil faz e você desconhece, com mediação da jornalista Bianca Ramoneda. Na Central Flipinha, às 11h30, está programado Cortejo Literário, com Noemi Jaffe. A Regata INP Flipinha sairá às 12h, da Praia do Pontal. No mesmo horário, será realizada mesa literária com o tema Assista a esse livro. Entre os participantes, a escritora e atriz Fernanda Torres.

Fernanda Torres
A programação continua às 13h30, na Central Flipinha, com meditação guiada e Cortejo Literário às 14h30, com Paloma Amado. Às15h, haverá sessão de cinema na Casa da Cultura, com Minidocs Paraty. A premiação da Regata INP Paraty está prevista para as 16h, na Praia do Pontal. Outro evento é a mesa literária Corpo: Artigo Indefinido, na Casa da Cultura, às 16h15.

No domingo (30), o programa da Flipinha destaca dois cortejos literários na Central Flipinha. O primeiro com Jacques Fux, às 11h30, e o segundo com Prisca Agustoni, às 13h30.


Fonte: Agência Brasil – Texto da repórter Alana Granda

“Milagres”, de Rodrigo Alvarez, apresenta histórias inéditas e exclusivas dos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida


Publicada pela Globo Livros, a obra é resultado de intensa pesquisa de acontecimentos extraordinários atribuídos à santa

Em comemoração aos 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, na região do Vale do Paraíba, a Globo Livros lança Milagres, o livro mais completo sobre as histórias sobrenaturais relacionadas à Padroeira do Brasil. Autor dos best-sellers Aparecida, Maria e Humano Demais, Rodrigo Alvarez teve a oportunidade de vasculhar o arquivo inédito da Sala das Promessas no Santuário de Aparecida para revelar aos leitores episódios verídicos e surpreendentes com precisão jornalística e fidelidade aos fatos.

Com sua equipe de pesquisa e apoio de padres e funcionários do Santuário, o escritor analisou mais de 4 mil relatos, revirou documentos e realizou entrevistas minuciosas com dezenas de brasileiros para contar as 32 histórias apresentadas na obra, que resumem o poder da santa, o maior símbolo da fé católica brasileira. Milagres é um livro reportagem com conteúdo exclusivo, que apresenta um mergulho na alma brasileira e narra, de maneira detalhada e instigante, os 300 anos de histórias sobre Nossa Senhora Aparecida.

Além de relatos atuais, como as sagas de Lourenço, que escapou da morte algumas vezes, e Lourival, um homem paraplégico que voltou a andar no caminho para Aparecida, o autor apresenta milagres históricos, alguns totalmente inéditos e outros em versões completas, como o “milagre dos monstros”, do qual, segundo a lenda, se originou a imagem de Aparecida, e o “milagre do escravo”, uma fábula de redenção transmitida de maneiras distintas ao longo dos anos. As fotos apresentadas no livro também são inéditas e reveladoras e estavam guardadas por muitos anos dentro de caixas no Santuário.


Sobre o autor

Rodrigo Alvarez é autor de seis livros, entre eles, os best-sellers Humano Demais, Maria e Aparecida. Nasceu no Rio de Janeiro e passou os últimos doze anos como correspondente da TV Globo, entre Nova York, São Francisco, Jerusalém e Berlim, na Alemanha, para onde se mudou em 2016.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O pai é um grande espelho na formação de leitores dentro de casa


De acordo com pesquisas do Instituto Pró-Livro (IPL), o pai é um dos principais influenciadores da leitura entre os brasileiros

“Ainda acabo fazendo livros, onde nossas crianças possam morar”; “Para crianças, um livro é todo um mundo”. Estas são algumas das célebres frases de Monteiro Lobato que refletem a intensidade da paixão do autor pela leitura e a importância de se despertar tal paixão desde cedo.  Às portas para as comemorações do Dia dos Pais uma boa pergunta a fazer é: Qual o papel dos pais no hábito de leitura dos filhos? Eles não precisam ser um autor de renome para ascender tal paixão na vida das pessoas, especialmente na dos filhos. Mas, seu papel é preponderante. 

A quarta edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope Inteligência e considerada o maior e mais completo estudo sobre o comportamento do leitor* brasileiro, aponta que 33% dos leitores respondentes sofreram a influência de alguém para começar a gostar de ler. Destes 33%, 4% dos entrevistados alegaram que o pai ou o responsável do sexo masculino foram seus influenciadores.

  Retratos da Leitura no Brasil – IPL – Base: Amostra (5.012) – Pessoas que influenciaram no gosto pela leitura.

 Se o hábito de leitura dos pais tem forte influência na construção do hábito de leitura dos filhos, a figura da mãe neste processo de ler por prazer é também muito importante. Somada à figura de outros parentes ou responsáveis, pode-se perceber a influência da família na formação de leitores. A pesquisa aponta ainda que, em relação ao hábito de leitura do pai, 17% dos entrevistados totais leem com frequência, 24% leem às vezes e 53% nunca leem.

Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil – IPL – Base: Amostra (5.012) – Percepção sobre o hábito de leitura dos pais, por perfil.

Os resultados de 2015 também demonstram, como em 2011, a relação entre a maior escolaridade dos pais de leitores quando comparada à escolaridade dos pais de não leitores. Nesta última pesquisa, apenas 12% das mães e 11% dos pais dos leitores são analfabetos. Já em relação aos não leitores, 28% das mães e 25% dos pais são analfabetos.

Entre os entrevistados, 78% deles alegam ter livros em casa. Ao longo das edições da pesquisa, é possível verificar um aumento na média de livros presentes nos domicílios. Em 2007, a média de livros em casa era de 25%, aumentando para 34%, em 2011, e 40%, em 2015. Por outro lado, também houve a intensificação da proporção de lares onde não há nenhum livro. Em 2007, 6% dos lares não possuíam livros. Em 2011, este número aumentou para 11% e, em 2015, para 22%.

 Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil – IPL – Base: Amostra 2007 (5.012)/2011 (5.012)/2015 (5.012) – Presença de livros em casa.

De acordo com o estudo, ter um influenciador de leitura dentro de casa faz bastante diferença para criar novos leitores, crianças que crescerão com o hábito de ler. Os índices que se referem aos pais ainda são baixos, há muito a se melhorar. As políticas de fomento à leitura que o IPL promove têm como intuito proporcionar momentos literários e de estreitamento das relações entre os pais e filhos.  Então, que tal aproveitar o Dia dos Pais e presentear com um livro? 

Sobre o Instituto Pró-Livro: O Instituto Pró-Livro (IPL), foi criado no final de 2006 pelas entidades do livro – Abrelivros, CBL e SNEL, com o objetivo principal de fomento à leitura e à difusão do livro. Iniciou suas atividades em 2007. Atualmente é mantido pelas entidades fundadoras e por contribuições voluntárias de editoras.


As entidades do livro, representando a cadeia produtiva, fundaram o Instituto Pró-Livro assumindo o compromisso de responsabilidade social junto a representantes do governo e sociedade civil, para a promoção de ações de fomento à leitura, orientado pela missão de transformar o Brasil em um país de leitores. O IPL realiza periodicamente a pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, maior e mais completo estudo sobre o comportamento do leitor brasileiro, para avaliar impactos, orientar políticas públicas do livro e da leitura, promover a reflexão e estudos sobre os hábitos de leitura do brasileiro e, desta forma, melhorar os indicadores de leitura e o acesso ao livro. www.prolivro.org.br .

quinta-feira, 20 de julho de 2017

"Algo Infiel", de Rodrigo Tadeu Gonçalves e Guilherme Gontijo Flores, terá lançamento na Flip 2017


Depois de Paraty, obra será lançada em Curitiba, São Paulo e Florianópolis

O maior festival literário do país terá um lançamento paranaense na edição deste ano. Os professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Guilherme Gontijo Flores e Rodrigo Tadeu Gonçalves apresentam durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2017) o livro Algo Infiel: corpo performance tradução, escrito a quatro mãos.

A obra traz uma complexa rede de ensaios com vozes e temas diferentes que se entrelaçam numa constelação maior, intercalada com as fotos do curitibano Rafael Dabul.
  
"Trabalhamos há um bom tempo na UFPR, demos uma disciplina juntos chamada Literatura e Música e, ao longo do semestre, percebemos que precisávamos registrar nossos insights de um jeito menos acadêmico, mais palatável e agradável, pois o curso estava sendo muito divertido e os alunos estavam respondendo bem", diz Rodrigo. "Então sentamos juntos algumas vezes e escrevemos. Outros textos foram escritos individualmente, e depois relidos pelo outro e alterados, revisados, aumentados. Alguns são totalmente individuais. E outros sequer são nossos, e só indicamos a autoria nas notas ao final do livro. Preferimos não indicar o que é de cada um e deixar uma espécie de pandemônio de vozes no livro".

Esta é a primeira parceria de Rodrigo com Guilherme -- vencedor do Prêmio Jabuti 2014 na categoria Tradução, com A Anatomia da Melancolia, de Robert Burton, e finalista no mesmo ano do Prêmio Portugal de Literatura na categoria poesia, com Brasa Enganosa.

A edição estava praticamente pronta quando os autores sentiram que faltava algo. Foi quando houve o contato com Rafael Dabul. "Debatemos a proposta, pensamos num conceito, em várias referências visuais, convidamos os modelos e o resto foi com ele. No final, as imagens ficaram belamente integradas ao conteúdo", conta Rodrigo.

As imagens - Como o livro aborda vários temas dentro da tradução e performance, Dabul propôs um ensaio fotográfico que mostrasse o corpo como um lugar de embate, como os autores colocam em alguns dos ensaios. "O corpo é um elemento em comum aos vários ensaios do livro. Queríamos fugir da relação imagem/texto ser de uma como ilustração da outra", conta Dabul.

Os modelos escolhidos para os ensaios foram o ator Ranieri Gonzalez — que é citado em um dos ensaios do livro — e a atriz Leonarda Glück, do grupo Selvática, de Curitiba.

Sinopse - O que acontece quando se passa a considerar o texto como firmemente ancorado em seu momento, não de escrita, mas de realização? E quando consideramos a gravação de uma canção de Nina Simone como objeto de leitura, de análise e, por que não, de tradução? Como falar da palavra enunciada como magia, como efetivo criador de realidade?

Em Algo infiel, é ancorando a letra na voz, o som no corpo, o poema na sua realização como ato pleno, que Guilherme Gontijo Flores e Rodrigo Tadeu Gonçalves produzem uma sucessão de ensaios que individualmente já configuram uma contribuição originalíssima, cuja interconexão — entre si e também com as fotos de Rafael Dabul — cria sentidos ainda mais profundos. O resultado é uma espécie de constelação ensaística que tenta repensar o lugar da tradução, do tradutor e do texto traduzido num mundo agora de feitos e feitiços, de sentidos e sentidos, de criadores, criações e criaturas.

Sobre os autores
Guilherme Gontijo Flores (Brasília, 1984) é poeta, tradutor e professor na UFPR. Publicou os livros de pomas brasa enganosa (2013), Tróiades (2014-5), e l'azur Blasé (2016). Como tradutor, publicou, dentre outros, A anatomia da melancolia de Robert Burton (2011-13, 4 vols.), Elegias de Sexto Propércio (2014) e Safo: fragmentos completos (2017). É coeditor da antologia Por que calar nossos amores? Poesia homoerótica romana (2017), além de cofundador e coeditor da revista e blog escamandro. É membro fundador do grupo de performance tradutória Pecora Loca.


Rodrigo Tadeu Gonçalves (Jaú, 1981) é professor na UFPR, com estágio pós-doutoral no Centre Léon Robin em Paris. Atualmente é vice-diretor da Editora UFPR e Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Publicou em 2015 o livro Performative Plautus: Sophistics, Metatherater and Translation e organizou a obra A Comédia e seus duplos: o Anfitrião de Plauto, publicada em 2017. Como tradutor, publicou um Pequeno Príncipe (2015) e participou da tradução coletiva do Paraíso Reconquistado de John Milton (2014). Trabalha atualmente em uma tradução integral hexamétrica do De Rerum Natura de Lucrécio. É membro fundador do grupo de performance tradutória Pecora Loca.

Rafael Dabul (Curitiba, 1977) é fotógrafo graduado em Comunicação Social — Publicidade e Propaganda pela PUCPR, pós-graduado em Comunicação e Cultura: Interfaces pela Universidade Positivo e mestre em artes pela Academy of Art University de São Francisco, Estados Unidos. Atua na área de fotografia comercial e editorial e participa de projetos culturais com artistas plásticos de Curitiba. Integra o time da zelig.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Rodrigo Alvarez lança “Milagres”, livro sobre as graças de Nossa Senhora Aparecida


Na próxima terça-feira (25), o correspondente da TV Globo em Berlim, Rodrigo Alvarez, estará no Rio de Janeiro para o lançamento do livro Milagres. A sessão de autógrafos vai acontecer a partir das 19h na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.


Em comemoração aos 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, o livro traz conteúdo exclusivo sobre as graças alcançadas por intervenção da padroeira do Brasil. Autor dos best-sellers Aparecida, Maria e Humano Demais, Rodrigo Alvarez foi o único jornalista que teve acesso ao arquivo da Sala das Promessas no Santuário de Aparecida para revelar aos leitores histórias verídicas e surpreendentes.


Primeiro beijo de Mônica e Cebola nos quadrinhos


Cena icônica está no segundo volume da coleção “Turma da Mônica Jovem – Primeira Série”

As fortes emoções do início do romance mais surpreendente dos quadrinhos brasileiros estão de volta na edição deste mês da coleção Turma da Mônica Jovem – Primeira Série. O encadernado reúne o conteúdo originalmente publicado nas edições 3, 4 e 5 da revista em quadrinhos que vem revolucionando o segmento na última década. Este segundo volume traz a história em que aconteceu o primeiro beijo romântico entre a Mônica e o Cebola, na conclusão de uma incrível aventura cheia de fantasia e ficção científica.

Na época, as edições esgotaram rapidamente e bateram recordes de vendas, uma verdadeira febre. Agora, quem ainda não leu tem uma nova chance de começar, e a atual geração de fãs pode completar sua coleção além de conhecer os detalhes que sustentam todo o desenrolar da série ao longo de mais de 100 edições. A publicação de 380 páginas já está nas bancas, livrarias, comic shops e também na loja.panini.com.br com preço sugerido de R$17,90.

Além do icônico beijo, Turma da Mônica Jovem – Primeira Série vol. 2 traz as histórias que concluem a saga As quatro dimensões mágicas e também as que mostram os primeiros vislumbres da vida cotidiana dos adolescentes no bairro do Limoeiro. Na parte final da saga nos moldes das narrativas de super-heróis, com batalhas travadas em mundos mágicos e naves espaciais, Mônica, Cebola, Cascão e Magali lutam para impedir que a rainha Yuka volte a este plano de existência. Depois dessa emocionante aventura, a galera vive o dia a dia no bairro onde cresceram e o leitor se familiariza com a nova dinâmica dos consagrados personagens em sua fase adolescente.

Sobre a coleção Turma da Mônica Jovem – Primeira Série
A primeira série de histórias em quadrinhos publicadas na revista Turma da Mônica Jovem pela PANINI entre 2008 e 2016 foi compilada nesta coleção de 44 encadernados com periodicidade mensal que reúne todo o conteúdo publicado originalmente nas edições 1 a 100. Para acomodar a sequência da série e, ao mesmo tempo, manter, em um único exemplar, histórias que na época foram lançadas em duas ou três partes, o conteúdo de cada volume irá unir duas ou três edições originais da revista. Com exceção dos volumes 1 e 2 da coleção, que trazem extras excepcionais, a publicação poderá trazer 252 ou 372 páginas no total, com preços de R$ 13,90 e R$ 17,90.


A coleção Turma da Mônica Jovem – Primeira Série pode ser encontrada em bancas, livrarias, comic shops e loja.panini.com.br, e o leitor também conta com a comodidade de receber os exemplares em casa por meio de assinatura, disponível no portal http://www.assinepanini.com.br.