Por meio de uma narrativa atual e
a reconstrução de cenário histórico, o leitor tem a oportunidade de refletir
sobre um dos movimentos mais importantes do País
Em Uma História de Ouro e Sangue, que faz parte da coleção Histórias da História, da Editora do Brasil, Manuel Filho cria um interessante enredo que recorda, de forma bastante clara, fatos e acontecimentos da Revolução Constitucionalista de 1932, um capítulo fundamental para a história do Brasil e de São Paulo.
O livro inicia-se com a narrativa sobre Afonsinho, um office-boy que
obtém seu primeiro emprego em um tradicional escritório de advocacia,
localizado no histórico edifício Ouro Para o Bem de São Paulo, região central
da capital. O prédio antigo foi construído com o valor obtido pela campanha que
buscava arrecadar ouro para financiar a Revolução de 1932, movimento que tinha
como objetivo lutar por uma nova Constituição, promessa do então presidente
Getúlio Vargas, que até então não se concretizara.
Em uma viagem ao tempo, o jovem vê-se subitamente arremessado de uma
maneira lúdica aos episódios reais que antecederam a revolução dos paulistas.
Ao passear pelos pontos históricos que fizeram parte do cenário do movimento,
como Praça da Sé, Praça do Patriarca, Rua Direita, Faculdade de Direito do
Largo de São Francisco, Viaduto do Chá, Rua São Bento e Rua Líbero Badaró, o
protagonista passa também a conviver com importantes personagens da revolução, como
Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo (MMDC) e, outros tantos combatentes que
não gravaram seus nomes nos livros de História, mas que em alguns casos
entregaram a própria vida na defesa de uma causa que consideravam justa.
Para melhor reconstruir o ambiente da obra, o autor esteve presente em
vários desses locais descritos no livro, incluindo o próprio edifício em que o
protagonista vive grande parte de sua história. “Estive no museu da Revolução
de 32, presenciei o desfile que ocorre todos os anos no Parque do Ibirapuera,
li vários livros históricos sobre o assunto e fiz pesquisas no site da
Biblioteca Nacional, em revistas e jornais originais da época. Também realizei
entrevistas com pessoas que se lembravam dos eventos. Em seguida, deixei a
imaginação funcionar e criei uma maneira lúdica de contar a história para os
leitores”, descreve.
“O tema é absolutamente atual e envolve assuntos como cidadania, solidariedade e eventos bélicos. Praticamente, é um retrato de nosso mundo presente, no qual as pessoas estão buscando melhores condições de vida em todas as partes do planeta”, afirma o escritor.
A ideia nasceu da curiosidade do autor sobre o assunto. Ele guarda
recordações de seus tempos de infância, como do episódio no qual conheceu um
senhor que afirmou ter avistado combatentes cruzando sua cidade, Mogi das
Cruzes, em um trem. “Ele (senhor) recordou-se de ter acenado para os homens que
se dirigiam para os combates que ocorreram no interior de São Paulo. Sempre é
muito triste constatar que foi necessária uma guerra para se tratar questões
que poderiam ter sido resolvidas diplomaticamente”, acredita.
Despertar a curiosidade por meio da literatura, envolvendo a
aprendizagem ao contar episódios reais da história é o principal objetivo
do livro. Os fatos descritos e a ambientação bem construída fazem com que o
leitor se sinta como personagem principal da obra, parte integrante de tão
importante acontecimento.
























