segunda-feira, 29 de julho de 2024

Futebol feminino: livro resgata história de time pioneiro proibido de jogar no Brasil

 

Obra revisita as origens do Primavera Atlético Clube, forçado a fechar sob decreto do Governo Vargas, que baniu a presença de mulheres em campo por quase 40 anos

 

Em 1940, o futebol feminino se tornou uma verdadeira febre, que atraía torcedores e estava prestes a ganhar todo o país. Infelizmente, esse cenário próspero, que pode até soar fictício, recebeu um duro golpe com a decisão do Governo Vargas de proibir a participação de mulheres em esportes “incompatíveis com as condições de sua natureza".

 



Escrita pelo museólogo e pesquisador Auriel de Almeida e publicada pela Hanoi Editora, a obra Evas do Gramado resgata a trajetória do Primavera Atlético Clube, sediado no Rio de Janeiro, de sua fundadora Carlota Alves de Rezende e das craques Nicéa, Sally e Aída. Hoje praticamente desconhecidas, elas foram as responsáveis por comandar o time que se tornou o maior representante feminino da capital carioca, na época também capital nacional, antes do banimento.

 

Os impactos dessa proibição, que durou quase 40 anos e só foi derrubada em 1979, reverberam no esporte até hoje. Apesar da excelência das mulheres no futebol – a artilheira Marta, por exemplo, é recordista em títulos de melhor jogadora do mundo, e isso inclui os homens –, os investimentos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na seleção feminina seguem escassos, com queda de 40% em 2022, enquanto a masculina recebeu 45% a mais de apoio.

 

Os relatos de Evas do Gramado, no entanto, comprovam que o futebol feminino faz parte da tradição esportiva do país. Por meio de uma pesquisa documental minuciosa, o livro reconta a trajetória do clube de forma envolvente, desde seu surgimento e inúmeras partidas de sucesso, até a perseguição policial baseada em acusações infundadas e o encerramento forçado da equipe.

 

“Um pesadelo sem fim. Assim podia ser definido os dias que se seguiram à prisão de Carlota Alves de Rezende, com a ridícula acusação de lenocínio. O Primavera Atlético Clube havia sido fechado pela polícia e os demais clubes, com medo, evitavam a marcação de partidas. Era evidente que esta era só uma forma de constranger a prática de futebol feminino”.  (Evas do Gramado, p. 85)

 

O livro também aborda outras equipes femininas de sucesso da época, como o Sport Club Brasileiro, Cassino Realengo, Opposição e Independente. Empregando diálogos e descrições que transportam o leitor para dentro da história, o autor evidencia a importância de conhecer a fundo os triunfos e percalços dessas mulheres.

 

Ao ressaltar o legado das jogadoras no futebol e relembrar o potencial sufocado pelo Estado e pela falta de investimento das instituições reguladoras, Auriel de Almeida oferece aos leitores uma oportunidade única de se familiarizar com um fragmento menosprezado, porém crucial, da memória brasileira. Evas do Gramado, além de documentar um afronte às liberdades, se destaca como uma ode às pioneiras que abriram caminho para as gerações futuras de esportistas.

 

Auriel de Almeida


Sobre o autor

Nascido em Niterói, Auriel de Almeida é museólogo e designer, já tendo trabalhado no jornal Lance! Apaixonado pelos campeonatos antigos, seus clubes, escudos e uniformes, dedica-se à pesquisa desde os tempos de universitário, e tomou-se colaborador da RSSSF Brasil em 2008. Em 2011, deu início à carreira de escritor, tendo outros três livros publicados: “Passos do Campeão”, “Jogos Memoráveis do Botafogo” e “Camisas do Futebol Carioca”. Desde 2017, é coordenador editorial na Hanoi Editora.

 

Sobre a editora

Ideias fundamentais encontram elos que as sustentam através dos tempos. A Hanoi Editora, fundada em 2017, tem como missão fortalecer esses elos que promovem o encontro entre autores, livros e leitores. Com abordagem fundamentada no respeito, transparência e senso de pertencimento, oferece suporte a autores, sejam novos ou reconhecidos. Tem como visão proporcionar títulos de alto valor nas áreas de filosofia, artes, espiritualidade e desenvolvimento pessoal, promovendo a reflexão ativa em um mundo em constante transformação, impulsionando a humanidade a atingir seu potencial máximo.

sexta-feira, 12 de julho de 2024

“Guia para um jornalismo com perspectiva de gênero”, de Duda Moro, em pré-venda

 

“Quem me conhece sabe que era meu sonho publicar um livro. Por isso, tenho o prazer em anunciar a pré-venda da minha primeira publicação: Guia para um jornalismo com perspectiva de gênero”.

A declaração é da jornalista Eduarda Moro, mais conhecida como Duda Moro, ao anunciar, através de seu perfil nas redes sociais, a pré-venda de seu guia, que oferece práticas para promover um jornalismo com perspectiva de gênero, combatendo discursos machistas na imprensa. Desde o agendamento até a edição final, aborda seleção de pautas, linguagem, escolha de fontes e cultura organizacional.



A obra é o resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Jornalismo da autora, na Ufes - Universidade Federal do Espírito Santo, com a orientação do professor José Antonio Martinuzzo, e publicado pela Editora Pedregulho. Reúne orientações que consideram novas mídias e o feminismo contemporâneo, propondo pilares organizacionais para reduzir a desigualdade de gênero.

Segundo Duda Moro, “o Guia para um jornalismo com perspectiva de gênero vai ajudar o profissional de comunicação a se tornar mais consciente e engajado na luta pela igualdade de gênero, seja uma mulher ou um aliado”.

Os capítulos discutem problemas na imprensa atual e oferecem intervenções para incorporar critérios de gênero no jornalismo, incluindo fontes úteis, leis brasileiras e um glossário de termos feministas. A obra enfatiza a necessidade de uma mudança profunda na cultura jornalística, destacando a urgência de proteger a integridade das mulheres e acabar com a dominação masculina na mídia.

No Guia o leitor encontra:

- Conceitos básicos sobre gênero e diversidade

- Dicas para identificar e evitar linguagem sexista

- Estratégias para cobrir temas de gênero de forma ética e responsável

- Exemplos de boas práticas no jornalismo com perspectiva de gênero

- Aplicação do conceito de gênero na cultura de organizações de comunicação

- Glossário de termos feministas

- Fontes úteis

- Leis brasileiras que abordam a questão de gênero

O link para a compra na pré-venda: https://lnkd.in/dsKKBKQN.



Duda Moro (Reprodução)

Sobre a autora

Duda Moro, uma capixaba de 24 anos com o espírito de uma senhora de 84, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ela foi uma das 10 focas do 25º Curso de Residência em Jornalismo na Rede Gazeta. Após um ano trabalhando com criação de conteúdo de marca, Duda explorou outros ares, como marketing e assessoria de imprensa e, em 2024, também iniciou uma pós-graduação em Revisão de Textos, com foco em editorial e materiais didáticos. Na vida pessoal, ela adora assistir a reality shows de competição, especialmente os de moda e decoração, e é viciada em doramas. Duda é uma ávida leitora e escritora por hobby, com muitas histórias escondidas em rascunhos em seu computador.

Um novo olhar sobre as mulheres da Bíblia: escritores trazem uma analogia atual de histórias milenares

 

Como seriam as mulheres bíblicas nos dias atuais? Os escritores Silvio Colin e Maria Joana Rodrigues Colin (in memorian) são os autores do livro “Mulheres da Bíblia, contos imorais”, com histórias atuais, acontecidas em uma sociedade moderna, inseridas na cultura dos dias de hoje, submetidas às leis e práticas contemporâneas. Intriga, incesto, estupro, misoginia, assédio moral ou sexual têm como roteiro ou inspiração uma narrativa bíblica. Cada capítulo traz um conto de uma personagem da Bíblia: Susana, Tamara, Eva, Rute, Judite, Salomé, Madalena, Agra e Bete.





O livro trata de narrativas bíblicas, as quais apenas os leitores muito atentos do Livro Sagrado têm acesso.  A escolha das personagens fala das principais perplexidades diante das histórias bíblicas e também das leituras ingênuas e, muitas vezes, propositalmente equivocadas, divulgadas pelas religiões.


“São contos imorais, como imoral é a nossa sociedade. É um engano pensar que, por ser um livro sagrado, a Bíblia fale apenas do que é santo. Fala também do profano, de incestos, adultérios, misoginia, crueldade, mentiras, tramas diabólicas. E foi destas narrativas que tiramos nossa inspiração”, explica Silvio.

 

O termo moral de forma objetiva refere-se a definição do que é certo ou errado. Quando se fala de moral, o tabu do sexo vai na frente. Prostituição, adultério, nudez são imorais. O livro mostra que, para além das questões sexuais, muitas coisas são imorais, como soberba, perversidades, corrupções e mentiras.

 

“Na leitura da Bíblia, no aspecto moral, as mulheres sempre parecem mais culpadas que os homens. Apresentamos a vocês, mulheres com suas forças e debilidades, amores e desamores, sanidade e loucura. Repetindo Vinícius de Morais, a vida está nelas, o mundo está nelas e a loucura reside neste mundo”, conclui.

Sobre os autores

 

Silvio Colin - Arquiteto, formado na Faculdade de Arquitetura  da UFRJ, doutor em Teoria e História da Arquitetura. Tem diversos trabalhos publicados sobre arquitetura. Ingressou na ficção em 2022, com o livro "Contos e memórias de um tardio aprendiz".


 

Maria Joana Rodrigues Colin (1941 - 2020) - Formada em Administração de Empresas pela Universidade Gama Filho, graduada e licenciada em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pós-graduada em Literatura Brasileira. Colaborou em diversas antologias.


Projeto Favelivro: Renata Lo Prete dá nome à Biblioteca Comunitária no Grajaú

 

Jornalista se torna patrona de biblioteca para mulheres e meninas

 

O projeto Favelivro inaugura neste sábado, dia 13, às 15h, sua 41ª Biblioteca Comunitária no Grajaú, na Rua Barão do Bom Retiro, 1939. Desta vez, a personalidade homenageada para dar nome à biblioteca direcionada ao público feminino das comunidades do Morro dos Macacos, São João, Morro do Encontro e Complexo do Lins é a jornalista e apresentadora Renata Lo Prete. O espaço está sob a direção da professora Mônica Galvão e conta com um acervo inicial de 2000 livros, todos vindos de doações. Verônica Marcílio, uma das fundadoras do projeto, enfatiza a importância do espaço para a comunidade: “A Biblioteca Renata Lo Prete vem para transformar a relação das mulheres dessas comunidades com a leitura”.



Jornalista Renata Lo Prete (Divulgação)


A ideia do projeto Favelivro é incentivar a educação e a cultura através da leitura, criando bibliotecas e atividades literárias em comunidades e escolas públicas do Rio. As bibliotecas comunitárias são criadas a partir de um pedido dos moradores e, após montadas, sua gerência fica a cargo da própria pessoa ou grupo solicitante. O Favelivro fica responsável por montar fisicamente a biblioteca, estantes e estrutura básica, fornecer o acervo inicial por meio de doações, realizar a conexão com o patrono escolhido pelos moradores da comunidade, produzir e divulgar a inauguração.

 

O movimento Favelivro já inaugurou no estado do Rio de Janeiro 40 unidades, distribuídas por comunidades do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e Madureira. 



Mais sobre o Favelivro

O projeto nasceu do encontro de dois apaixonados por livros: os amigos Demezio Batista, livreiro, e a professora de língua portuguesa Verônica Marcilio. Os dois se conheceram na comunidade da Barreira do Vasco em uma ação social com crianças enquanto compartilhavam o desejo de tornar a leitura mais acessível.

 

No Brasil, cerca de 48% da população não têm o hábito da leitura, causado principalmente pela falta de acesso aos livros, muitas vezes caros e inacessíveis. É nesse cenário que surge o Favelivro, um movimento que abre bibliotecas em comunidades carentes com livros gratuitos. Cada biblioteca leva o nome de um patrono famoso, sugerido pelos moradores de cada território.

 

Como participar

Para doar livros ou pedir uma biblioteca, os interessados devem se comunicar pelo Instagram @favelivro ou pelo telefone da fundadora do projeto, Verônica Marcilio, (21) 98366-8117. Os livros são recolhidos nas residências pelos voluntários.

 

SERVIÇO:

Inauguração da Biblioteca Comunitária Renata Lo Prete:

Data: 13/07/2024 (sábado)

Horário: 15h

Endereço: Rua Barão do Bom Retiro, 1939, Grajaú, Rio de Janeiro-RJ

Instagram:

https://www.instagram.com/favelivro/

 

Bibliotecas inauguradas:

1 - Biblioteca Comunitária José Mauro de Vasconcelos (Escritor)

Comunidade do Vai Quem Quer

 

2 - Biblioteca Comunitária de Ipiiba Sérgio Buarque de Holanda

Comunidade Ipiiba

 

3 - Biblioteca Comunitária Luis Erlanger (Jornalista e Escritor)

Comunidade Vila Kennedy

 

4 - Biblioteca Comunitária Fernanda Abreu (Cantora e Compositora)

Morro do Faz Quem Quer

 

5 - Biblioteca Comunitária Sandra Sá (Cantora e Compositora)

Parque Olímpico de Acari

Sandra Sá (Divulgação)

 

6 - Biblioteca Comunitária Paulo Betti (Ator)

Comunidade Barreira do Vasco

 

7 - Biblioteca Comunitária Flávia Oliveira (Jornalista)

Morro da Congonha


8 - Biblioteca Comunitária Luciana Savaget (Jornalista)

Morro da Penha – Niterói

 

9 - Biblioteca Comunitária Miriam Leitão (Jornalista e Escritora)

Comunidade de Higienópolis

 

10 - Biblioteca Comunitária Zelia Duncan (Cantora e Compositora)

Costa Barros

 

11 - Biblioteca Comunitária Ana Botafogo (Coreografa)

Comunidade Engenho da Rainha

 

12 - Biblioteca Comunitária Sonia Rosa (Escritora)

Comunidade do Lixão

 

13 - Biblioteca Comunitária Thalita Rebouças (Escritora)

Complexo do Alemão

Thalita Rebouças (Divulgação)

 

14 - Biblioteca Comunitária Isabel Salgado (Técnica de futebol)

Catumbi

 

15 - Biblioteca Comunitária Paulinho Moska (Cantor e Compositor)

Comunidade Vila Turismo

 

16 - Biblioteca Comunitária INFANTIL Helio de la Peña (Ator e Escritor)

Complexo do CAJU

 

17 - Biblioteca Comunitária Milton Cunha (Carnavalesco)

Morro do Cantagalo

 

18 - Biblioteca Comunitária Rodrigo França (Escritor, Ator e Diretor)

Chapéu Mangueira

 

19 - Biblioteca Comunitária Babi Xavier (Atriz e Escritora)

Morro do Estado – Niterói

 

20 - Biblioteca Comunitária Celso Athayde (Empresário Social)

Comunidade do Muquiço

 

21 - Biblioteca Comunitária Beth Goulart (Atriz e Escritora

Comunidade 2 de Maio

 

22 - Biblioteca Comunitária Marcelo Barreto (Jornalista)

Viegas em Bangu

 

23 - Biblioteca Comunitária André Trigueiro (Jornalista)

Casa Transitória em Engenho Novo

André Trigueiro (Divulgação)

 

24 - Biblioteca Comunitária Gabriel Pensador (Cantor, Compositor, Escritor)

Manguinhos


25 - Biblioteca Comunitária Tom Farias (Jornalista e Escritor)

Comunidade Amélia Pinheiro

 

26 - Biblioteca Comunitária Edney Silvestre (Jornalista e Escritor)

Comunidade do Fumacê

 

27 - Biblioteca Comunitária Elisa Lucinda (Escritora e Artista)

Comunidade Chico Mendes

 

28 - Biblioteca Comunitária Christiane Torloni (Atriz e Defensora da Amazônia)

Cidade Alta

 

29 - Biblioteca Comunitária Malu Mader (Atriz)

Comunidade Parque da cidade

 

30 - Biblioteca Comunitária Leila Sterenberg (Jornalista)

Comunidade do Borel

 

31 - Biblioteca Comunitária Ana Paula Araújo (Jornalista e Escritora)

Morro da Babilônia

 

32 - Biblioteca Comunitária Fábio Júdice (Jornalista)

Comunidade do Santo Cristo

 

33 - Biblioteca Comunitária Suzana Pires (Filósofa, Atriz, Escritora e Empreendedora)

Andaraí

 

34 - Biblioteca Comunitária Luciana Savaget (Jornalista e Escritora)

Coelho Neto

 

35 - Biblioteca Comunitária Zeca Pagodinho (Cantor e Compositor)

Comunidade do Borel

Zeca Pagodinho (Divulgação)

 

36 - Biblioteca Comunitária Erick Bang (Jornalista)

Comunidade Mata Machado

 

37 - Biblioteca Comunitária Regina Casé (Apresentadora e atriz)

Comunidade do Cantagalo

 

38 - Biblioteca Comunitária Ancelmo Gois (Jornalista)

Comunidade do Cordovil

 

39 - Biblioteca Comunitária Rene Silva (Jornalista)

Duque de Caxias

 

40 - Biblioteca Comunitária Tim Lopes (Jornalista)

Bonsucesso

Tim Lopes (Divulgação)

terça-feira, 7 de maio de 2024

Litteris Editora lança o livro “TEMPOS MODERNOS”, de Carlos Eduardo Drummond, que esmiúça a polêmica história do Palácio Monroe

 

Sessão de autógrafos acontece na quinta-feira, dia 9, das 18 às 21h, no Auditório da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia


Sobre em “TEMPOS MODERNOS – O Rio metrópole, a Exposição de 1922 e a incrível história do Palácio que desapareceu durante a Ditadura Militar”, o historiador João Daniel Almeida comenta no texto de apresentação que “o protagonista é o Palácio, e sua trajetória é esmiuçada deliciosamente desde muito antes de sua construção, quando ainda era uma ideia. Uma ideia de modernidade neta das Exposições Universais”. E completa dizendo: “Carlos Eduardo Drummond reconstrói a história das Exposições Universais — cada uma delas — desde 1851, em Londres, até 1922, no Rio de Janeiro. Isso tudo sem deixar de lembrar que, concomitantes às exposições, ocorriam até olimpíadas”. Em 12 capítulos (mais um Prólogo e um Epílogo), o livro percorre um arco de tempo partindo da aquisição do território da Louisiana — comprado pelos EUA da França, em 1803 — e vai até a polêmica demolição do Palácio Monroe, em 1976, lançando luz em muitos eventos históricos entre uma ponta e outra, no Brasil e no mundo.

 

Em sua pesquisa, o autor percebeu que não daria para contar a história do Palácio Monroe sem voltar no tempo para explicar a origem das Exposições Universais, grandes vitrines da modernidade que vinham sendo montadas na Europa e nos EUA, numa época em que o Brasil ainda não tinha se convertido em República, tampouco abolido totalmente a escravidão em seu território. A existência do Palácio Monroe se insere nesse contexto, pois sua primeira versão serviu de Pavilhão Oficial do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis (EUA), em celebração ao centenário da compra do território da Lousiana, onde recebeu um prêmio.

 



Remontado no Rio de Janeiro no início do século XX, em pleno processo de modernização da cidade, com as obras da grande reforma urbana do Prefeito Pereira Passos em andamento, o Pavilhão Brasileiro finalmente ganhou seu nome definitivo em homenagem ao presidente americano James Monroe, idealizador da famosa doutrina “A América para os americanos”.

 

Cientes do atraso em relação às nações mais desenvolvidas, os governantes da época desejavam apagar a imagem colonial do país com ações que visavam propagar uma imagem moderna do país. Depois de realizar uma Exposição de âmbito nacional em 1908, no Rio de Janeiro, na qual o Brasil ganhou experiência no tema, o país se rendeu aos apelos de vários setores da sociedade para realização de uma Exposição Internacional em celebração ao Centenário da Independência. Inaugurada em setembro de 1922, essa Exposição teve o Palácio Monroe como Bureau Oficial de Informações e cartão de visitas para entrada de visitantes no setor Internacional.

 

Até chegar a esse momento, no entanto, outras ações do governo foram executadas como pré-condições necessárias à montagem da grande Exposição. Assim, o arrasamento do Morro do Castelo, por exemplo, outra obra polêmica executada naquele período, também é abordada em detalhes pelo autor, pois é fundamental para entender o pensamento político da época e os desdobramentos que permitiram a montagem da própria Exposição.

 

Como é contado em “TEMPOS MODERNOS – O Rio metrópole, a Exposição de 1922 e a incrível história do Palácio que desapareceu durante a Ditadura Militar”, a maioria das construções citadas foi demolida. Até mesmo o Palácio Monroe, com todo peso histórico de ser um prédio premiado no exterior – em sua primeira versão -, e servindo ao país de várias formas, não foi poupado. Essa é, sem dúvida, a demolição mais polêmica e a que até hoje deixa muita gente inconformada. “Drummond não tem nome de poeta à toa. Ele resgata a sublime poesia da história imortal de um palácio que morreu”, lembra o historiador João Daniel Almeida no texto de apresentação. A demolição aconteceu durante a Ditatura Militar, no Governo Geisel, que teve participação importante na decisão.

Carlos Eduardo Drummond

 

A ideia de escrever o livro:

Carlos Eduardo Drummond, também autor do sucesso CAETANO – uma biografia (Seoman, 2017), relata que a ideia do livro nasceu em 2007, quando cursava uma Pós-Graduação em Relações Internacionais. O primeiro ímpeto foi escrever um livro sobre o Barão do Rio Branco, depois de assistir às aulas de História do Professor e Historiador João Daniel Almeida. Contudo, anos depois essa ideia foi abandonada e, no lugar dela, cresceu o desejo de pesquisar sobre o período fascinante abordado no livro, que inclui a tradição de montar grandes exposições, egressa do período industrial europeu e norte-americano, além da própria experiência brasileira de 1922 e, sobretudo, a indigesta demolição do Palácio Monroe, revela o autor.

 

Ele conta que sempre se encantou pelo universo das grandes exposições. Ao mesmo tempo, se junta ao coro daqueles que não se conformam com a demolição do Palácio Monroe. Abordar tudo no mesmo contexto, com uma clara correlação entre os temas relacionados, é um dos grandes méritos do livro, pensa o autor. Especialmente o caso do Monroe é um tema que precisa ser lembrado de forma permanente. E vai além. Mais do que ser lembrado, o erro pela demolição do Palácio precisa ser reparado. Gerações vêm sendo privadas desse bem público de imenso valor histórico e ninguém até hoje realizou qualquer compensação. Em algum momento, esse Palácio precisa ser reconstruído, sonha o autor.

 

O esforço da pesquisa:

A investigação exigiu do autor rastrear documentos raros em instituições de pesquisa e memória, no Brasil e no exterior. Uma representante do Bureau International des Expositions (Paris – França) e o Presidente da 1904 World’s Fair Society (Saint Louis – EUA) foram alguns colaboradores importantes. Além desses, o americano Jerry Miller, colecionador de itens da Feira de Saint Louis, forneceu uma foto de sua coleção que está no livro. Outro desafio foi dar andamento às pesquisas durante a Pandemia, com as muitas restrições impostas para a sociedade. Mas o resultado valeu a pena. Além de sustentar os fatos narrados ao longo dos capítulos, o montante apurado enriqueceu o conteúdo do livro com informações curiosas e consistentes, além de uma rica iconografia (por volta de 150 imagens), que inclui fotos raras, como a série da construção do Pavilhão Brasileiro em Saint Louis, localizada nos EUA, com ajuda dos americanos. Outro importante achado da pesquisa saiu do mergulho no arquivo Geisel, da Fundação Getúlio Vargas. Uma das atas das reuniões confidenciais do início dos anos 1970 revela que o Presidente Geisel fomentou uma campanha secreta, nos jornais da época, para criar artificialmente na opinião pública o desejo de demolir o Palácio Monroe. Mais uma herança funesta da Ditatura que vem a público no ano em que o golpe completa 60 anos. Essa informação sequer consta do volumoso processo do IPHAN que contém a farta documentação oficial produzida na época e que também foi esmiuçada pelo autor.

 

Um guia turístico em forma de livro:

O autor ainda revela no Epílogo os muitos vestígios remanescentes na cidade do que é narrado ao longo do livro. As últimas páginas do livro funcionam como um guia turístico do Rio Antigo, indicando ao leitor endereços e locais da cidade que ainda possuem prédios, monumentos ou qualquer lembrança da época. A partir do que é narrado no Epílogo, é possível montar roteiros turísticos a pé, no Centro do Rio, para ver com os próprios olhos o que restou daquela época e o que desapareceu. Além de um importante documento de memória, o livro é uma leitura obrigatória para quem é apaixonado pela cidade e suas histórias.